Diz a sabedoria popular que “se conselho fosse bom, não se dava, se vendia”. E como a vida me provou, o consciente coletivo costuma estar parcialmente certo.

Parcialmente porque, à exceção da morte, não há verdade absoluta nesse nosso mundo. E há, de fato, quem, de certa forma, venda seus conselhos: consultores, professores, advogados e tantos outros “conselheiros profissionais”.

Mas, como tudo na vida, há bons e maus conselheiros. E ao contrário do que diz uma famosa campanha publicitária, os bons NÃO são a maioria. Quando o assunto é dinheiro, essa equação parece ficar ainda mais desequilibrada, e fórmulas mágicas do tipo “como ficar rico na Bolsa em 5 dias” se reproduzem de forma exponencial.

Mas, como fazer para encontrar bons conselheiros?

Se você frequenta psicólogos ou psicanalistas, já sabe o preceito ético básico da profissão: parentes, amigos ou qualquer pessoa com a qual tenham relacionamento pessoal não pode ser tratada por eles. Por que não? Simples: conflito de interesses.

O ser humano, até de forma inconsciente, procura satisfazer suas necessidades pessoais antes de qualquer outra coisa. É o instinto básico de sobrevivência, e isso é inato. Não adianta espernear, está no nosso DNA.

Claro, podemos usar a razão para tentar dominar a fera, mas, no fim das contas, as coisas são como são. E, cientes disso, esses profissionais sabem que um paciente conhecido estará sujeito à manipulação pelo “terapeuta amigo”, de forma que este satisfaça suas próprias necessidades.

Ficou claro? Não? Vou simplificar. Todo conselheiro deveria, por princípio básico, ser neutro, imparcial. Motivo pelo qual não se deve perguntar a um açougueiro se carne faz mal à saúde ou a uma indústria petrolífera se combustíveis fósseis são prejudiciais ao meio ambiente. É o típico caso onde se faz a pergunta já sabendo a resposta.

Por que seria diferente com seu dinheiro?

Feliz ou infelizmente, bancos são parte da nossa vida. Por isso, são os profissionais do mercado financeiro com quem a maioria de nós tem mais contato.

Pior ainda, eles assumem um papel controvertido de “educadores financeiros”, em um país cuja maioria da população não possui conhecimento para distinguir a verdade imparcial da verdade manipulada por interesses e, assim, adotam os gerentes bancários como amigos e conselheiros pessoais.

E os bancos, como qualquer outra empresa, têm um único objetivo: lucrar. Um objetivo extremamente conflitivo com o interesse de seus clientes – afinal, para o banco lucrar, seus clientes precisam custear esse lucro.

Resumindo, caro leitor, por mais simpático e agradável que ele seja, o gerente do banco não é seu amigo. Gerentes, antes de mais nada, são funcionários do banco e, por isso, defendem os interesses da empresa que os remunera. E não há nada de errado nisso: eles fazem o que se espera deles.

A culpa é nossa?

Quem não faz o que se espera somos nós. A leniência e a preguiça nos transformam em consumidores passivos, cujo comportamento bovino prejudica não apenas o nosso bolso, mas também a nossa nação.

E ao acordarmos desse estado de torpor, em vez de assumir e aprender com nossos erros, ficamos procurando culpados – e claro, descarregamos nossa ira no gerente.

Aí não adianta chorar sobre o contrato do PGBL não lido ou sobre aquele “CAP não sei o quê” não pensado. Use-os como aprendizado e foque na solução – focar no problema nos deixa paralisados, sem ação.

Afinal, em quem confiar então? Simples: em você mesmo. Seu melhor amigo, ou pior inimigo, é e será sempre você. Leia, informe-se e participe de eventos. Estamos na era da informação, basta ter força de vontade e assim se preparar para ser o melhor gestor de seus investimentos.

E se eu quiser uma opinião de fora? Bem, como dissemos no início, há bons conselheiros esperando por sua consulta. Mas fique atento: o que serve como regra para as informações que você consome, serve para os profissionais que contrata.

Por exemplo, se houver venda casada, mesmo que de forma sutil, não serve para você. Ou então, se um artigo não deixa claro logo no início que é um Informe Publicitário, que tem como intenção promover uma empresa ou produto, sua lisura e imparcialidade estão comprometidas.

Com profissionais do mercado financeiro é a mesma coisa. Se houver ganho pela venda de produtos ou pela performance de investimentos, há conflito de interesses. O único profissional realmente isento é aquele que cobra pelo seu serviço consultivo ou educativo, independentemente de onde você investe seu dinheiro ou de seus ganhos.

Tudo o que disse neste artigo não foi para causar desânimo ou alarde, mas para mostrar a importância da educação financeira para sua vida e para a sociedade.

Pessoas bem informadas estão prontas para tomar decisões que trazem equilíbrio para si e para os que estão a sua volta. Buscam mais do que apenas enriquecer: buscam equilíbrio. E convenhamos, sem ele de nada adianta ter muito dinheiro.

Vocês acreditam em destino?

O destino é um campo nebuloso para mim, cujas respostas parecem ser dadas pela própria vida. E a maneira como essa oportunidade única de escrever para vocês (obrigado amigo Conrado Navarro!) literalmente me encontrou, confirma que nada é por acaso.

Em resumo, essa oportunidade surgiu através de um comentário que deixei em um post do Dinheirama há mais de um ano. E o mais interessante, o post não tinha absolutamente nada a ver com o tema de hoje – ele falava de milhas e cartões de crédito.

Porém, em algum ponto, falei de “conflito de interesses”, o que gerou um saudável debate e terminou com a gentil oferta para escrever um artigo sobre este assunto. Espero que tenha gostado. Um grande abraço e até o próximo.

Foto “Ready to seal a deal”, Shutterstock.

Renato De Vuono
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