Crise econômica: oportunidade para o Brasil baixar os jurosA semana passada foi marcada pelos extremos. Na segunda-feira, o mercado financeiro viveu momentos de pânico com a diminuição do rating dos EUA realizada pela Standard & Poor’s. Ao mesmo tempo, a situação na Europa também preocupava o investidor. Se já havia conhecimento de que Grécia, Portugal, Espanha estavam com grandes dificuldades, a França também começou a ser olhada com certa preocupação.

A semana foi caminhando e, aos poucos, a crise foi sendo compreendida de uma maneira menos dramática (pelo menos nesse momento). Existe a compreensão por parte de muitos de que o crescimento econômico mundial continuará pequeno, mas insuficiente para nos levar para o abismo. Fala-se em recessão, mas não em depressão.

O Brasil está preparado para a “nova” crise?
Aqui no Brasil, a presidenta Dilma Rousseff e os componentes da equipe econômica se apressaram em garantir que estamos aparelhados para atravessar com tranquilidade esse momento de turbulência. Os dados econômicos do país merecem atenção: se não são perfeitos (e não são!), podemos considerá-los relativamente bons se comparados com a maior parte dos países.

Talvez a crise seja na verdade a grande oportunidade que o Brasil necessitava de atacar um problema antigo: os altos juros. A crise poderá conter os preços internacionais e jogar nossa inflação para os percentuais desejáveis, dentro da meta – o que abre espaço para juros consistentemente mais baixos, hoje e no futuro.

A queda nas taxas pode trazer diversos desdobramentos importantes para nossa economia. A questão do câmbio, muito falada recentemente, pode ser uma das áreas afetadas positivamente, contendo os apelos da indústria, que se vê totalmente perdida e sem competitividade diante dos produtos importados e dos baixos ganhos com as exportações.

A oportunidade para baixar os juros
Na quinta-feira passada, o jornal “O Estado de São Paulo” publicou uma entrevista com Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central (BC), que vai de encontro com essa expectativa. José Paulo Kupfer, economista e blogueiro do Estadão, analisou e deu sua opinião sobre a entrevista no texto “Oportunidade na crise”. Kupfer afirmou:

“Os desdobramentos práticos desse diagnóstico não dão margem a dúvidas. O Brasil deveria, desta vez, compensar possíveis efeitos negativos da crise global no nível de atividades com uma ação expansiuonista de política monetária, mantendo contido o lado fiscal”

Fico curioso para saber por que, quando esteve à frente do BC, Henrique Meirelles não agiu de forma mais incisiva na questão de baixar mais os juros. Suas decisões e atuações foram sempre bastante conservadoras.

A crise sem dúvida representa alguns (grandes) desafios à economia global e ao Brasil. O futuro pode reservar inúmeros perigos, mas não dá para negar que possuímos hoje bases consolidadas e muito melhores para transformar dificuldades em oportunidades. Pode ser que a crise prejudique o crescimento no curto prazo, mas aproveitá-la para colocar em prática medidas de interesse nacional pode ser algo inteligente a se fazer.

Os juros deverão cair, é fato. Mas quanto? Por quanto tempo? Veremos…

Até a próxima. Foto de sxc.hu.

Ricardo Pereira
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