As economias estão em ponto crucial de inflexão.

A semana em curso (de 17 a 21 de junho), embute decisões de bancos centrais sobre política monetária em diferentes países, e com diferentes momentos em suas economias.

O FED (Banco Central Americano) andou na frente elevando juros e reduzindo o tamanho de seu balanço. O que suscitou em muitos momentos críticas explicitas do presidente Donald Trump de que as taxas de juros estavam muito elevadas.

Trump disse ainda que a economia americana poderia estar girando com expansão do PIB de mais de 4%. Outros bancos centrais sinalizam preocupação com a desaceleração econômica global e suas economias.

Nessa semana, o presidente do BCE (BC Europeu) Mario Draghi, por ocasião de seu Fórum Anual, inicialmente não falou de política monetária. Mas em 18 de junho, deu declarações enfáticas sobre mais estímulos para a economia da região, caso não haja melhora. Disse textualmente que cortes de juros fazem parte do ferramental disponível, que taxas de depósito negativas foi e é ferramenta importante e que há espaço considerável para novos estímulos e flexibilizações, o que chamamos de “quantitative easing”.

Acrescentamos que na zona do euro temos dois problemas flagrantes principais. Na Itália, a coligação que governo, os partidos Liga Norte e Movimento Cinco estrelas, não estão se entendendo, o que pode suscitar a renúncia do primeiro ministro Giuseppe Conte.

Além de multa pela União Europeia de cerca de quatro bilhões de euros por não conter o endividamento em relação ao PIB. E a Comissão Europeia querendo que o governo italiano reafirme seu compromisso de não ampliar a dívida pública. A Alemanha deve sentir o afastamento de Angela Merkel e sua economia vem desacelerando e deve mostrar encolhimento do PIB no segundo trimestre.

É nesse contexto de desaceleração econômica global, imposição de tarifas pelos EUA e protecionismo comercial que os bancos centrais terão que se movimentar.

Alguns já estão fazendo esse movimento, como os da Austrália, Índia e Rússia que reduziram juros na última semana de 10 a 14 de junho. Teremos ainda reuniões do FED, do BoJ (BC Japonês) e BOE (BC Inglês); além do nosso Copom.

O viés de todos esses bancos centrais é na direção de flexibilizar, muito embora exista a possibilidade de não ser exatamente nessa reunião. Porém, na nossa visão, essa postura mais suave dos Bancos Centrais acontecerá nas próximas reuniões.

Lembramos que não faz muito tempo os economistas trabalhavam com duas ou três altas dos juros americanos em 2019, e agora já se fala em duas quedas. No Brasil, havia unanimidade de manutenção da Selic em 6,50% em 2019, e a última pesquisa Focus do Banco Central do Brasil indicou que no final do ano de 2019 a Selic estará em 5,75%, havendo quem já projete até 5,25%.

Essa mudança de rota nas políticas monetárias de bancos centrais importantes altera o equilíbrio das moedas, com Trump reclamando especificamente do euro e do yuan. Segundo ele, propositadamente desvalorizados, e que reduzem o impacto da tarifação adicional imposta. O PBoC (BC Chinês) já vem estimulando sua economia faz tempo e permitindo que províncias lancem bônus para gastar em infraestrutura. Já reduziu compulsório e adotou outras medidas, mas os efeitos de alavancagem ainda não surtiram efeito.

Essa postura dos bancos centrais mais “Dovish” também ajuda dando tempo para que países e empresas endividadas possam se equacionar, reduzindo uma preocupação antiga nossa, inclusive com relação ao Brasil.

Essa busca pela retomada do crescimento econômico benéfica de commodities e países emergentes exportadores, dá melhor dimensão para os mercados de risco. Muito dinheiro em circulação e com juros baixos, o mercado acionário é bastante beneficiado.

No Brasil, é só torcer para o lado político acalmar. A reforma da Previdência sair pouco desidratada e urgente. A Bovespa voltar a ultrapassar o recorde histórico de pontuação acima de 100.400 pontos. Nesse momento o amanhã parece positivo.

Alvaro Bandeira
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