Como age Warren Buffett diante da crise? E você?Por mais que tentemos não cair no mesmo assunto, a crise continua pautando a maior parte do noticiário financeiro e econômico no mundo todo. Aqui no Dinheirama, a repercussão continua também muito grande. Inúmeros contatos através de e-mails nos “obrigam” a continuar com o tema, o que nos deixa feliz por saber que o interesse pela área mexe com as pessoas preocupadas com seu futuro financeiro[bb]. Ponto para todos nós. Hoje a abordagem será mais simples e a leitura, mais agradável.

O sobe e desce no mercado continua indicando a falta de critérios sólidos nas tomadas de decisões.
Se ontem a incerteza e o mau humor do mercado levaram a Bovespa a perdas de -7,34%, hoje talvez o pânico não se confirme com tanta intensidade. Além dos indícios econômicos e financeiros, para a análise destes números devemos levar em consideração também um pouco (muito?) de psicologia. De lá saem ótimas explicações sobre o porquê do efeito manada, da emoção e do medo acima da razão.

A verdade é que psicologia é um assunto complexo, cujos desdobramentos não dominamos. Assim, que tal nos apoiarmos em um grande exemplo de reação diante da crise? Vamos falar um pouco sobre a forma sensata e inteligente de gestão adotada pelo megainvestidor Warren Buffett?

Como muitos sabem, Buffett é discípulo de Benjamin Graham, de quem aprendeu e aprimorou a técnica de investimento em valor[bb], cujo princípio básico é: aproveitar oportunidades em que ações de boas empresas se mostrem a preços baixos, mas com grande potencial de valorização e resultados futuros. Traduzindo: comprar bem agora para vender muito melhor lá na frente.

Agindo dessa forma, Buffett escapou de um grande tombo com o estouro da bolha das empresas de internet no fim do ano 2000. Sua análise tipicamente fundamentalista, feita a seus modos (ele nunca deu muita atenção aos analistas), levou-o a acreditar que as empresas não conseguiriam se manter lucrativas no longo prazo.

“No curto prazo, o mercado funciona como uma banca de apostas. No longo prazo, tende a ser ponderado” (Warren Buffett)

Seu senso de oportunidade esteve presente também em outros momentos. Durante a crise financeira do fim dos anos 80, Buffett comprou o Banco Wells Fargo pela metade de seu valor de mercado, procedimento considerado, até hoje, um de seus maiores investimentos.

Ao contrário do que possa transparecer por se tratar do maior investidor do planeta, Warren Buffett[bb] é totalmente avesso ao risco. Isso explica sua análise de investimentos sempre focada no longo prazo. Seus resultados comprovam que em prazos estendidos os riscos ficam menores e que a probabilidade de sucesso é muito maior, desde que as empresas tenham bons fundamentos e sejam bem geridas.

“Seja audacioso quando os outros estão com medo e tenha medo quando os outros estão audaciosos” (Warren Buffett)

Os outros artigos da semana deixam clara a nossa opinião sobre a magnitude e seriedade dessa crise. Também acreditamos que o pacote de salvação não será suficiente. Por um bom tempo, a instabilidade surgirá e se manterá à mercê de novos dados, positivos ou negativos, da economia real. Índices de desemprego, de confiança do consumidor e da compra de imóveis serão interpretados e terão seus reflexos no mercado.

Mesmo diante de cenários tão confusos, clichês não podem ser esquecidos: o mundo não vai parar! Justamente por isso, é preciso tomar fôlego e continuar aproveitando boas oportunidades. A frase que você tanto ouviu aqui, “fique do lado dos vencedores”, pode ser adaptada para uma pergunta: “o que os vencedores estão fazendo nesse momento?”

Tudo bem, você quer saber o que Buffett está fazendo…
Até agora, ele injetou 5 bilhões de dólares para a compra de ações da Goldman Sachs (pagando pelos papéis cerca da metade do valor que eles tinham há um ano) e investiu ainda outros 5 bilhões de dólares na compra da empresa de energia Constellation (pagando pelo negócio cerca de um quarto de seu valor ao final de 2007).

Financiou, com 6,5 bilhões de dólares, a empresa Mars para aquisição de parte de sua concorrente no ramo de doces, a Wrigley. Quer mais? Ontem surgiu importante notícia que diz que Buffett comprará US$ 3 bilhões em ações preferenciais da General Eletric, a famosa GE.

Se você acredita que boas oportunidades surgem apenas para quem é bilionário, deve considerar o exemplo de Buffett uma quimera. Pode até ser. Para momentos de descrença, vale a história: ele ganhou os primeiros centavos de sua vida vendendo caixas de chiclete, tirando de cada embalagem um lucro de 2 centavos. Lá eram centavos, agora são bilhões. Mágica? Fica a reflexão. Bom final de semana.

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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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