Comércio de olho na desaceleração da economiaJoão comenta: “Navarro, é muito comum lermos por ai que o momento de inflação que estamos enfrentando faz com que as pessoas reduzam o consumo. Como comerciante, fico preocupado com a crise mundial e seus reflexos no Brasil. Há algo que possa fazer para manter os clientes consumindo? De que maneira posso contornar essa situação e não perder vendas? Obrigado.”

É fato que o Brasil vive um momento delicado na economia[bb], mas é preciso encarar a situação com mais calma e apoiar-se nos fatos divulgados pelos indicadores de consumo, produção industrial e vendas. Balanços de empresas ligadas ao varejo mostram, claramente, que tais temores não afastaram os consumidores das lojas. Pelo menos por enquanto.

Um exemplo
A BR Malls, controladora de 34 shoppings centers, anunciou que os lojistas instalados em seus empreendimentos faturaram 11% mais nos primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. Estes dados comprovam que a evolução da dinâmica econômica brasileira tem criado facilidades para os consumidores, ainda que os preços dos itens básicos estejam mais altos.

Duas outras notícias, já amplamente comentadas e debatidas no Dinheirama, também são importantes para tranqüilizar aqueles que trabalham com vendas no varejo:

1. Segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a classe média já é maioria no Brasil (51,89%). Em seu artigo, Ricardo disse o seguinte sobre esta mudança:

“O que se extrai de concreto do resultado da pesquisa é a melhora consistente na distribuição de renda no país, resultado do crescimento econômico. As mudanças são reflexo do surgimento de inúmeras vagas de trabalho, além do próprio esforço particular das pessoas em buscar melhor qualificação e, assim, garantir acesso a melhores oportunidades.”

2. Se considerado o primeiro semestre de 2008, nota-se uma queda no número de empresas que saíram do mercado. O Indicador Serasa de Falências e Recuperações, publicado pelo Serasa, registrou uma queda de 37,8% na quantidade de falências decretadas na comparação com o mesmo período do ano passado. Os pedidos de falência seguiram a tendência de baixa e diminuíram de 1729, em 2007, para 1353 este ano. Queda de 21,7%.

Apesar da crise internacional e da alta generalizada dos preços, a economia brasileira[bb] segue aquecida. Alguns especialistas crêem que o movimento de correção demore um pouco mais a chegar, mas concordam que o poder de compra não será tão fortemente afetado, já que há uma importante reversão inflacionária à vista. Ufa.

Ainda que as previsões sejam boas, a preocupação com a desaceleração da economia existe e pode afetar o comércio. Algumas importantes ações devem manter aquecidas as vendas do varejo. São elas:

1. Liquidações: O grande aquecimento da economia demonstrado no final de 2007 implicou em maior dimensionamento da produção e aumento dos estoques (tanto de matéria-prima, quanto de produtos acabados). As promoções e as campanhas de desconto levam os consumidores às compras e mantém as lojas em movimento. Liquidar não significa vender abaixo do custo, mas trabalhar melhor as margens e estoques;

2. Propaganda: Aliado importante das vendas de produtos direcionados para públicos específicos, a propaganda tem o poder de transformar os desejos do consumidor. Por exemplo, itens de consumo específicos devem trazer tratamento diferenciado: contatos mais freqüentes com o cliente, diferenciais no atendimento quando o cliente entra na loja e facilidades de aquisição podem manter as vendas aquecidas;

3. Crédito: Identificada a possível redução do fluxo de dinheiro[bb], acarretada principalmente pela alta dos juros e pelo movimento da economia, as empresas e comerciantes devem criar suas alternativas próprias de pagamento, com objetivo único de facilitar a aquisição do produto, mas sem prejudicar o fluxo de caixa de quem compra. Criar facilidades para vender sempre.

De forma geral, o momento ainda não é tão ruim. O brasileiro ainda está surfando nas ondas do crédito e aproveita a oportunidade ímpar de aumentar um pouco seu padrão de vida. A inflação dos alimentos certamente levou aos lares uma revisão das prioridades, mas ainda não alterou o desejo de consumir modernidade e uma vida nova. Sempre com responsabilidade.

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Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro
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