Copa do Mundo, Olimpíadas e Consumo ConscienteAntes mesmo de nascermos, o esporte já está presente em nossas vidas. Os pais, um tanto inflamados, logo providenciam macacõezinhos, gorrinhos, camisetas, tudo, enfim, que estiver relacionado ao seu esporte predileto. Desde cedo, assim como costumamos concordar com nossos pais em relação às suas ideologias políticas, econômicas e religiosas, também somos levados a praticar certos esportes e a dar preferência a uma determinada equipe de futebol, vôlei, basquete e etc.

Observa-se, já há algum tempo, que o esporte tem se tornado um investimento. Empresários passaram a comprar passes de jogadores e publicitários criaram campanhas para popularizar atletas e clubes – vendendo suas imagens e materiais esportivos personalizados -, valorizando muito todos os componentes de qualquer modalidade – em especial, o futebol. Paixão garantida. Infelizmente, até mortes resultam desse fanatismo.

Diante isso, os empresários concordam em um aspecto: trata-se de um investimento que só dá lucro. Pelo jeito estamos diante de algo diferente da bolsa de valores ou do mercado imobiliário, com seus altos e baixos e variações sensíveis ao humor dos investidores.

O negócio é tão lucrativo – considere o termo lucrativo de forma muito ampla – que governo federal e investidores juntos não pouparam esforços para tornar o Brasil sede da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016. Embora os países concorrentes fossem fortíssimos, o escolhido foi o Brasil.

Para a Copa do Mundo, logo surgiram os orçamentos para a construção dos estádios. No início, comparando os preços pagos por outros países em competições passadas, os brasileiros já puderam perceber que a conta sairia mais cara do que o previsto. E haveria dinheiro público! O tempo passou, a FIFA pressionou e concluiu que nosso país está muito atrasado nas obras.

São Paulo corre o sério risco de ficar fora do grupo de cidades sede e a população tem sido bombardeada por escândalos envolvendo corrupção e sigilo dos gastos utilizados com toda essa infraestrutura, com o argumento de que as licitações é que retardam as obras. Depois de ganhar a mídia, FIFA e governo recuaram, mas os fatos seguem ai, escancarados.

Diante disso, vê-se o povo brasileiro (com exceção daqueles que só pensam na festa e na vitrine que essas competições podem gerar para o País) impotente, incapaz de tomar qualquer atitude que venha a melhorar esse cenário. O orçamento total do evento seria capaz de tirar a Saúde e a Educação da situação vergonhosa em que se encontram.

O que fazer? Como mudar? Como agir? A resposta: consumo consciente.

O termo “consumo consciente” tem se tornado cada vez mais popular, talvez por causa de assuntos relacionados ao meio ambiente. Mas ele pode ser empregado em todos os segmentos em que há consumo de alguma coisa. Na verdade, a ideia está mais implícita no dia a dia do que se imagina. Nos rótulos de medicamentos, bebidas alcoólicas ou cigarros, leem-se mensagens incentivando o seu consumo moderado.

Com o esporte, não deveria ser diferente. É realmente necessário comprarmos todos os modelos novos de camisetas do nosso clube do coração, todos os anos? E quanto ao preço abusivo dos ingressos para vermos um jogo? O apelo custa caro para aqueles que nem tem tanto dinheiro e assistem ao jogo sentados em lugares não numerados, em estádios que estão longe dos padrões exigidos pelo Estatuto do Torcedor.

Os valores cobrados por bebidas e comidas nas arquibancadas são justos? E o calendário, feito de tal maneira que só sobrem reais benefícios à emissora de televisão que vai transmitir o jogo? Temos aí a famosa lei de oferta e procura. A grande aceitação faz com que as entidades ligadas ao esporte não se preocupem muito com a qualidade do produto oferecido aos “consumidores”.

E se a fonte secar? Como os investidores pagarão a conta? Que tal você, torcedor, se esforçar um pouco em prol das melhorias que talvez ocorram no futuro e “consumir” o esporte com mais moderação? Claro que é quase utópico apelar-se para o consumo consciente de um produto que envolve uma paixão, um sentimento que beira o fanatismo, mas cabe tentar.

Consumo consciente: uma maneira de pressionarmos investidores, dirigentes e representantes da sociedade, mostrando o quanto eles realmente dependem da população – e não somente de sua vontade de investir. Talvez ainda dê tempo, afinal o orçamento das Olimpíadas ainda nem foi calculado, mas promete ser fantástico. Alguém duvida?

Foto de sxc.hu.

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