Um índice de endividamento de mais de 60% das famílias, um comprometimento de renda da ordem de 30% (Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da CNC – Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo), inflação e alta dos juros constituem um cenário onde muitas famílias começam a enfrentar desequilíbrios sérios em suas finanças.

Mas e os filhos? Até que ponto os pais devem envolvê-los nessa questão? Os pais devem poupar seus filhos e tentar esconder a situação? De que forma os pais devem abordar o problema?

Quando se trata de dificuldades financeiras, muitos pais não sabem exatamente como proceder. E é sobre isso que vamos falar hoje, através de dicas simples que podem facilitar a comunicação e o processo de reestruturação financeira da família.

1. Sobre a decisão de envolver ou não os filhos nesta questão

Se a dificuldade é uma coisa passageira e não exigirá um esforço sensível da família para se recuperar, ou seja, situações em que os pais conseguem contornar sem ter de afetar a vida dos filhos e as suas próprias de maneira muito profunda, vale a pena “economizar” os filhos dessa preocupação.

Entretanto, se a coisa estiver muito complicada é recomendável que os filhos saibam que algumas coisas vão mudar por algum tempo.

Nesse caso, o menos é mais, principalmente com crianças e pré-adolescentes. Explicar o que aconteceu, o que será modificado e por quanto tempo já é o suficiente. Isso passa segurança para os filhos e os fazem sentir que são parte da solução de uma dificuldade temporária.

Leitura sugerida: Como anda o comportamento econômico dos seus filhos?

2. De que forma os pais devem abordar o assunto

Falar sobre a questão da forma mais simples, honesta e direta possível é sempre a melhor opção. Deixar muito claro que são os pais que estão no controle da situação e que a participação dos filhos é de colaboração também é fundamental.

É muito importante que os filhos não se sintam responsabilizados pela dificuldade ou pela solução. Eles devem se sentir parte da solução.

Os pais precisam passar segurança neste momento e a melhor forma é dizer que estão com um problema e que já estão tomando as devidas providências, mas que precisarão da colaboração dos filhos para atravessar esse momento. E que assim que as coisas forem se resolvendo, a rotina da família vai voltando ao normal aos poucos.

E não devemos nos esquecer de comunicar os avanços e de agradecer o esforço deles ao longo e ao final do processo de reestruturação financeira.

Leitura sugerida: 5 razões para praticar a educação financeira com os filhos

3. Como agir quando a mesada precisa ser reduzida ou até suspensa

Se os pais chegaram à conclusão de que vão ter que reduzir ou até mesmo suspender a mesada, isso tem de ser explicado. E vou repetir: da forma mais direta, simples e honesta possível.

Aliás, essa possibilidade deve ser mencionada quando começamos a dar mesada para os filhos. Eles precisam saber que aquela quantia é uma fatia do rendimento dos pais, como uma fatia de bolo. Bolo menor, fatia menor.

É natural que os filhos se sintam um tanto perdidos com uma redução na mesada. Portanto, os pais devem ajudar, orientar e até impor determinadas ações, sempre deixando claro que a situação é temporária e se todos contribuírem, mais rápido as coisas voltarão ao normal.

Leitura sugerida: Falar “Não” para seus filhos incomoda você?

4. A necessidade de manter um ambiente emocionalmente estável

Todos os membros da família devem estar muito atentos ao velho ditado: “Casa em que falta o pão, todo mundo grita e ninguém tem razão”.

Quando temos problemas financeiros, é natural que a nossa mente fique sobrecarregada com preocupações e em arrumar formas de sair dessa situação. E o sistema mental que utilizamos para dar conta dessas questões é também o responsável pelo nosso autocontrole, atenção e concentração.

Portanto, se direcionamos a energia desse sistema para resolver as questões financeiras, sobra menos energia para as questões que envolvem autocontrole, e daí podemos ficar mais irritadiços, impacientes e até mal-educados.

A boa notícia é que podemos recarregar a energia desse sistema fazendo coisas de que gostamos, aquelas coisas que nos fazem “esquecer da vida”. Então, mesmo em meio a uma situação de adversidade, é recomendável encontrar um espaço para fazer coisas que nos fazem bem, porque isso vai nos ajudar a alimentar o sistema mental que utilizamos para resolver o problema.

Momentos de adversidade como estes, quando bem administrados na medida do possível, podem se transformar em grandes aprendizados para todos e contribuir para a união e fortalecimento dos laços familiares.

Se você está passando ou já passou por um momento assim, compartilhe conosco suas experiências. Um abraço e até a próxima.

Foto “Family drawing money”, Shutterstock.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários