Conhecimento e cultura para bons investimentosMuitos, como eu, defendem que existia espaço para uma queda maior na taxa básica de juros – a famosa Selic – nos últimos meses. Entretanto, não há como negar o fato de as quedas foram expressivas e importantes nos últimos encontros do COPOM (Comitê de Política Monetária), especialmente se levarmos em conta o tradicionalismo da equipe econômica nesta questão. O atual ciclo de cortes já foi de 350 pontos base, levando a taxa Selic de 13,75% á 10,25%.

Ao analisar os desdobramentos reais da mudança na economia brasileira, especialmente no mercado financeiro[bb], um fato representado em um matéria do portal InfoMoney me chamou a atenção. “Selic menor, valuation maior: queda no juro melhora avaliação das empresas”, matéria assinada pela jornalista Giulia Santos Camillo, trata justamente da questão entre juro baixo e atratividade das empresas de capital aberto.

A idéia defendida – e já rechaçada por alguns especialistas – parte do pressuposto de que o juro real estará cada vez menor. Juros mais baixos favorecem a economia, diminuem o custo do capital e facilitam novos investimentos, além de diminuir o endividamento. O resultado se dá a partir da do cálculo do DI previsto para janeiro de 2010, projetado em 9,5%, e da meta de inflação para o ano, de 4,5%.

Parece confuso, mas não é.
Observando esse cenário descrito fica cada vez mais evidente aceitar, com a companhia de novos cálculos em índices fundamentalistas e estratégias como o investimento em valor (valuation), que investir no mercado de ações poderá ser uma opção muito mais interessante do que a renda fixa.

Existe um ruído no mercado dando conta que o governo pode reduzir a taxação de impostos da renda fixa, para mantê-la atraente. Mesmo assim, como investimento de rentabilidade mais alta o mercado acionário fica folgado à frente, especialmente no longo prazo. A tendência de popularizar o investimento em ações é parte da “dor do crescimento” em economias desenvolvidas.

Nos países desenvolvidos o investidor[bb] precisa do mercado acionário para elevar seus ganhos, já que os títulos e produtos conservadores pagam “pouco”. É claro que o ideal para o investidor é diversificar os investimentos, regrinha básica que merece destaque. Mesmo com a Selic caindo, nossa rentabilidade risk free ainda é muito mais alta que a de inúmeros países.

Investindo de forma consciente
Se a idéia é formar um capital duradouro com atitudes inteligentes, reserve um bom percentual de seu potencial de investimento para a renda fixa. Ainda que a tentação por rentabilidades maiores o leve a pensar apenas nas ações, vale lembrar que nem todos possuem nervos de aço para acompanhar o sobe e desce da bolsa. Mais, nem todos tem disposição, conhecimento e podem deixar todo o capital aplicado por um prazo mais longo.

Em outros artigos publicados aqui e na internet, em sites e blogs especializados, é comum notar a opinião clássica de que investimentos em ações devem mirar o longo prazo. Isso não quer dizer que não se ganha dinheiro com ações em rápidas negociações. Trata-se simplesmente da opinião consensual para aquele investidor que entra sem muita (in)formação. Trata-se de cautela.

Entretanto, investimento de longo prazo não é sinônimo de “comprar (as ações) e esquecê-las”, como bem pontuou o nossa amigo leitor Xico ao comentar o artigo “Investimento em ações e a nova euforia na Bovespa”. Muito pelo contrário, quem opta por investir em bolsa deve redobrar a atenção aos investimentos e, mesmo optando por contratar um gestor para administrar seu portfólio, o acompanhamento é um dos passos indispensáveis para o sucesso.

Análise e conhecimento: primeiros passos para uma estratégia de investimentos
É importante estar atento às analises dos aspectos fundamentalistas e econômicos das empresas e entender também como análise grafista pode ajudá-lo na tomada de decisões. O pequeno investidor que manipular bem essas técnicas estará sempre muito bem posicionado em momentos de decisão.

Até mesmo certos mantras do mercado ficarão muito mais nítidos para quem estiver disposto a mergulhar de cabeça nesse mercado. Se passar a entender melhor esses conceitos ficará mais fácil, avaliar a repercussão e o incentivo dos canais de comunicação para o investimento apenas quando a bolsa de valores[bb] passa por grandes períodos de alta não o assustará.

Seja sincero com o seu dinheiro. Investir significa trabalhar por uma rentabilidade, e valorizar o dinheiro conseguido através da estratégia escolhida. Investir é coisa séria: nada de jogar dinheiro fora, ou não faria sentido decidir investir, certo? Logo, o mínimo que se espera é conhecer o mercado e seus movimentos.

Abra sua cabeça, aprenda com quem é referência e estude mais!
Hoje existem no mercado grandes exemplos que passaram sua vida ganhando (muito) dinheiro com ações e se tornaram grandes mitos. Que tal conhecer um pouco mais sobre esses verdadeiros “heróis” do mercado? Não se trata de ser como eles, mas de observar principalmente como fundamentam suas decisões.

Aproveite o tempo livre do final de semana para pesquisar a respeito. Eis aqui alguns nomes e livros que podem servir de inspiração e motivação para você iniciar seus investimentos de forma diferenciada, com conhecimento, estratégia e sucesso:

Porque o melhor investimento é sempre aquele relacionado ao conhecimento. Desejo a você uma ótima leitura e excelente final de semana. Até a próxima.

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Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Ricardo Pereira
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