A hora de definir qual carro comprar normalmente envolve uma série de decisões importantes que têm grandes impactos futuros, principalmente financeiros. Se essa escolha se basear em um critério equivocado, há sérios riscos de arrependimentos e frustrações que podem custar caro.

Indo direto ao ponto: o maior erro que alguém pode cometer na hora da aquisição é basear-se apenas no preço de compra como critério preponderante para selecionar o carro.

É claro que é aconselhável definir qual é o montante máximo que você está disposto a pagar pelo seu veículo. Porém, esse fator não deve ser o elemento-chave para a escolha. Vamos ver alguns exemplos para esclarecer melhor.

Imagine as seguintes situações envolvendo casos de outra área: suponha que você, leitor, se dirija a uma loja de calçados para a compra de algo para a partida de futebol com os amigos.

Evidentemente, você comprará uma chuteira, não um sapato social. Agora imagine uma mulher que pretenda caminhar por trilhas. Ela certamente não irá comprar um sapato de salto alto para essa finalidade.

Esses casos ilustram como é importante priorizar a análise das necessidades em primeiro plano. No caso dos carros, infelizmente, as pessoas acabam se esquecendo disso e surgem dúvidas que podem ser consideradas absurdas.

É comum, na minha atividade de consultor automotivo pessoal, observar clientes e conhecidos que, podendo gastar algo em torno de R$ 70 a 80 mil, ficam em dúvida em relação a carros completamente diferentes.

Por exemplo, nessa faixa, há pessoas que cogitam a compra de um hatch médio (como o Focus), um sedan médio (como o Corolla), uma caminhonete flexível de entrada (como a L200 Triton) ou um pequeno SUV (como o Tracker).

Se incluirmos os usados, a gama fica ainda maior, podendo incluir SUVs maiores (como a CR-V), caminhonetes a diesel (como a Hilux) ou sedans de marcas premium (como carros da BMW e Mercedes), além de automóveis de nicho (como o Mini).

Nessa pequena lista do parágrafo acima podemos ver que são veículos com propostas e características absurdamente distintas. Portanto, fica evidente que usar o preço de compra como parâmetro não é o melhor caminho.

Para evitar situações como essas, no meu livro digital, “Como Escolher o seu Carro Ideal”, eu apresento um método com o roteiro completo envolvendo os passos essenciais para uma compra consciente.

E o primeiro aspecto é justamente a verificação das necessidades, partindo da ideia de que incialmente é preciso saber do que se precisa. Em seguida, defendo a análise da qualidade do carro e sua segurança. Somente no quarto momento é que deve ser analisada a questão financeira.

Aliás, a escolha de um carro com base no preço de compra esconde um risco maior: o esquecimento de toda a Estrutura de Preços dos Carros no Brasil. Essa estrutura foi amplamente noticiada após a publicação de um artigo meu aqui no Dinheirama (clique para ler).

Basicamente, ela se baseia na ideia de que o custo-benefício e o planejamento financeiro envolvendo um carro deve levar em conta todos os impactos financeiros desde a compra, passando pelo período de propriedade e terminando somente no momento da venda.

Na prática: um sedan médio e uma caminhonete costumam apresentar impactos muito diferentes ao longo do tempo, mesmo que tenham preços de aquisição parecidos. Afinal, a caminhonete tende a apresentar manutenção mais cara, maiores gastos com consumo e seguro, maiores despesas com estacionamento, pneus e lavagens etc.

Outra situação bastante comum, também resultante do foco excessivo no preço de compra, envolve as dúvidas entre a compra de uma versão top de um segmento inferior (como um sedan compacto) ou a versão de entrada do segmento superior (como um sedan médio). Vamos supor que a primeira custe perto dos R$ 58 e a outra um pouco acima dos R$ 60 mil.

Veja que essa dúvida não deveria existir. Afinal, se estivessem claras as necessidades e prioridades do consumidor, ele compararia carros do segmento adequado ao seu perfil.

Adicionalmente, outro caso envolvendo a errônea priorização do preço de compra ocorre no segmento dos usados. Como defendo no livro “Como Escolher o seu Carro Ideal” (clique para conhecer), o foco para uma boa compra de usado deve ser relacionado ao estado de conservação, deixando o preço como fator secundário.

Para ilustrar, de nada adianta pagar um preço, digamos, R$ 4 mil abaixo da tabela se depois de um mês será necessário trocar os 4 pneus e a realizar uma revisão completa. Nesse caso, o “barato sairá caro”.

Conclusão

Evite, a todo custo, pensar desta forma: “Tenho tantos mil reais; e agora, qual carro compro?”.

Primeiramente, entenda quais são suas necessidades e compare carros do segmento tendo por base a qualidade e segurança oferecidas. Em seguida, defina o limite de quanto pode gastar na compra e procure as melhores alternativas para o seu perfil.

Esse tem sido o método que procuro seguir em relação aos clientes que atendo, de modo personalizado, na consultoria automotiva Carro e Dinheiro (saiba mais). O nível de satisfação tem sido bem interessante, principalmente porque é apresentada uma visão bem diferente do que as pessoas estão acostumadas pelo discurso padrão da mídia, do marketing e dos vendedores.

Lembre-se de que, como consumidor, você precisa estar atento para as atitudes essenciais para uma compra inteligente, tema tratado em outro artigo recente.

Portanto, saiba exatamente qual é o tipo de carro que você quer comprar e, com consciência automotiva e financeira, defina a opção que será melhor para você e sua família.

Comentário em vídeo

Se você prefere conteúdos em vídeo, eu gravei este material antes de escrever este artigo, comentando de forma mais espontânea o tema. Convido você a assistir para saber mais sobre o assunto:

PS: Para facilitar o controle dos gastos com o seu carro, eu elaborei uma planilha completa e de fácil preenchimento. Ela permitirá cuidar melhor do seu orçamento e você pode baixá-la agora, gratuitamente, no seguinte link: →  http://bit.ly/PlanilhaCarro

Muito obrigado pela atenção, um grande abraço e até a próxima!

Foto “Young woman”, Shutterstock.

Avatar
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários