Thiago comenta: “Navarro, acompanho seus artigos e uma das coisas que percebi é que quanto mais eu aprendo sobre investimentos e finanças pessoais, melhor tende a ser meu relacionamento com o gerente do banco. A transparência e o mesmo nível de informações facilitam esse contato. Queria compartilhar essa dica com mais leitores. Obrigado”.

A relação entre clientes e bancos é motivo de polêmica há muito tempo. Eu sempre defendi que há uma relação clara entre fornecedor (banco) e cliente (correntista) que precisa ser mais valorizada sob o aspecto humano, especialmente em um momento em que as agências tendem a perder terreno para a Internet.

A palavra “relacionamento” sempre foi muito usada pelas instituições financeiras para defender seu modo de atender seus clientes. A verdade é que, na maioria dos casos, não existe relacionamento algum, mas um jogo de empurra e uma escancarada relação comercial.

Como se relacionar melhor com seu gerente bancário

O nível de conhecimento financeiro que carregamos ao sentar diante de um gerente tem o poder de transformar a conversa e a contratação de serviços/produtos naquela instituição. O grau de sinceridade também. Eu já até escrevi sobre o verdadeiro papel do gerente bancário (clique para ler).

Decidi que seria legal listar quatro constatações importantes sobre os gerentes e nosso interesse em ter uma boa relação com eles. Confira:

1. O gerente é um profissional de vendas, não de relacionamento

Apesar de parecer o contrário, as mesas de atendimento dos bancos são locais destinados a vender soluções, serviços e produtos financeiros, não um espaço para lamentações ou reclamações. Como todo relacionamento requer tempo para ouvir e resolver queixas, eles precisam exercer esse papel, mas não é para isso que são contratados.

O que quero dizer com isso é simples: todo profissional de uma instituição financeira precisa atingir metas de diversos tipos, inclusive de vendas. Logo, ao mesmo tempo em que ele deve garantir melhores níveis de satisfação, também é sua função aumentar o número de clientes e elevar o faturamento (e a lucratividade) da agência.

Entender esse papel torna as coisas mais claras e o diálogo mais franco. Deixar claro para o gerente que sabemos de suas atribuições permite que ele evite o impulso de oferecer algum produto em uma hora inapropriada, preocupando-se mais lealmente com nossa real necessidade.

Meu amigo Daniel Meinberg escreveu um texto interessante falando sobre os gerentes e nós – porque gerente não é nosso amigo (clique e leia o artigo).

2. Quanto mais você souber, melhor será a conversa com o gerente

Experimente conversar com alguém sobre um assunto que você não domina. É provável que você fique opinando e “disparando” suas verdades e seja sempre desnudado por fatos e argumentos mais fortes. Eu não ousaria discutir física quântica com um pesquisador da área.

Felizmente, finanças pessoais não são como a física quântica. Melhor ainda, educação financeira tampouco é matemática, disciplina que costuma ser impopular por aqui. Lidar com dinheiro é um problema essencialmente humano, ligado a nossas prioridades, interesse e hábitos cotidianos.

Você não precisa aprender economia e matemática financeira para conversar com o gerente, mas deve entender o básico sobre as alternativas de investimento disponíveis, regras de portabilidade de crédito, alternativas bancárias para diminuir tarifas e outras coisas simples.

Principais vantagens de estar mais bem informado e interessado nas coisas que mexem com seu bolso:

  • Você e o gerente poderão traçar um planejamento mais fiel ao que você precisa e conhece;
  • As respostas do gerente não soarão como física quântica em seus ouvidos, o que evitará que você sinta-se pressionado pela ignorância financeira;
  • Você terá argumentos e perguntas a fazer, não apenas comentários sem sentido (que costumam ser seguidos de um “Sim” para tudo o que o gerente oferece).

Você sabia que existem algumas coisas que os bancos não costumam contar a seus clientes? Nós já listamos esses itens aqui no Dinheirama (clique e saiba quais são).

3. Gerentes também precisam de clientes bem-informados

A quantidade de reclamações associadas aos bancos é sempre muito elevada, disputa travada sempre de perto com as operadoras de telefonia móvel. Penso que se o consumidor fosse mais atento aos seus direitos e ao que assina ou contrata, a realidade talvez fosse um pouco diferente.

A ignorância financeira permite, sim, que gerentes bancários mal intencionados (a minoria, felizmente) “empurrem” produtos e serviços em desacordo com a real necessidade dos clientes, muitas vezes elevando o seu grau de endividamento ou mesmo prejudicando sua capacidade de pagamento de outros itens do orçamento.

A boa notícia é que também existem gerentes bancários sedentos por clientes inteligentes, capazes de conversar de igual para igual e debater as opções de investimento e planejamento com interesse. Gerentes também têm metas e produtos para este grupo diferenciado, portanto é imperativo que busquemos essa realidade de forma diligente e disciplinada.

Para ficar mais claro, sugiro que leia uma série de artigos já publicados aqui que tratam do papel da informação na tomada de decisões (clique e acesse).

4. Você toma as decisões, não o gerente

Quando você se senta à mesa do gerente e sai de lá com algo diferente no bolso (ou na conta corrente), é porque você quis. Você decidiu assim, independentemente do tamanho da pressão, dos argumentos ou da história que o gerente lhe contou. Quem assinou, aceitou e é o responsável é você.

Assim, é importante não se deixar impressionar pelas circunstâncias e ambiente bancário. Gente bem vestida, ambiente com muitos seguranças e móveis geralmente modernos são parte da estratégia para convencê-lo de que eles sabem melhor do que você o que fazer com o seu dinheiro.

Eles podem até saber, mas não deveriam (lembre-se do item 2). Não importa. O que interessa é que você é quem toma qualquer decisão relacionada ao seu dinheiro, seja porque entendeu que vale a pena ou porque sentiu-se pressionado. Exercite essa realidade de tomador de decisões e aprenda a questionar mais, até entender o que está fazendo.

Sugiro também a leitura de um excelente texto do Prof. Elisson de Andrade que fala sobre como podemos melhorar nossa tomada de decisões financeiras (clique e leia).

Conclusão

Gerentes bancários são profissionais importantes, cujas responsabilidades são bastante grandes em nosso país. A cultura de relacionar-se com o banco ainda existe e é forte, mas precisa de mais equilíbrio. O aspecto a ser desenvolvido tem a ver com o interesse do consumidor em aprender e questionar mais.

Que fique claro que não sou contra os bancos e seus profissionais. Não se trata de buscar culpados dentro destas instituições, mas de trazer à tona a responsabilidade que nós, como clientes, temos no relacionamento com estas pessoas e empresas. Precisamos ser mais cidadãos e não apenas clientes.

Você tem alguma experiência que comprove como podemos exercer influência no relacionamento com gerentes bancários? Compartilhe-a conosco usando o espaço de comentários abaixo. Obrigado e até a próxima.

Foto “Modern office”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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