Crescimento econômico, desemprego e a transformação do trabalhoO mundo, e em especial o Brasil, viveu, a partir dos anos 70, uma crise capitalista que marcou o início do aumento gradativo do desemprego. No final dos anos 90, surgia uma concepção arriscada para os trabalhadores e com um custo social alto por seu caráter às vezes excludente: a empregabilidade, ou seja, a capacidade que cada um tem de inserir-se no mercado de trabalho e manter-se nele.

Apesar do aumento do poder aquisitivo da população e do crescimento econômico, os índices de desemprego ainda são significativos no Brasil, com os números ainda se recuperando em relação ao ano de 2009. Todos nós podemos perceber isso, pois sempre conhecemos alguém que está à procura de uma oportunidade de emprego formal ou buscando novas possibilidades de trabalho.

Jerry Miyoshi Kato e Osmar Ponchirolli, pesquisadores da UFSC, relatam que o desemprego a partir de debates sociais tem sua origem em três fatores:

  • A globalização dos mercados[bb], que provoca uma reestruturação da produção;
  • A introdução de uma tecnologia que utiliza cada vez menos os trabalhadores;
  • O fim de uma era de crescimento econômico sustentado que garante o pleno emprego.

As crescentes exigências do mercado em relação às qualificações mínimas para se manter ou conseguir uma colocação em uma empresa acabam excluindo do universo do trabalho formal um grande número de pessoas. Segundo o SINE (Sistema Nacional de Emprego), a maioria das oportunidades de trabalho exige segundo grau completo e nem sempre os candidatos se encaixam nesse perfil.

Outro aspecto importante é que quando se pretende preencher uma vaga no nível operacional, as agências e empresários tem dificuldade em encontrar um funcionário que preencha os requisitos mínimos para o cargo. Em muitos trabalhadores, há falta de qualificação profissional.

Naqueles que têm a possibilidade de acesso aos cursos livres profissionalizantes, nota-se uma falta de comprometimento com sua própria formação. Sob esta ótica, duas questões precisam ser cuidadas:

  • O desafio da educação no combate da política da exclusão: preparar os indivíduos para fazerem frente às exigências do mercado de trabalho em seu contexto globalizado;
  • A responsabilidade de cada cidadão: receber a formação profissional e assumir seu lugar na sociedade (direitos e deveres), procurando gerir sua carreira[bb] profissional.

Novo cenário
Um dos grandes desafios da humanidade nas próximas décadas será enfrentar a eliminação/substituição contínua dos empregos e a dificuldade de se criar novas formas de trabalho. A sociedade da informação mudou o perfil do trabalhador e a realidade do emprego.

Estudos apontam que no Brasil, por volta de 2015, mais de 15% dos trabalhadores estarão trabalhando em casa. Assim, o emprego formal e estável será cada vez menor e todos nós precisaremos nos adaptar a esses novos modelos. Sai o emprego, entra o trabalho. O empreendedorismo.

No Brasil, Paulo Freire mostrou-se inquieto em relação aos avanços tecnológicos e clamava por uma política coerente, já que tais transformações exigem também posturas transformadoras por parte do governo e da classe empresarial para dar suporte a todos os trabalhadores:

“A um avanço tecnológico que ameaça milhares de homens a perderem seu trabalho deveria corresponder outro avanço tecnológico, que estivesse a serviço do atendimento das vítimas do progresso anterior”.

Acredito que através da educação de alta qualidade e da conscientização de homens e mulheres consigamos romper as barreiras do comodismo e da lamentação em busca de novas formas de trabalho. Precisamos desenvolver novas formas de trabalho, diferentes do usual emprego formal, através do conhecimento do novo cenário ao qual a sociedade[bb] se encaminha. Insisto: educação e conhecimento são fundamentais.

As palavras de ordem para um novo modelo de trabalho serão Atitude e Empreendedorismo para que a oportunidade de trabalho encontre-se com quem deseja trabalhar! Você, leitor, como vê o futuro do trabalho e seus desafios? Deixe seu comentário e vamos discutir o tema.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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