Há alguns dias um amigo me abordou na rua, e conversando sobre dinheiro e investimentos, ele me perguntou o que era um COE (Certificado de Operações Estruturadas).

Uma boa pergunta, já que este é um tipo de investimento relativamente jovem no Brasil. Ele começou a ser negociado no início de 2014.

Se a bolsa de valores, que existe há décadas em nosso país, conta com uma participação de menos de 0,5% das pessoas economicamente ativas, imagine os COE, que nasceram aqui há pouco mais de 2 anos.

Inclusive estes dados são interessantes, e mostram como a educação financeira é algo extremamente negligenciado em nossa cultura. Isso também explica muito sobre a pobreza de nossa nação. Mas este é outro assunto.

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Voltemos ao COE. Ao tentar explicar ao meu amigo em poucas palavras o que era COE, me dei conta de que ainda não tínhamos escrito nada sobre isso no Dinheirama.

Foi então que corri para resolver essa questão. Escrevi este texto, que é básico, mas que já será capaz de dar uma ideia para você sobre o tema.

Outro motivo importante de começarmos a entender esse assunto, é que os COE são emitidos pelos bancos. Sendo assim, será bem provável que eles se popularizem com mais facilidade.

Afinal, os gerentes de banco costumam são comissionados ao venderem esse tipo de investimento (nada como um bom estímulo no bolso para fomentar um mercado).

Definindo o COE

Talvez você já tenha ouvido falar em operações estruturadas na bolsa de valores. Eu já gravei um vídeo básico sobre isso (clique aqui para assistir), dando um exemplo.

Nas operações estruturadas, existe uma combinação entre um ativo principal (ações de empresas, por exemplo) com instrumentos derivativos (como as opções de ações de empresas).

Essas combinações, quando utilizadas de forma estratégica, criam maneiras de investirmos em ativos de risco (como as ações), buscando maiores rentabilidades, mas contando com proteção.

Só que essa proteção tem um custo (como acontece no seguro de um carro, por exemplo). Ainda assim, a operação abre possibilidades de lucros muito interessantes, quando comparados com investimentos mais conservadores, como os títulos públicos.

O problema é que montar uma operação estruturada não é algo simples. Requer bastante estudo e prática, o que normalmente é difícil de conseguirmos quando temos outras responsabilidades de trabalho a cumprir em nossa rotina.

É neste cenário que surgem os COE, como um tipo de “solução pronta”, que oferece uma variedade de estratégias (com maior ou menor risco). Eles podem ser montados com diferentes tipos de ativos, como ações na bolsa, commodities, moedas estrangeiras, etc.

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Entendendo um pouco mais

Se você compra uma ação na bolsa de valores, essa ação pode subir ou cair, e junto com ela, o seu dinheiro. É o risco da renda variável.

Agora imagine você colocando um limite para esta queda. O cenário fica mais interessante e previsível, uma vez que você sabe que não irá perder mais do que aquele limite.

Só que para colocarmos esse limite, existe um custo, pois isso é feito através da compra de um derivativo (que custa dinheiro).

Então, para amenizar este custo, é necessário colocar também um limite de ganho, que é feito através da venda de um derivativo (que gera dinheiro e compensa a compra do derivativo para proteção).

Aqui que entra a parte que não vamos explicar agora (este é um texto básico). Essas operações que envolvem derivativos são complexas, mas funcionam muito bem.

Por hora, basta você saber que é dessa forma que conseguimos controlar os riscos e rentabilidade na renda variável. Vejamos isso na prática.

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Um exemplo de COE com ações da Vale

Vamos supor que você tenha comprado COE, com capital protegido, e vinculado às ações da empresa Vale do Rio Doce. O vencimento é para daqui a 6 meses (sim, os COE tem prazo de aplicação), e este COE foi estruturado contando com a alta das ações da Vale (estratégia).

No dia que você os comprou, as ações da Vale custavam R$ 14,00 cada. Como é um COE com proteção, você sabe que se as ações da Vale caírem, você não ganha nada (mas também não perde).

Para “pagar” essa proteção, este COE estabelece que a sua maior rentabilidade será quando Vale atingir R$ 18,00. Agora você tem certeza que o lucro máximo deste COE está vinculado ao preço da ação em R$ 18,00.

Seja lá o que for que aconteça com as ações de Vale, você está protegido dentro destes limites. No pior caso, você não ganha nada, se Vale ficar igual ou abaixo de R$ 14,00 no vencimento do COE.

No melhor caso, você ganha os R$ 4,00 se Vale ficar igual ou acima de R$ 18,00. Se o preço ficar entre estes limites, você terá algum lucro.

Esse lucro máximo, que no exemplo ocorre se Vale alcançar os R$ 18,00, já é um lucro superior ao que estamos acostumados na renda fixa.

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Por isso essas operações são chamadas de estruturadas. Elas são montadas com parâmetros que tornam o investimento conhecido, em termos de riscos e rentabilidade.

Quem compra apenas ações na bolsa de valores diretamente, sem nenhuma outra proteção vinculada, pode lucrar muito (não há limites), mas pode perder tudo, se a empresa quebrar.

Um COE diferente para cada perfil de investidor

Importante mencionar que este exemplo dado, que foi fictício, reflete apenas um tipo de COE. Existem diversos tipos, com variação tanto dos ativos vinculados, como do grau de proteção.

Há COE sem nenhuma proteção, onde você poderá perder todo o capital investido. No entanto, também poderá obter lucros formidáveis! Tudo vai depender do seu perfil de investidor, que define qual é o seu “apetite” ao risco.

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Riscos envolvidos na compra de COE

Você precisa saber que ao investir em COE você não conta com a proteção do fundo garantidor de crédito, caso a instituição emissora (bancos) venha a quebrar.

Assim, ao decidir por este tipo de investimento, procure fazê-lo sempre com instituições mais sólidas, como os grandes bancos.

Como existem muitos tipos diferentes de COE, é necessário você compreender bem qual é a estratégia utilizada e qual o grau de proteção do capital investido, bem como as chances de rentabilidade.

Como é um produto que normalmente gera comissões para os gerentes de banco, há o risco deles “empurrarem” para você um COE que seja mais interessante para eles. Portanto você precisa estar seguro do que está fazendo.

Informe-se. O conhecimento é a sua melhor arma, principalmente quando o assunto é dinheiro.

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Conclusão

Há muito mais o que se falar sobre este assunto, mas como um texto básico de abertura, já temos o suficiente para não tornar a leitura cansativa. Voltaremos a abordar este assunto.

Por hora, entenda o COE como uma maneira mais simples de você investir em produtos financeiros sofisticados, e com possibilidades de obter rentabilidades acima da renda fixa, com um bom controle de riscos. Um grande abraço e até a próxima!

Giovanni Coutinho
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