Você já ouviu falar em “ contágio social financeiro”? Talvez nunca tenha ouvido, mas possivelmente já foi afetado por ele algumas vezes na vida. “Diga-me com quem andas, que te direi quem és! Todos nós somos diretamente influenciados por quem está ao nosso redor, e esse fenômeno, comprovado cientificamente, é chamado de contágio social”, explica Paulo Vieira, master coach, PhD, fundador da Febracis, e autor dos best sellers O Poder da AçãoFator de EnriquecimentoPoder e Alta Performance e Foco na Prática. O entrevistado da vez no Dinheirama construiu uma jornada de sucesso após uma série de altos e baixos, dívidas financeiras e relações pessoais fracassadas como ele mesmo conta.

“Iniciei, aos 29 anos, uma jornada de autoconhecimento que me levou, em apenas um ano, a quitar dívidas e abrir meu próprio e próspero negócio. Durante este processo, percebi que tinha o costume de me preocupar mais com o esforço que eu precisava fazer para atingir o que desejava do que com as conquistas em si. Essa descoberta mudou minha vida, pois foi quando tomei consciência de que nunca terminava o que começava. Constatei que minhas atitudes e ações eram intempestivas e sem planejamento. Era isso o que me prejudicava. E entendi, sobretudo, que culpava os outros por todos os meus insucessos. Ficou claro para mim que tudo aquilo que eu estava vivendo não eram fracassos, mas, sim, os resultados das minhas ações e atitudes”, explica. Confira a entrevista e inspire-se!

Você fala sobre a importância de nossas redes de relacionamento, o chamado “contágio social financeiro”. Como e por que somos influenciados pelos que estão em nosso convívio? Poderia dar exemplos práticos?

Paulo Vieira: “Diga-me com quem andas, que te direi quem és!” Esse é um velho ditado que traz muito mais verdades do que você imagina. Todos nós somos diretamente influenciados por quem está ao nosso redor e esse fenômeno, comprovado cientificamente, é chamado de contágio social. Em suma, ele corresponde a um processo em que os sentimentos, comportamentos, hábitos e costumes de uma pessoa se transferem para outra, podendo influenciar, inclusive, aquelas com quem nunca se teve convívio, mas que estão ligadas a alguém próximo. Para se ter ideia, é possível influenciar até o amigo do amigo do seu amigo. Isso significa que estamos constantemente passando o que somos e recebendo o que o outro é.

Com isso, o contágio social nos leva a uma sincronia com quem faz parte da nossa vida. E como essa sincronia é alcançada com mais facilidade com pessoas cujas características são semelhantes às nossas, temos a tendência de participar dos mesmos grupos que elas. Isso explica porque fumantes têm muitos amigos fumantes e pessoas em busca de sucesso profissional normalmente têm muitos amigos bem-sucedidos ou com foco na carreira. O convívio com esses grupos é capaz de influenciar positiva ou negativamente os resultados profissionais e pessoais.

É por essa razão que, quando desejamos alcançar uma meta, é essencial buscarmos o convívio de pessoas que tenham objetivos semelhantes aos nossos para que seja estabelecida uma sintonia e os dois se impulsionem durante a caminhada.

Como fazer para selecionar melhor as pessoas com quem convivemos? Ou não deixar que elas tragam tanta influência em nossas finanças?

P.V.: A primeira forma de se blindar contra pessoas negativas é mudar a forma de se comunicar com elas. Quando alguém vier com atitudes ruins, o ideal é devolvermos com amor, principalmente quando se trata de familiares próximos, como esposo(a), filhos ou pais. Se a pessoa que sempre reclama de tudo for seu amigo, talvez seja a hora de repensar essa relação, pois amizade é baseada no amor e em energias positivas.

Esse processo não é frio como parece. O contágio social é apenas um dos fatores a ser trabalhado com foco no sucesso, afinal, ele está interligado às crenças, às programações mentais (o que é viver) e ao contágio emocional. A soma desses três pontos é o que determinará o sucesso do indivíduo. Mas, para isso, não é preciso excluir ninguém ou criar processos de ruptura nas relações que já existam. Tudo é uma troca. Por exemplo, uma pessoa pode ter amigos que não têm a mesma condição financeira que ela, mas têm uma espiritualidade linda. Dessa forma, uma parte doa um pouco de conhecimento financeiro e a outra retribui com espiritualidade.

Nós também emitimos influências que podem ser positivas ou negativas com relação ao dinheiro? Sobre nossos filhos, por exemplo? Como cuidar melhor do que emitimos?

P.V.: Podemos sim e isso está diretamente relacionado às nossas crenças (programações neurais) financeiras. São essas crenças que determinam como nos sentimos, o que pensamos e como nos comportamos quando se trata de dinheiro. Em outras palavras, são elas que dizem como lidamos com o assunto o que, consequentemente, impacta nas pessoas ao nosso redor. Se temos uma postura negativa, naturalmente iremos passar isso para os outros e os mais impactados são, de fato, as crianças.

Isso porque elas desenvolvem suas principais crenças até os 12 anos, seja por repetição ou por forte impacto emocional. Dessa forma, se uma pessoa passou a infância vendo os pais com dificuldades financeiras e ouvindo frases que tratam o dinheiro como algo ruim, por exemplo, a probabilidade de ela manter o mesmo padrão financeiro negativo é muito alta. Principalmente quando, atrelado a isso, houve experiências com forte impacto emocional. Por isso é muito importante ter cuidado com a maneira como nos comportamos diante das crianças.

Mas é possível mudar. Se você mudar pequenas expressões, como: postura, expressão facial, modo de respirar, e forma de olhar, falar, sentar, apertar a mão e andar, no mesmo instante, você muda também suas possibilidades de conquista e realização e a influência que você faz no mundo. Decidir sua fisiologia, independentemente do contexto atual, o fará ter o controle sobre sua vida e ser uma pessoa melhor e mais positiva.

É importante ter sonhos e metas para conseguir chegar aonde se quer financeiramente?

P.V.: Sim, é importante ter metas e sonhos, porque eles mostram aonde você deseja chegar. A partir disso, você pode quebrar esses objetivos em pequenas metas para que possa ir trabalhando elas pouco a pouco. Ter uma meta é essencial em todos os aspectos da vida e com o financeiro não é diferente. Muitas pessoas costumam dizer que gostariam de ser ricas, por exemplo, mas nada de efetivo fazem para tornar esse sonho real. Ao traçar objetivos com etapas menores para ser cumprir e colocar uma boa dose de persistência, qualquer sonho, por mais ousado que seja, pode tornar-se realidade.

Para ficar mais claro, sonhos são apenas a primeira etapa de todo processo. Eles são extremamente importantes para nos motivar em relação ao futuro e nos levar a fazer grandes feitos. É o caso de quem sonha em ser rico. Mas não basta ficar por aí. Depois de ter o sonho, é preciso transformá-lo em metas neurologicamente corretas, para que reúnam números exatos sobre o que se deseja alcançar e o prazo para que isso aconteça. Quer ficar rico? Mas como exatamente? A meta pode ser, então: reunir um patrimônio de R$ 1 milhão até o mês tal do ano tal. Além disso, é importante que ela seja desafiadora, mas realizável, traga benefícios para você e as pessoas ao seu redor e, para acontecer, dependa apenas de você. Esse é o primeiro passo para mudar sua realidade financeira.

Existem características que podem ajudar a definir um vencedor no campo das finanças?

P.V.: Existem sim, tudo dependerá da criação de uma mentalidade de riqueza. De acordo com o método Fator de Enriquecimento, desenvolvido por mim, seis passos são necessários para isso: primeiro, utilize 10% da sua receita para se pagar, depois, separe 60% para pagar as contas, em seguida, 10% para doar, mais 10% para investir e outros 10% para realizar os sonhos. Além de ajudá-lo na organização das finanças, esse método ajuda a reprogramar as crenças financeiras visando ao sucesso.

Mais do que uma conta bancária recheada, pessoas verdadeiramente ricas se diferem das outras exatamente pela mentalidade de abundância financeira, por fazerem questão de direcionar parte de seus recursos para ajudar o próximo e fazer a diferença na sociedade em que estão inseridos, e pela vontade de crescerem cada vez mais, por exemplo. É essa mentalidade que serve de base para a construção de um patrimônio cada vez mais forte e maior. Trata-se também de saber valorizar e gerir adequadamente aquilo que tem.

Podemos usar as perdas como aprendizado? Qual a melhor forma?

P.V.: Certamente! Todo erro e perda deve ser fonte de aprendizado. Ao invés de se entristecer ou reclamar do que deu errado, é preciso parar, avaliar a situação, entender o que gerou aquele resultado negativo e buscar formas para evitá-lo posteriormente. Errar faz parte do processo de crescimento e posso afirmar com certeza de que a maioria das pessoas bem-sucedidas passaram por grandes perdas em algum momento. E foi isso o que permitiu que elas passassem para um nível ainda maior.

Aprender a ter autorresponsabilidade também é fundamental nesse processo, uma vez que você deixa de “culpar” o outro pelos problemas e, passa a enxergar o seu papel no resultado obtido. Com isso, você percebe que não precisa mudar os outros, mas, sim, você mesmo. E isso é transformador na vida das pessoas, pois dá a elas o poder de serem e fazerem mais.

Se pudesse dar três conselhos financeiros a quem te procura como coach ou consultor, quais seriam eles?

P.V.: Primeiro, é essencial aprender a gerir o dinheiro que você recebe, independentemente do valor. Gaste apenas o que está dentro do seu orçamento e não hesite em reduzir seu estilo de vida, pois a perda de agora é apenas o primeiro passo para uma grande jornada. Lembre-se daquele ditado: é melhor dar um passo para trás para, depois, dar dois para frente. Organize um orçamento familiar e descubra quanto e em que você gasta. E, claro, tente separar uma quantia fixa mensal para investimento. Outra ação importante é doar, pois gera uma energia positiva que volta para você. Além disso, essa prática desenvolve crenças de abundância, fazendo com que se perca qualquer medo de que falte no futuro. Isso impacta positivamente os resultados dessa pessoa. O princípio é simples: crescer e contribuir.

Por fim, busque ajuda de especialistas caso não esteja dando conta das suas finanças. Você não precisa se tornar um especialista, mas deve saber que, se o seu método não está gerando bons resultados, não deve mais perder tempo com ele. Existem profissionais capacitados em finanças que podem ajudá-lo com o conhecimento e as ferramentas certas para suas necessidades.

Janaína Gimael
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