Não sei se nesse meandro da Copa e futebol você, caro leitor, teve oportunidade de acompanhar o novo round da crise Argentina.

Só para lembrar, ainda nessa semana que passou a presidente Cristina Kirchner, por ocasião do Dia da Bandeira, em cadeia nacional de comunicação, se mostrou mais comedida em seu discurso ufanista, abrindo espaço para negociação, e sem as frases de efeito típicas dos últimos tempos.

Já na semana passada, o Ministro das Finanças disse não ter condições de pagar os credores que aceitaram a renegociação em 2001, em função da decisão em instância inferior à Corte Suprema americana.

Isso porque se o pagamento fosse efetuado, haveria arresto dos recursos pelo bloqueio dos holdouts que não aceitaram a renegociação com forte deságio naquela época.

Assim, os chamados “fundos abutres” seriam beneficiados e tecnicamente teriam inviabilizado a reestruturação da dívida argentina. O montante poderia atingir cerca de US$ 1,5 bilhão.

Esse, na verdade, é só mais um capítulo de um país cheio de problemas na área econômica que, em outras épocas, conseguia afetar a economia brasileira. Lembram que no passado a capital do Brasil era confundida com Buenos Aires? Pois bem, isso não existe mais, mas é claro que o Brasil ainda absorve efeitos em sua economia.

Basta citar todos os exemplos pinçados da indústria automotiva e também da linha branca. Afinal, a Argentina sempre foi parceira comercial importante do Brasil e com forte posição no Mercosul, que muito atrapalha nossas negociações externas.

Apesar disso, e de todos os problemas comerciais, dessa feita não há risco sistêmico com os problemas vividos pela Argentina. Não há risco de contaminação maior para o Brasil como o que ocorreu lá na virada do século.

Hoje, os investidores já não confundem a Argentina com o Brasil e conhecem perfeitamente os riscos envolvidos em ambos os países. Temos problemas sim, mas estamos ainda muito longe da situação ruim de nossos vizinhos.

Por aqui, nesse momento, há clara deterioração dos dados de conjuntura, mas em nenhum momento, nem por hipótese, foi questionado o pagamento de títulos vincendos. Nosso nível de risco é e deveria ser bem melhor que o da Argentina, em que pese a elevação do endividamento nos últimos tempos.

Mesmo no plano econômico, a situação argentina é pior. O país possui ineficiências graves, teve redução de 0,2% no PIB do primeiro trimestre, tinha (ou ainda tem) discursos ufanista e pouco amigável com credores e investidores, a inflação é completamente mascarada e os problemas cambiais ocorrem com frequência.

Em resumo, exceto por alguma redução na atividade comercial e alguns problemas que empresas brasileiras possam ter em seus investimentos na Argentina, não há grande possibilidade de contágio.

Assim, segundo nossa crença, achamos que é positiva a ampliação do nível de risco no mercado local, acreditando que a recuperação econômica global irá ajudar na melhor precificação dos ativos.

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Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto “Brazil and Argentina”, Shutterstock.

Alvaro Bandeira
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