Célia comenta: “Navarro, meu marido está muito preocupado com a possibilidade de perder o emprego e a questão financeira acabou se transformando em um assunto bastante pesado em casa. Discutimos muito sobre isso e precisamos enfrentar a situação de forma mais prática e inteligente. O que fazer? Como agir? Obrigada”.

É visível que a maioria dos casais não tem um planejamento financeiro no seu dia a dia. Alguns destes casais simplesmente não fazem o orçamento por falta de hábito e disciplina, mas outros, por sua vez, têm medo de enfrentar suas contas e se frustrarem com a realidade dos números.

Como lidar com as dificuldades financeiras no casamento?

Quando se trata de um casal ou uma família com filhos, a situação em uma crise tendo a se tornar ainda pior, já que os custos aumentam e o descontrole nos gastos pode se transformar em dívidas e em situações de desgaste emocional e familiar. Veja a seguir algumas sugestões para enfrentar a crise financeira no casamento:

1. Monte um orçamento familiar em conjunto

Antes de montar um plano de ação para saber como economizar e onde é possível poupar, é necessário ter em mãos um bom retrato das finanças familiares. Sente com seu cônjuge e escreva, preferencialmente num caderno em uma planilha específica para as finanças, todos as receitas (salário, bônus, aluguéis etc.) e despesas (variáveis e fixas).

Com estes itens em mãos, façam, juntos, uma estimativa do valor gasto em cada uma delas e tente estabelecer um limite para os gastos dos próximos 30 dias para determinadas categorias. Anote todos os gastos realizados pela família todos os dias, durante um período de 30 a 90 dias. Com este histórico em mãos, tire uma média dos gastos reais e refaça o orçamento, analisando os valores previstos anteriormente.

Lembre-se: faça essas análises com toda a família envolvida e participando da conversa. Com os dados reais de gastos e padrão de vida, é possível observar se e onde está ocorrendo descontrole, bem como encontrar maneiras de gastar melhor o dinheiro, de forma que as entradas sempre sejam maiores do que as saídas, sobrando dinheiro para investir.

Gosto bastante de um texto escrito pelo Ricardo Pereira que trata de como manter a unidade financeira do casal (clique para ler mais).

2. Estabeleça alguém para cuidar das finanças

Este item é um dos mais importantes para se resolver a vida financeira de um casal, e também é bastante controverso. É complicado manter um orçamento familiar quando os dois têm acesso a tudo e, principalmente, quando os dois decidem controlar a vida financeira da família.

Atenção: estou dizendo que é importante que a família participe, mas não adianta duas pessoas tomarem decisões diferentes em relação ao dinheiro da família; isso não funciona. Portanto, bom senso na hora de definir regras e responsabilidades e na divisão de tarefas em torno do orçamento.

Escolha aquele que tenha mais disciplina na gestão e no controle dos gastos, e este funcionará como uma espécie de gestor das finanças. Perceba que ele não é responsável por decidir o que fazer com o dinheiro, uma vez que isso sempre deve ser definido de acordo com as prioridades da família como um todo. Seu papel é zelar pelo controle financeiro e ajudar neste sentido.

Criar este ambiente evita muitos problemas, principalmente quando o casal tem conta conjunta e quando os dois têm acesso a todos os recursos. Reforço que é preciso haver muita humildade, bom senso e respeito às prioridades, já que as decisões devem ser tomadas para o bem do casal e da família.

3. Mantenha o diálogo durante todo o processo

O gestor das finanças do casal, mesmo tendo papel de destaque no controle da vida financeira, deve sempre apresentar suas opiniões e os dados consolidados para os demais integrantes da família, mostrando suas decisões e seus relatórios de forma sistematizada e frequente.

A ideia é alimentar o diálogo em torno das finanças, permitir que sejam tomadas decisões que agradem ao grupo e também que cultivar a transparência entre o casal, evitando possíveis discussões em relação às medidas tomadas e/ou administração dos recursos.

Outra questão que precisa ser abordada com afeto, cordialidade e muito diálogo diz respeito aos planos familiares em relação às viagens e seus gastos, compras parceladas, festas em família e gastos pessoais supérfluos; tudo isto deve ser discutido de forma natural entre o casal e colocado no planejamento financeiro.

Atente para algo que é essencial no relacionamento: não deve existir individualismo, mas respeito à individualidade. Para entender melhor o dilema da individualidade, clique e leia este artigo.

4. Não deixe as emoções tomarem conta

O dinheiro não combina com emoção. Brigas, discussões, problemas familiares e opiniões divergentes podem não só causar transtornos no dia a dia, como fazer um verdadeiro estrago nas finanças; é muito comum ver gente gastando somente para “provar” ao outro que ainda tem algum controle sobre sua vida. Isso é bobagem!

Nunca, jamais, tome decisões envolvido em muita emoção. Se quiser comprar algo, veja o valor e, antes de comprar, deixe passar um ou dois dias para analisar com mais calma. Você provavelmente perceberá que aquela emoção de alguns dias antes provavelmente empurraria você para uma escolha equivocada. Por outro lado, se passados alguns dias você não tirar aquilo da cabeça, compre sem firulas.

Procure viver de maneira mais simples, sem se preocupar com o que outras pessoas irão pensar ou falar sobre suas decisões ou aquilo que você (ou deixa de ter). Prefira admitir que no médio e longo prazo você poderá usufruir de suas conquistas se souber plantar corretamente agora. Eu sempre acreditei que controle financeiro se faz com amor, inclusive escrevi um longo texto sobre isso (clique e leia).

Conclusão

Para lidar com a crise financeira no casamento é preciso planejamento, diálogo e muita disciplina para enfrentar as dificuldades de maneira objetiva. O principal aspecto para iniciar e lidar com esta realidade de forma transformadora é a humildade.

Desarme-se para entender e compreender o outro e lembre-se que vocês escolheram estar juntos e iniciar uma família. Controle seu ego, abra mão da razão e dê a oportunidade de a família construir um diálogo franco em torno do dinheiro, valorizando-o como ele realmente deve ser: um instrumento de qualidade de vida e liberdade.

Se você tem outras sugestões para ajudar casais a lidarem melhor com suas finanças, deixe-as no espaço de comentários abaixo. Obrigado e até a próxima!

Foto “Happy couple”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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