Temos acompanhado nos últimos meses os significativos aumentos de juros e, consequentemente, a elevação no Custo Efetivo Total (CET) das modalidades de crédito. Subir os juros foi a saída encontrada pelo governo para frear o consumo, desaquecer a economia e conter a inflação.

Infelizmente, para os usuários de cartões de crédito essas medidas parecem ter acertado em cheio sua capacidade de honrar os pagamentos. No final de 2014, as dívidas referentes ao uso do cartão de credito cresceram, fazendo com que a inadimplência alcançasse patamar recorde de 40% em dezembro.

Fuja do crédito rotativo!

Ao usar o crédito rotativo do cartão, as pessoas estão financiando parte do valor da fatura e de saques na função crédito (quando existem). De acordo com a Anefac (Associação dos executivos de finanças), os juros dessa modalidade alcançaram inacreditáveis 258% ao ano.

Como base de comparação, outra linha de crédito também bastante utilizada, o cheque especial, ao final de 2015 tinha juros médios no mercado de 200% ao ano e inadimplência de 9,5% ao ano.

Cartão de crédito: ferramenta que precisar ser usada com inteligência

Muitos educadores financeiros consideram o cartão de crédito um vilão da vida moderna. Eu prefiro encará-lo como uma ferramenta que, quando bem utilizada, rende aos seus usuários ótimos resultados.

No artigo Cartão de Crédito: verdades, vantagens e armadilhas, Conrado Navarro mostrou por que o uso consciente do cartão pode ser uma grande alternativa para as pessoas, acompanhe:

  • Porque simplificam seus pagamentos e mantém datas estabelecidas para pagamento de suas despesas, pagando a(s) fatura(s) sempre em dia;
  • Porque lançam estas transações em seu caderno (ou planilha) de controle financeiro e mantém à vista o saldo disponível para o restante do mês;
  • Porque aproveitam os programas de recompensa (pontos, milhagem ou descontos) e acumulam benefícios depois usados nas férias, em viagens ou mesmo em novas oportunidades de consumo.

Acredito que, no fundo, o brasileiro ainda não está preparado para lidar com o crédito de forma consciente, até por isso os juros por aqui são tão altos. Digo isso porque mesmo com valores tão elevados, muita gente acaba se sujeitando ao sistema ao consumir sempre através de crédito.

O que fazer se já estiver devendo no cartão

Quem já está endividado e entrou no rotativo do cartão de crédito precisa compreender que não existe saída fácil ou mágica para ultrapassar essa situação. Será necessário comprometimento! Em primeiro lugar, é importante aceitar que o cartão foi usado de forma incorreta e que para voltar a usar o cartão será fundamental disciplina e planejamento financeiro.

O passo seguinte é renegociar a dívida ou trocá-la por uma dívida mais barata. Existem no mercado alternativas de crédito com juros menores que os do cartão, entre as opções podemos considerar empréstimos pessoais e principalmente a modalidade conhecida como consignado (aquela que os pagamentos ao banco são realizados diretamente com desconto em folha de pagamento).

Educação financeira, a única solução definitiva

Para solucionar os problemas financeiros de maneira inequívoca e definitiva, a melhor solução passa pela prática da educação financeira de forma consciente. Empréstimos para cobrir situações emergências são alternativas que resolvem o problema temporariamente e não bastam. É preciso mudar as atitudes em relação ao dinheiro.

Comece de maneira bem simples, introduzindo aos poucos o assunto em casa. Com o tempo, ficará claro para todos que com um pouco de boa vontade todos conseguirão fazer mais sem ter que recorrer ao crédito – ao endividamento, melhor dizendo – para realizar os sonhos.

Na TV Dinheirama, nosso canal no youtube, preparamos um vídeo muito bacana sobre o tabu que envolve o dinheiro em família. Assista esta excelente oportunidade de provocar reflexões sobre a necessidade de enfrentar o tema, resolver as pendências e conquistar uma vida mais tranquila e feliz:

Conclusão

É hora de tomar as rédeas das finanças pessoais. Aprender a usar as linhas de crédito é um desafio que precisa ser superado sobretudo com responsabilidade e senso de prioridades.

Em relação ao cartão de crédito, deixá-lo em casa neste momento pode facilitar o trabalho de resistir àquelas compras por impulso. Mas só isso não basta: opte sempre por planejar e conhecer seus limites pessoais – falo dos limites que sua renda proporciona, não aqueles que o banco te oferece.

Estamos vivendo uma crise econômica que tem relação direta com a perda de credibilidade e confiança no governo. Nós, enquanto consumidores, precisamos agir com bom senso, comprando aquilo que é realmente importante e, se necessário, postergando a realização de alguns sonhos.

O momento, com juros altos, proíbe financiamentos longos e de valores elevados; o momento, portanto, é de prudência! Concorda? Obrigado e até a próxima!

Foto “Paying bills”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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