É praticamente impossível escapar de anúncios, feirões e diversas formas de veiculação de promoções de carros atualmente. Essa é a realidade que todos nós estamos acompanhando neste momento em que as vendas estão em queda e os estoques, em alta.

Em vários veículos de comunicação e nas mídias sociais, estamos presenciando “agressivas” campanhas que, em alguns casos, apresentam condições inéditas no nosso mercado.

Mas até que ponto existem vantagens efetivas aos consumidores e, mais do que isso, será que vale a pena tomar uma decisão de compra de um novo carro apenas por conta dos atuais (e eventualmente supostos) benefícios?

1. O momento do mercado

No meu último artigo para o Dinheirama, procurei demonstrar os motivos pelos quais o mercado de carros caminha na direção de uma crise (clique aqui para ler).

Adicionalmente aos aspectos citados, observa-se que os atuais níveis de confiança dos consumidores, da indústria, do comércio e dos serviços estão no patamar mínimo dos últimos cinco anos.

Por conta desses fatores e considerando os reflexos da Copa do Mundo e proximidade das eleições, aumentam os sinais de que estamos no caminho do esgotamento do atual modelo. Nesse contexto, somente mudanças realmente significativas por parte das fabricantes e do governo poderão alterar essa tendência.

Contudo, observando-se as hipóteses que estão sendo ventiladas, parece que novamente serão adotados paliativos semelhantes aos que levaram o mercado à situação atual, como a intensificação do incentivo ao crédito e endividamento.

Aliás, também não se pode esquecer do atual paradoxo: mesmo com as vendas em queda, os preços nominais dos carros estão subindo.

Segundo levantamentos de entidades que apuram o preço real praticado no mercado, é possível constatar que os aumentos estão inclusive acima dos níveis oficiais de inflação, o que demonstra que, em alguns casos, as marcas estão priorizando a manutenção de suas margens.

2. As promoções e incentivos

Na prática, as vendas continuam em níveis decrescentes e os estoques permanecem distantes dos parâmetros ideais. Dessa forma, as promoções e incentivos têm sido cada vez mais significativos.

Nesse ponto, é interessante observar que, historicamente, as fabricantes apresentam forte tendência de evitar a redução oficial do preço dos carros em suas tabelas. Com esse propósito, são preferidas as outras formas de estímulo às vendas.

Vale ressaltar que essa postura também tem a ver com o fato de que algumas reduções de preços definitivas poderiam afetar o posicionamento de veículos, considerando os diversos segmentos do mercado. Por exemplo, se um sedã médio tiver o preço bastante diminuído, poderia ocorrer a canibalização das vendas de um sedã compacto, considerando o comportamento de compra dos consumidores.

Dessa forma, os eventuais descontos significativos têm apresentado prazo determinado, embora, às vezes, sejam prorrogados. Como exemplo, temos os alegados “descontos para funcionários” e reduções que chegam a até R$ 20 mil em segmentos superiores.

Por outro lado, também estamos observando outras formas de incentivos, como juros subsidiados, concessão de brindes, pagamento de IPVA, vale-combustível, gratuidade de revisões etc.

3. Entenda os motivos para um carro específico estar em promoção

Além de levar em conta as condições gerais do mercado, é preciso esclarecer os motivos para determinado carro estar contemplado por benefícios e descontos.

Para essa finalidade, devem ser checados alguns pontos que podem fornecer indícios importantes. Por exemplo, avalie se aquele automóvel não está vendendo bem, se está prestes a sair de linha ou sofrer reformulação ou se há concorrentes extremamente superiores.

Note que, dependendo da situação, o risco de “o barato sair caro” pode ser bastante elevado, considerando-se inclusive os prováveis impactos na desvalorização e facilidade de revenda futura.

4. Você e as promoções: aproveitar ou não?

Diante do quadro atual, é possível que alguns consumidores estejam avaliando se compensa aproveitar as oportunidades oferecidas.

Mas, para realizar essa análise, é essencial, partir do seguinte ponto: a melhor hora para comprar ou trocar um carro sempre será aquela que foi decidida pelo próprio interessado, tendo em vista suas necessidades e possibilidades financeiras.

Se nesse momento houver atrativos adicionais, eles devem ser enxergados como “bônus” e não como fatores determinantes para a tomada ou antecipação da decisão de compra.

Note que, em síntese, o essencial é lembrar que você deve ser o responsável pelas atitudes que têm alto impacto na sua vida e na da sua família, não permitindo que terceiros ou o mercado tenham o controle sobre seus atos. Escrevi um texto que fala da compra por necessidade ou status, clique aqui e leia.

Aliás, se houver o agravamento do cenário, inclusive por conta do aumento da ociosidade da capacidade produtiva, é possível que vejamos novas ações inéditas de estímulos.

Embora qualquer possibilidade inovadora seja imprevisível, é válido lembrar, por exemplo, que, nos últimos anos em alguns países europeus e na Argentina, já houve casos de oferecimento de um segundo carro compacto como brinde para compradores de carros maiores.

Considerando essa conjuntura e a experiência que tenho acumulado na atuação como consultor automotivo pessoal na Carro e Dinheiro, para avaliar realmente a viabilidade da compra é importante priorizar a análise de fatores relacionados com a efetiva necessidade de um novo carro. Nesse sentido, a clareza sobre o que veículo precisa oferecer é essencial para a sua satisfação.

Em seguida, recomenda-se observar a qualidade do carro pretendido, bem como os seus atributos de segurança.

Posteriormente, é necessário checar a questão financeira, levando em conta a totalidade da Estrutura de Preços dos Carros no Brasil (desde a compra até a venda, incluindo todos os reflexos financeiros) e a sua condição econômica.

Para tanto, é válido comparar os carros pretendidos, que podem apresentar impactos financeiros globais bastante diferentes, mesmo que tenham “preços de compra” parecidos e pertençam ao mesmo segmento.

Por fim, os aspectos emocionais podem ser conciliados para que o novo veículo seja compatível com seu gosto. Deve-se observar, ainda, se compensa a compra de um carro 0km ou de um usado/ seminovo, considerando o seu perfil.

Conclusão

As compras e os atos de consumo que representam significativos impactos no nosso orçamento devem estar de acordo com as nossas reais prioridades, pessoais e familiares.

Como costuma mencionar o Conrado Navarro, “o processo de Educação Financeira envolve saber valorizar aquilo que queremos de verdade, em vez de apenas pensar no que almejamos no momento presente”.

Para que você, consumidor ou consumidora consciente, possa realizar melhores escolhas na hora de definir qual carro comprar, recentemente publiquei o livro digital “Como Escolher o seu Carro Ideal” (clique aqui para detalhes).

Diante das promoções e incentivos atuais e levando em conta a existência de tantas opções no mercado, é fundamental saber quais são os aspectos essenciais que devem ser analisados na hora da escolha do seu carro.

Afinal, tendo em vista a realidade brasileira, é aconselhável que as pessoas com foco na construção do seu patrimônio busquem as melhores opções visando a encontrar o carro ideal pensando no verdadeiro custo-benefício.

PS: Para ajudar você a controlar melhor os gastos crescentes com seu carro no dia a dia, eu também elaborei uma planilha completa e de fácil preenchimento, que pode ser baixada (gratuitamente) no seguinte link: http://bit.ly/PlanilhaCarro

Obrigado pela atenção, um grande abraço e até a próxima!

Foto “Buying a car”, Shutterstock.

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