Thales comenta: “Navarro, diante de uma perspectiva econômica ruim, como ficam as pessoas que são empregadas (meu caso) e recebem salário? Quero dizer, como nós devemos agir para evitar que problemas financeiros atinjam nossas famílias em um ano com tantos desafios? Obrigado”.

Anos difíceis exigem mais atenção e paciência, e é claro que você já sabe disso. O grande “lance” de 2015 é que teremos que nos equilibrar entre produtos mais caros (inflação longe do centro da meta e dólar encarecendo importados), mais impostos e dificuldades no mercado de trabalho. Nossos problemas econômicos já estão bem perto de nós.

Não pense que estou aqui fazendo vodu com um boneco representando o cidadão brasileiro. Não se trata de prever ou desejar um ano ruim, mas apenas de observar os acontecimentos e interpretar os sinais dados pela economia nos últimos anos. A própria Dilma já disse que 2015 será um ano de “ajuste”, e quando se tira as aspas de “ajuste” o que se lê é sacrifício.

Como não sucumbir aos problemas econômicos em 2015

Tenho recebido muitas mensagens de pessoas preocupadas com seus empregos e com uma possível onda de demissões. O desemprego parece só ter um caminho a partir de agora: para o alto (até porque ele está em um patamar historicamente muito baixo).

E ai, como encarar esses problemas econômicos de maneira inteligente? Decidi opinar sobre tudo isso mantendo sempre a ótica do cidadão comum. Confira o que acho importante você fazer neste ano:

1. Pense (muitas vezes) antes de abandonar seu emprego

As notícias mais comentadas do momento vão de anúncios de elevação nos impostos, mais tributos em determinados produtos (importados e cosméticos, por exemplo) e elevação de tarifas (luz e transporte) a cortes e demissões na indústria e desaceleração do consumo por conta do endividamento.

A situação não é das melhores, e também não é nova. Assim, é muito importante que você tenha calma, muita calma ao analisar sua situação profissional em 2015. Talvez você já esteja pronto para abandonar o atual emprego e empreender. Talvez não. O fato é que tomar uma decisão como essa requer muito cuidado diante de um cenário de baixo crescimento e elevação de preços, tarifas e impostos.

Sim, eu sei que os anos de crise são ótimos para garimpar e aproveitar oportunidades, mas só é capaz de fazer isso quem se preparou nos anos de bonança. Os aventureiros costumam sair dos anos de crise bastante “machucados”, acredite! É hora de pensar e avaliar os cenários possíveis e investir na manutenção de sua atual fonte de renda.

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2. Dê mais atenção aos detalhes

Seu orçamento familiar é composto de diversos gastos, alguns deles bastante óbvios e perceptíveis (o que costumamos chamar de “despesas fixas”, que você sabe que virão todo mês e consegue estimar), mas outros geralmente espalhados ao longo do mês em diferentes categorias (são as “despesas variáveis”, e você não faz ideia do quanto gasta com elas).

Neste ano, é bom começar a prestar mais atenção nos pequenos gastos, nas despesas fora de hora e, principalmente, na tentação de comprar tudo em diversas parcelas. Cuidado com a preguiça na hora de registrar os gastos – no seu controle financeiro não pode existir uma categoria “Diversos” (ou “Outros”, como também é comum).

Um bom começo é estipular limites diários de gastos baseados no histórico de seu orçamento. Se você ainda não tem nada registrado, então é hora de anotar suas receitas e despesas para poder controlar os exageros nos pequenos gastos. E na hora de sair para comprar, prefira pagar à vista.

Prestar mais atenção aos detalhes não significa que você deixará de tomar seu cafezinho ou de sair com a família. Não se trata de limitar o que traz qualidade de vida, mas equilibrar estas importantes ações com a necessidade de ser mais diligente com as finanças. Pode ser que a frequência esteja exagerada. Pode ser que a conta do jantar seja sempre alta demais. Atenção aos detalhes.

3. Use melhor seu tempo livre

Se você costuma chegar do trabalho e simplesmente se jogar no sofá para assistir televisão, tenho uma má notícia: isso não é muito útil para o seu crescimento pessoal e muito menos para o seu bolso. Parece bronca de mãe e de gente chata, mas a verdade é que você já sabe disso e concorda.

Usar o tempo livre com maestria é uma das principais atitudes das pessoas bem-sucedidas. Elas aproveitam as brechas no trabalho para melhorar seu networking, usam os momentos livres para uma leitura mais aprofundada, além de criar alternativas de renda capazes de melhorar o padrão de vida da família e ter mais tempo de qualidade ao lado de quem amam.

Vai ver você precisa melhorar seu inglês ou até mesmo conhecer novas pessoas capazes de oferecer novas oportunidades profissionais. De repente você quer obter uma certificação importante na sua área de atuação. A hora de fazer isso é no seu tempo livre, percebe?

E se você é do tipo workaholic, com hábitos de trabalho malucos e estressantes, usar melhor seu tempo livre talvez signifique simplesmente conseguir dar um beijo de “bom dia” e “boa noite” em sua família e não vê-los apenas dormindo ou reclamando de você nos fins de semana. Tempo livre: use-o com sabedoria.

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Conclusão

Somos muito responsáveis pelas consequências familiares em anos de crise. Leia de novo: somos responsáveis! Nossas decisões enquanto as coisas vão bem podem fazer muita diferença quando o cenário muda. Este ano vai exigir de você mais disciplina, cuidado e paciência no trato com as finanças.

O que você deve fazer é bem simples: respirar fundo e manter a calma! Não abandone o emprego sem um planejamento muito bem feito; olhe com mais carinho para suas despesas variáveis; e dê mais valor ao seu tempo livre. As consequências serão paz e harmonia no lar para atravessar um ano possivelmente turbulento.

Se você tem outras sugestões para enfrentar um eventual cenário complicado neste ano, registre sua opinião no espaço de comentários abaixo ou mande-me uma mensagem no Twitter – sou o @Navarro por lá. Abraço e até a próxima.

Foto “Protecting money”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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