O governo e a Petrobras têm mesmo que pedir desculpas para a sociedade e admitir seus erros pelos malfeitos ocorridos na empresa e com nossas contas públicas.

Em vez disso, se limitam agora (e somente agora, depois de todas as evidências) a admitir alguns pequenos malfeitos, cujas apurações foram estimuladas e somente possíveis “porque o governo permitiu”, como se a Polícia Federal e o TCU (Tribunal de Contas da União) fossem órgãos do Executivo.

Tem sujeira sendo empurrada para debaixo do tapete

Convenhamos: quando um funcionário subalterno preso diz que irá devolver US$ 100 milhões (e tal boa vontade pressupõe muito mais), há algo de muito errado na estrutura da companhia. Como avaliar a corrupção na Petrobras diante de uma informação como essa?

Quando a empresa de auditoria nega parecer para aprovar as contas e a situação acaba invertida, com a empresa dizendo que ela preferiu atrasar a divulgação por conta das apurações da operação Lava Jato, há algo de muito errado.

Há certamente larga inversão de valores e isso está presente também no próprio governo e em nossas contas públicas. O melhor exemplo fica demonstrado no encaminhamento de alterações na Lei de Diretrizes Orçamentárias, necessário para que o governo não incorresse em ilegalidade perante a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Como temos citado, em vez de simplesmente dizer que não iria atingir a meta de 1,9% do PIB, sabidamente inatingível, optou por, na prática, acabar com a meta, mudando a lei a seu favor.

Depois de enorme ruído produzido pela oposição nas tribunas e pelo TCU, o governo parece ter mudado a postura e retirou o pedido de urgência de votação.

Agora, deve produzir alguma meta para o superávit primário (provavelmente zerado ou mesmo em déficit), além de ainda mudar suas projeções para 2015, certamente reduzindo a meta de 2,0% do PIB. Notem que não estamos falando de toda a contabilidade criativa que tem permeado a postura do governo nos últimos anos.

Imagem do Brasil e das estatais está arranhada

O problema de todas essas evidencias é a mácula profunda da credibilidade, exatamente quando o que mais andamos precisando é de credibilidade – condição absolutamente necessária para reverter o quadro da economia, principalmente no que tange a atrair investidores para a área de infraestrutura, o grande gargalo para o crescimento futuro.

Isso não será conseguido sem a admissão dos erros e mudanças de rumo na condução da política econômica. A condição “sine quo non” para mudar é admitir os erros pretéritos e corrigi-los.

A decisão de tornar os erros menores, quando toda a sociedade entende a gravidade deles, não é a postura esperada de um país sério. Por aqui as decisões só são tomadas depois do fato se tornar público, ainda assim apenas quando isso acontece.

Fosse em outros países, haveria até suicídios pela vergonha pública imposta (Japão) ou familiares pagariam pela bala utilizada na condenação (China). Aqui as pessoas seguem nos quadros ou pedem demissão com agradecimento público pelos serviços prestados. Temos aí nova inversão de valores, mesmo não compactuando com suicídios ou reembolso de balas.

O que esperar de Dilma e seu governo?

A presidente Dilma e a diretoria da Petrobras devem desculpas para a sociedade. Além disso, espera-se ações e apuração dos fatos extensíveis para outras empresas do setor público. A corrupção na Petrobras sinaliza a necessidade de mudanças profundas também em outras estatais e no próprio governo.

A diligência sobre possíveis ocorrências em todo o setor estatal só nos fará melhor e não pior, iniciando processo de depuração do Estado e tornando o país mais crível. Isso traria repercussões positivas sobre o comportamento dos mercados de risco, também sacrificados. Precisamos levantar o tapete e retirar a sujeira.

E seus investimentos diante de tudo isso?

Bem, enquanto essa situação não estiver melhor dimensionada e os fatos apurados e julgados com rigor, a melhor atitude para seus investimentos é de prudência em assumir riscos, optando por aplicações mais conservadoras, como Letras de Crédito (LCI e LCA) e fundos de investimento de renda fixa.

Porém, para aqueles investidores mais agressivos, podemos intuir o momento como propício para compras seletivas e progressivas, sempre com horizonte de mais longo prazo para retorno.

Sugiro buscar em nosso site Orama.com.br as melhores opções para seu perfil e montagem de uma carteira de fundos compatível com isso. Para quem está começando, a ferramenta Portfolio Ideal, que sugere uma carteira de fundos de acordo com sua idade, perfil de risco e recursos disponíveis, é uma boa pedida!

Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto: 360b / Shutterstock.com

Alvaro Bandeira
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