Recentemente, a SerasaConsumidor, o IBOPE Inteligência e o Instituto Paulo Montenegro apresentaram os resultados sobre o IndEF 2014 – Índice de Educação Financeira.

O índice, que foi desenvolvido em 2012, teve sua primeira divulgação no ano passado. O IndEF leva em consideração três dimensões relativas às finanças, que são classificadas numa escala de 0 a 10 e têm pesos diferentes na composição do índice total:

  • Atitude (24%);
  • Conhecimento (26%);
  • Comportamento (50%).

De acordo com os responsáveis, “o subíndice Conhecimento avalia o entendimento de conceitos financeiros, o Atitude avalia como o entrevistado enxerga a sua relação com o dinheiro e, por fim, o Comportamento mede as ações do entrevistado no seu dia a dia”.

Como anda o comportamento dos brasileiros em relação ao dinheiro?

Os resultados, que podem ser acessados na página do IndEF (clique aqui), revelam que indivíduos com um índice maior de Conhecimento não necessariamente apresentam índices melhores de Comportamento.

Essa conclusão reforça uma das premissas básicas da Psicologia Econômica, de que informação não basta para que as pessoas tomem melhores decisões financeiras para suas vidas. Não é a informação e conhecimento em si, e nem o acesso a produtos e questões financeiras, que levam a um comportamento mais adequado.

O comportamento, ou seja, aquilo que as pessoas efetivamente fazem (ou deixam de fazer) é a parte visível do processo interno de tomada de decisão. A informação é um ingrediente neste processo, e como tal não tem o poder de alterar o processo. Se o processo estiver inadequado, nem a melhor das informações poderá melhorá-lo.

Já publiquei, aqui mesmo no Dinheirama, uma série de artigos em que falo do papel da informação na tomada decisões. Clique, leia e entenderá melhor minha opinião sobre isso.

Como anda a educação financeira dos brasileiros?

Ainda de acordo com os dados do IndEF, 60% da população, independentemente do nível de escolaridade, sexo, idade e renda, apresenta níveis de educação financeira total que variam entre 5,1 e 7.

Já em relação ao subíndice Comportamento, os níveis variam de 4,8 a 6,1, sendo que na maioria dos recortes apresentados (faixa etária, renda, sexo e escolaridade) grande parte dos indivíduos apresenta níveis de Comportamento em torno de 5,0.

Isto faz pensar sobre o tipo de educação financeira que precisamos. As iniciativas para promover modificação de comportamento precisam levar em conta o que os dados revelam. É preciso repensar o papel e o peso da informação.

Isto vale também para o consumidor de educação financeira, já que o nível de conhecimento parece não ser capaz de alterar o comportamento financeiro.

Para este consumidor, um outro alerta: costumamos imaginar que ter uma renda maior e mais acesso à educação formal são aspectos capazes de nos levar a uma vida financeira mais saudável. Não é bem isso que os dados revelam:

ClasseAtitudeConhecimentoComportamentoIndEF
A/B6,48,05,16,2
C6,27,45,16,0
D/E6,46,65,05,7

Conclusão

Quando se fala em educação financeira seria muito bom que questões como tentação, urgência, impulso, espera, prematuridade e adiamento fossem incluídas. É nesse tipo de educação financeira que eu acredito. E você, já parou para pensar no tipo de educação financeira que você quer?

Foto “Accounting”, Shutterstock.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos
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