Atualmente o assunto envolvendo a crise do setor automotivo não é mais novidade, principalmente para os leitores do Dinheirama, que já acompanham as análises desta coluna há algum tempo. Mas os efeitos e consequências de todo esse processo estão longe de serem totalmente previstos, e provavelmente ainda estão nos estágios iniciais.

Por todos os lados, as novas notícias apontam para um colapso. Aliás, recentemente escrevi um artigo para o Infomoney defendendo a ideia de que o modelo atual de venda dos carros está definitivamente esgotado no Brasil.

Em relação às redes de concessionárias, o cenário é extremamente perturbador. De acordo com dados recentes da Fenabrave, cerca de 250 concessionárias já fecharam nos primeiros meses de 2015. Adicionalmente, há previsão do encerramento das atividades de 10% dos estabelecimentos até o final do ano.

Para você, como consumidor e considerando que o carro normalmente representa uma parcela considerável do nosso patrimônio, é preciso cautela e atenção. Isso porque o fechamento de uma concessionária pode ter sérios efeitos, principalmente para pessoas que vivem em cidades do interior e contam, em muitos casos, com apenas um estabelecimento em um grande raio de quilômetros.

A situação no mercado

Como o tema já foi bastante discutido aqui no Dinheirama, desde o artigo que publiquei em abril do ano passado, intitulado Carros: o Mercado na Direção de uma Crise, os principais fundamentos já foram comentados.

Em síntese, depois do crescimento artificial das vendas de veículos, motivado por intervenções do governo que levaram ao endividamento para aumento do consumo, o quadro atual era relativamente previsível.

Nos últimos meses, os aspectos problemáticos se intensificaram em função da estagflação da economia. Com aceleração da inflação, aumento dos juros e dos preços dos carros 0km, bem como com o crescente desemprego e endividamento das famílias, as perspectivas não são animadoras para a venda de automóveis.

A situação das concessionárias

Enganam-se as pessoas que imaginam que é muito fácil e lucrativo atuar nesse ramo. É bom lembrar que as autorizadas seguem o modelo de franqueadas e estão sujeitas a muitos investimentos (com estrutura, imóvel, layout, estoques, funcionários e etc.) e regras aplicadas pelas fabricantes.

Embora evidentemente tenham uma margem de lucro razoável, por conta do cenário de crise atual suas margens nas vendas tendem a ser cada vez mais reduzidas. Como alternativa, restarão os ganhos com os serviços de manutenção prestados.

Agora é bom lembrar que a maior parte das marcas atuantes no Brasil possui uma baixa participação percentual no mercado. Outras fabricantes enfrentam, em 2015, uma queda absolutamente brutal nas vendas (algumas se aproximando do impressionante número de -50%).

Nesse contexto, o negócio das concessionárias complica-se de uma forma avassaladora. Para as que não estavam solidamente preparadas para esta nova realidade, em muitos casos o caminho do fechamento será inevitável.

Para ilustrar, confira esta notícia, publicada no site Notícias Automotivas, relatando o fechamento da única concessionária Ford na região da Baixada Santista, em São Paulo. Para quem tiver curiosidade, vejam os comentários dos leitores que relatam a triste realidade em vários pontos do Brasil.

O seu papel como consumidor

Como tenho defendido nos meus artigos e entrevistas, a cada dia torna-se mais fundamental um eficiente planejamento na hora de trocar de carro ou avaliar se vale a pena manter o atual.

Em um artigo recente, mencionei inclusive o sério risco de algumas marcas começarem a deixar o Brasil. Depois de um mês da publicação, a primeira a abandonar o barco foi a Mahindra, que encerrou suas atividades no país.

Em relação ao tema do atual artigo, é importante que o consumidor avalie como está a situação da marca no mercado, bem como se suas vendas estão em ascensão ou queda acentuada. Além disso, é preciso saber mais sobre o histórico da marca e da empresa ou grupo proprietário da concessionária que você pretende utilizar (principalmente se for a sua única opção).

Além disso, é válido avaliar a política comercial e o nível de satisfação dos consumidores quanto ao pós-venda. Enfim, as pesquisas sobre a rede são essenciais.

Lembre-se de que no caso de fechamento, você precisará se deslocar para outro local para realizar os serviços (ainda mais se o carro estiver na garantia). Além do transtorno, em casos de retrabalho ou indisponibilidade de peças, os efeitos e prejuízos tendem a ser bem maiores.

Conclusão

A cada dia, surgem novas notícias indicando o colapso automotivo no Brasil. As vendas estão em queda brusca e diversas medidas têm sido tomadas pelas fabricantes, inclusive a paralisação e fechamento de unidades produtivas, com as consequentes demissões.

Como o mercado de carros baseia-se no processo de distribuição, as concessionárias são essenciais nessa cadeia e, evidentemente, sentem um altíssimo impacto.

Para evitar ou atenuar transtornos e prejuízos, é bastante importante levar em conta a análise da fabricante, da sua rede e da concessionária específica onde você pretende levar o seu carro. Em resumo, essa tem sido a orientação que tenho dado a meus clientes na consultoria automotiva pessoal Carro e Dinheiro (clique para saber mais).

Os próximos meses devem trazer um agravamento adicional desse cenário e, caso não ocorram mudanças estruturais significativas no Brasil, não existem fatores que possam reverter essa tendência. Portanto, tenha cautela em relação a seu carro e seu bolso.

PS: Recentemente, fui entrevistado pela Revista Você S.A. acerca do método que apresento no meu livro digital, o “Como Escolher o seu Carro Ideal” (clique agora para conhecer). Convido você a assistir a este breve e esclarecedor vídeo:

PPS: Para facilitar o controle dos gastos com o seu carro, eu elaborei uma planilha completa e de fácil preenchimento. Ela permitirá cuidar melhor do seu orçamento e você pode baixá-la agora, gratuitamente, no seguinte link: →  http://bit.ly/PlanilhaCarro

Até a próxima! Um abraço.

Foto “Car dealer”, Shutterstock.

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