Compromisso: a importância de fazer o que fazemos!E o mundo (ainda?) não se acabou. Este é o título da coluna do ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, publicada no domingo passado (dia 12/10/2008). Carlos Eduardo Lins da Silva, atual responsável por criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação, usou um título bastante chocante para denotar a importância de seu recado: os cadernos de economia de alguns jornais não tratam o noticiário econômico de forma acessível e humana, abusam do “economês” e se esquecem dos leitores menos intelectuais.

Como alerta inicial, Carlos aponta a pequena quantidade de correspondências e mensagens comentando a crise que foram direcionadas ao Painel do Leitor da Folha. Será que o brasileiro que lê jornal não tem mesmo nenhuma preocupação com a dimensão da crise econômica internacional pela qual passa o mundo? Será que, como suspeita o ombudsman, ainda estamos muito mais interessados no Brasileirão que nos problemas financeiros[bb] da família?

Parece-me que as respostas para ambas as questões passam pelo “sim”, o que nos leva a uma pergunta mais pertinente e muito mais complexa: como influenciar famílias e leitores de forma a criar neles o interesse genuíno pela agenda econômica de seu país e seus desdobramentos em sua vida particular? Ora, aproximando os temas da realidade do brasileiro, usando linguagem acessível e exemplos cotidianos pertinentes. A resposta, embora objetiva, tem seus desafios – que não são poucos.

Vejamos o que disse o ombudsman da Folha na ocasião:

“Pode ser que os apreensivos não escrevam para redações. Talvez a ausência, até agora, de efeitos graves no cotidiano dos brasileiros esteja adiando os sobressaltos. Mas também é possível que o jornal esteja falhando na sua missão de aproximar o noticiário do cidadão comum. A Folha tem dedicado apreciável esforço à cobertura da crise global nestas semanas. Os fatos têm sido registrados de maneira correta e abrangente. Artigos e entrevistas de especialistas têm proporcionado ao leitor análises aprofundadas, comparações históricas relevantes e abordagens originais.

Mas acho que tem faltado tratar dos problemas a partir da perspectiva de quem não é versado em economia nem pela teoria nem pela prática de empresário ou executivo. Tem faltado dar concretude às questões, desde o significado real das cifras astronômicas que diariamente inundam as páginas até explicar como essa confusão vai afetar o dia-a-dia de cada um de nós. Sem abandonar o comentário mais sofisticado, terreno em que está indo bem.” (Carlos Eduardo Lins da SilvaColuna do ombudsman, Folha de S. Paulo, 12/10/2008)

O desafio imposto pelo ombudsman não é trivial. As redações contam com profissionais gabaritados e muito conscientes de seu papel, o que faz da mudança necessária a razão de muita reflexão. Se não é a informação, será a forma usada para apresentá-la? Como sugestões, Carlos aponta a publicação de matérias com personagens reais que já sofreram com a crise e uma maior sensibilidade do jornalista na tentativa de se colocar no lugar da pessoa comum. Jornalista escrevendo como cidadão?

A sociedade pode (pede) mais!
E se a pessoa comum pudesse participar ativamente do debate econômico? E se ela pudesse instigar a conversa de forma a deixar clara sua opinião, suas bases de decisão e as variáveis que mexem com suas escolhas financeiras[bb] cotidianas? Cidadão escrevendo como cidadão? A lacuna entre jornalistas econômicos especializados e cidadão comum não é nova – argumento que influenciou, por exemplo, a criação do Dinheirama.

Como blogueiro, consumidor de notícias e formador de opinião entre meus pares, amigos e familiares, gosto de acreditar que o desafio de transformar o noticiário econômico em tema de interesse passa por três passos fundamentais:

  1. O trabalho de conscientização e transformação realizado por iniciativas como a deste blog e de autores cuja marca registrada é a didática. Antes de aprofundar certos aspectos, é preciso despertar o interesse das pessoas;
  2. Mais diálogo entre economistas, jornalistas e cidadãos. Ou seja, a aproximação de temas complexos através de exemplos de fácil compreensão, além do real interesse em ouvir a população e formular artigos e matérias focadas em suas dúvidas;
  3. Iniciativas conjuntas entre jornalistas especializados, blogs de nicho, comunidade e entidades representativas do governo. Enquanto a distância entre os formadores de opinião for igualmente grande, pouco se poderá agregar sob a ótica da “economia traduzida”.

A discussão vai longe…
Opinar sobre a “grande mídia” é algo que sempre me traz efeitos colaterais – uns bons, outros nem tanto. Neste blog, proponho uma melhor interação entre as excelentes matérias produzidas por especialistas em comunicação e a sociedade. Insisto nisso desde o começo, sempre alertando para a indiferença da população diante de veículos de massa pouco atrativos e(ou) muito técnicos. Carlos, ombudsman da Folha, lembra que o caminho escolhido por este blog tem seu valor.

Como assim? É simples. Para mim, blogs são como colunas de opinião. Escrevo sobre aquilo que julgo interessante, sempre opinando, traçando paralelos e deixando claras minhas intenções. Apresento números, estatísticas e novidades, mas como meios de enriquecer o conteúdo. Minhas pretensões jornalísticas são cristalinas: pretendo comunicar-me bem, o que significa agregar valor ao ponto de vista de meus leitores e multiplicar seu conhecimento. Ponto. O “furo” de reportagem pouco me interessa.

Com a veiculação do artigo de Carlos Eduardo Lins da Silva, a Folha demonstrou seu compromisso com o leitor e o convidou para o debate sobre os rumos de seu caderno de economia. Como assinante que sou, registro, através deste pequeno artigo, minha colaboração. Fico feliz por notar que há interesse em compreender como a leitura e o conhecimento podem ser melhor absorvidos pela população.

Que mais colegas, blogueiros, jornalistas, economistas e interessados pelo tema se aventurem nesta importante missão de transformar dinheiro[bb] em assunto. Dá trabalho, críticas são sempre desferidas e oportunidades costumam surgir. Se vale mesmo a pena? Só vocês, nobres leitores, podem dizer…

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Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro
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