O governo lançou em 09/06 o tão esperado pacote de concessões envolvendo setores de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Nos projetos lançados encontramos muito de surreal e algo exequível. Uma parte dele é reedição dos projetos anteriores lançados em 2012, no valor de R$ 133 bilhões. O projeto atual tem estimativa de investimentos da ordem de R$ 198,4 bilhões.

O governo prevê que rodovias representem R$ 66,1 bilhões, ferrovias com R$ 86,4 bilhões, portos com R$ 37,4 bilhões e aeroportos com R$ 8,5 bilhões. A parte mais exequível fica por conta das concessões aeroportuárias e algumas estradas cujos projetos já estão em curso. O lado surreal encontra ápice na ferrovia rebatizada como “bi oceânica”, antiga transoceânica, que os chineses manifestaram interesse quando da visita ao Brasil, assim como do finado projeto do trem-bala (TAV).

Dos quase R$ 200 bilhões, cerca de R$ 129 bilhões estão programados a partir de 2019, quando já teremos um novo governo. O restante deve ser executado ainda no segundo mandato da presidente Dilma, mas algumas obras sequer possuem qualquer tipo de estudo de viabilidade. Portanto, ainda terão longo curso e vão ter que contar com outros beneplácitos de STF e áreas ambientais, por exemplo.

Convém lembrar que algumas obras do projeto de 2012 não saíram do chão e os investimentos compartilhados em rodovias redundaram em retumbante fracasso, como as duplicações que o governo teria que fazer. Também cabe lembrar que pode haver problemas com a adesão de empresas empreiteiras envolvidas na operação Lava-Jato, algumas já em recuperação judicial e outras que podem sofrer restrições.

Tudo isso agrega muitas dúvidas ao que foi anunciado, mas certamente aconteceu na direção correta de o governo Dilma, com forte rejeição, tentar buscar uma agenda positiva, muito distante do que foi apregoado como verdade nos governos anteriores do PT. Certamente é boa direção, mas vai depender dos passos seguintes, esses sim os mais importantes.

Como o governo agirá com relação às outorgas? O vencedor será aquele que pagar cifras mais elevadas? O governo seguirá buscando as menores tarifas na prestação dos serviços? Permitirá melhores taxas de retornos para as concessões? E o marco regulatório dos setores? Quais as garantias de perpetuidade serão apresentadas aos investidores? Nesse ponto citamos que os últimos governos mexeram desastradamente em segmentos como petróleo e energia e, portanto, trazem muitas dúvidas para investidores e empreendedores.

Tudo vai depender de como serão os editais dos leilões de concessões e de como o capital externo irá reagir. Nelson Barbosa acredita que os efeitos já poderão ser sentidos ainda em 2015, com a taxa de investimento em relação ao PIB passando de 20%. Nós sempre falamos que deveríamos buscar taxas de investimento ao redor de 25% do PIB, mas isso não acontece do dia para a noite.

Por enquanto o passado condena o governo no que tange à execução dos projetos iniciados, aí inclusos o Minha Casa Minha Vida e outros tantos, principalmente os relacionados com infraestrutura e logística. Vamos torcer para que isso também tenha mudado no segundo mandato da presidente Dilma. Que o país possa definitivamente formatar um programa de longo prazo, destinado a fazer crescer a economia, além de melhorar a produtividade e competitividade de nossas empresas.

Enquanto isso não se concretiza e enquanto a credibilidade não aflora, a volatilidade seguirá perseguindo todos os mercados de risco por aqui, demandando cautela por parte do investidor. Nesse aspecto, sugiro acessar o site da Órama para visualizar as melhores aplicações em renda fixa e também em Fundos de Investimento, para seu nível de risco e expectativa de retorno.

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Foto: Construction site, Shutterstock

Alvaro Bandeira
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