Se você já teve que dar aquele jeitinho para pagar as contas no final do mês, sabe como muitas vezes pode fazer falta ter ao menos um pouco de crédito no mercado.

Voltado à população de baixa renda – e muitas vezes desbancarizadas -, o aplicativo Jeitto foi fundado em 2014 e oferece um limite de crédito de até R$500 por mês para ser utilizado dentro da própria plataforma, além da função pré-paga. A ideia é usar o smartphone como uma ferramenta financeira. E já são mais de 30 mil usuários.

O Jeitto não disponibiliza dinheiro em espécie, não cobra juros e não trabalha com crédito rotativo. Suas tarifas são fixas e variam de acordo com cada tipo de serviço e transação. A simplicidade do modelo de cobrança tarifária faz parte do objetivo da fintech: auxiliar as pessoas no fluxo de caixa mensal de forma conveniente e transparente. Para entender melhor, o Dinheirama conversou com Fernando Silva, um dos fundadores do aplicativo.

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Quando o aplicativo Jeitto foi criado e qual a inspiração para o início do negócio?

Fernando Silva: O Jeitto começou como empresa em 2014 e a primeira versão do App foi lançado me 2015. Por um período, operamos como um laboratório para o desenvolvimento de algoritmo e“machime learning” para entender a atitude com o crédito dos nossos clientes. Nossa inspiração começou com o modelo de negócio da M-Pesa no Quenia, em 2009, onde, através do celular, milhões de consumidores passaram a ter acesso a serviços de pagamento e recebimento de valores digitalmente. O modelo da M-Pesa se espalhou pela África trazendo grande impacto social.

O celular passou a ser uma importante ferramenta de acesso a serviços financeiros de baixo custo para uma população desbancarizada e com limitada oferta. A partir do estudo deste modelo na África, começamos a desenhar o modelo de negócio do Jeitto, tendo o celular como base para transacionar. O aumento do uso do smartphone no nosso público alvo e o acesso à internet facilitaram a implementação do Jeitto através do App.

Qual o público-alvo do aplicativo? Todo mundo pode usar?

F.S.: Qualquer pessoa pode usar. Mas nosso público alvo é predominantemente o consumidor da classe média emergente, com salário mensal abaixo de R$ 3.000, residentes em grandes centros urbanos e com idade de 20 a 35 anos.

Acredita que o oferecimento de microcrédito de forma menos burocrática e fácil é algo que o mercado brasileiro demanda muito? Por quê?

F.S.: Para nosso público-alvo quase não existem opções para crédito de baixo valor e curto prazo para ajudar o fluxo de caixa das famílias. Quando se precisa de R$ 200 por 15 dias, por exemplo, o consumidor vai encontrar opções com valores mínimos e prazos muito mais altos. Ou seja, ele acaba se endividando e pagando juros por longo período sem necessidade.

Vale salientar que o limite de crédito do Jeitto pode somente ser usado para os serviços disponíveis no App e nos parceiros, como recarga de celular, pagamento de contas de concessionárias, boleto de compra on-line, transporte e outros. Não disponibilização de dinheiro em espécie.

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Como vocês minimizam os riscos de emprestar dinheiro? Há quem não pague?

F.S.: A inadimplência faz parte do negócio e tem que ser mantida baixa para que possamos cobrar menos de quem paga. O Jeitto operou como um laboratório por mais de 2 anos no desenvolvimento de algoritmos sofisticados que permitem entender com precisão a atitude de pagamento dos clientes e, consequentemente, minimizar o risco.

Como funcionam as parcerias com players como Nextel e Sky?

F.S.: O Jeitto é uma ferramenta de digitalização do pagamento das contas de nossos parceiros. Com o App do Jeitto, os nossos clientes não precisam ir ao ponto físico, como lotéricas, por exemplo, para pagar as contas. A digitalização do pagamento das contas diminui os custos, reduz inadimplência e aumenta o consumo para os serviços prestados para os nossos clientes.

Quais as expectativas para o app nos próximos anos?

F.S.: Estamos crescendo rapidamente e implementando novas opções de pagamentos para os consumidores e novas parcerias. Em 2 anos, a expectativa é dar acesso a conveniência de pagamento e limite de crédito para mais de 2 milhões de clientes.

Como avalia a importância das fintechs no mercado brasileiro?

F.S.: As fintechs têm sido fundamentais para a inovação e mais competição no mercado de serviços financeiros.

Redação Dinheirama
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