Quem nos acompanha sabe que a educação financeira tem em seu vocabulário a repetição exaustiva de palavras como: desapego, simplicidade, racionalidade, minimalismo, compra consciente e por aí vai.

Importante dizer que nada disso significa viver como um frei franciscano, como já disse em outros posts aqui. Definindo a educação financeira de forma simples, fica assim: a capacidade de viver melhor com menos. É fazer o que os esbanjadores fazem, gastando a metade.

E é nesse momento que você precisa se perguntar que tipo de consumidor você é: um que compra a funcionalidade, o benefício e a experiência, ou aquele que compra status? Quer ver como é na prática?

Quem compra um carro pela qualidade da construção, valor de revenda, itens de segurança, reputação do pós-venda, média de consumo e adequação à sua necessidade é do primeiro time.

Quem compra um carro porque ele é de “certa-marca-alemã”, compra status. E esse exemplo se aplica a qualquer coisa, desde roupa até hotéis. É como uma viagem à Disney: você ou aquela celebridade da revista, no fim, têm o mesmo objetivo (ir a Disney), a diferença é que um leitor do Dinheirama vai gastar 4 vezes menos e aproveitar do mesmo jeito.

A educação financeira tem esse papel e permite que você compre experiências e não status; e desse modo possa aproveitar seu dinheiro hoje e sempre.

Leitura recomendada7 Hábitos infalíveis dos milionários que você precisa adquirir

Tudo bem eventualmente ter uma “recaída” ou se permitir realizar um sonho, como voar de classe executiva, por exemplo. Mas é importante que a exceção não vire regra e você passe a ser dependente do reconhecimento social efêmero que a compra do status traz consigo, pois é nesse momento que as coisas começam a sair dos trilhos.

Quem compra status não compra para si, compra para os outros; logo, vive para os outros. A razão é deixada de lado e tomada por um sentimento insaciável de ser sempre melhor que o vizinho, o cunhado ou o mundo inteiro.

Como um oásis no deserto, a ilusão de ter sempre o melhor torna-se um vício cuja saciedade não dura mais do que os poucos segundos até sair com o novo carro da loja e descobrir que tem muitos melhores que ele na rua.

Nesse momento começa o estresse financeiro de viver no limite do crédito em nome do tal “estilo de vida” que você imagina adequado para “ser parte” de um determinado ciclo social.

Sem perceber, o que parecia qualidade de vida passar a tirar a paz que costumava fazer parte dos dias de sua família. As coisas perdem o sabor, você vive para pagar contas e prestações… Agora está preso na corrida de ratos. Será que essa é uma vida saudável? A resposta é simples: não.

Status é pagar mais caro por algo que não necessariamente é melhor

Mais dinheiro significa mais trabalho, que por sua vez significa mais tempo despendido – tempo, que é bom lembrar, nunca mais voltará – apenas para pagar o “ágio da marca” e não para pagar algo que será convertido em benefício real para você e para os seus. Faz sentido?

Você pode pensar: “Eu não poupo, mas não gasto mais do que ganho”. Essa é uma verdade parcial, pois compras a crédito significam gastar o que não tem ou ainda não recebeu. Um orçamento familiar estressado é um passo importante para a ruína financeira.

Ferramenta gratuita recomendada: Planilha de controle de orçamento

Imagine se algo acontece a você, de modo que seus rendimentos deixem de entrar, em um quadro que toda sua renda mensal está comprometida com essa vida de luxo? Repito a pergunta: faz sentido? Faz sentido viver para os outros e se afastar das coisas que realmente gosta, sob o risco constante de problemas financeiros e familiares?

Se você acredita que sim e acha que tudo que escrevi até agora é bobagem, desejo sinceramente que encontre aquilo que tanto procura; estamos aqui para apresentar novas ideias para velhas crenças, e não para julgar.

Agora, se você não vê sentido em nada disso, que tal parar de pagar mais por menos e viver a plenitude de uma vida norteada pela praticidade, desapego, e, mais ainda, pela ânsia de viver intensamente cada minuto rodeado por aqueles que realmente importam?

Simplificar não é um processo banal, mas é sem dúvida alguma recompensador. Jamais veja essa decisão como “dar um passo para trás”, “regredir”, muito pelo contrário: é uma correção de curso para navegar em águas muito mais calmas e cristalinas. É trocar uma vida “cheia de coisas” e “vazia de significado” por uma vida “cheia de significado” com apenas as “coisas que realmente interessam”. Topa o desafio?

Por fim, se você achou o texto muito legal, mas já pratica tudo isso, equilíbrio e paz são constantes… Parabéns! Contudo, é bom que tenha lido até aqui para que nunca se esqueça de manter os bons hábitos. Continue assim. Eu fico por aqui, ansioso por nosso próximo encontro. Abração e até a próxima!

Vídeo recomendadoMentalidade rica e atitude para enriquecer são escolhas simples

Renato De Vuono
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários