Crise na Grécia: hora de repensar também o BrasilMais uma crise começa a se desenhar no horizonte financeiro. Para nós, mais uma vez uma crise “importada”, se me permitem a expressão incomum. Afinal, a globalização[bb] que permite o comércio entre países e consumidores de todo o mundo também interliga o sistema financeiro de forma bastante complexa. Se preferir, o que acontece lá pode interferir por aqui. Então, será que a chamada crise grega vai nos atingir?

Provavelmente sim, mas não será um desastre. Ela vai nos atingir principalmente no mercado de capitais, já que a agitação e o medo levam os investidores a buscarem aplicações mais seguras. Se há turbulência e indecisão, muitos migram para mercados de renda fixa (inclusive seduzidos pelo aumento da taxa Selic) ou mesmo para títulos do tesouro americano, regra número um do grande investidor internacional. É o chamado “flight to quality” no jargão econômico.

O que o Brasil, de fato uma nação que passa por um bom momento econômico, pode tirar de lição desse evento que nasceu há algum meses atrás e explodiu na Grécia, conhecida como o berço da democracia?

Entendendo a crise na Grécia
É natural que, em momentos de crise, o governo abra mão de seu poderio. Isso acontece pois se teme que, através de uma recessão prolongada, haja aumento do desemprego – e todos os problemas que esse evento pode causar. Por causa disso, a Grécia optou por uma grande renúncia fiscal e o governo aumentou sobremaneira os gastos públicos.

Como pode perceber, se por um lado as receitas diminuíram, por outro os gastos aumentaram. Você deve estar pensando que se um cidadão comum compromete suas receitas e gasta além da conta, em breve terá grandes problemas. Com os governos, também não é diferente: uma hora a bomba-relógio criada por essa situação explode.

Podemos dizer que, durante anos, o governo grego não tomou algumas providências necessárias e agora a bomba explodiu. Sobrou para o povo pagar a conta, arcando com aumento nos impostos, redução de salários e corte de gastos justamente nesse momento de recessão.

Mais por vir?
As más línguas dizem que a Espanha pode estar indo pelo mesmo caminho, noticia amplamente negada pelo Primeiro Ministro José Luis Zapatero, que acrescenta que o país irá reduzir o déficit em 3% até 2.013. A ajuda já está aprovada para a Grécia, mas economistas renomados já começam a apontar o fim do Euro caso a Espanha também entre “na dança”. Esta questão merece muita atenção!

Mesmo percebendo que as condições do país são melhores do que as de seus vizinhos gregos, o medo preocupa. Simplesmente porque o PIB (Produto Interno Bruto) espanhol é praticamente quatro vezes maior do que o grego. Ora, com essa dimensão, uma crise poderia trazer desdobramentos terríveis.

Vivendo e aprendendo
Do lado de cá, mais uma vez vale lembrar da necessidade de uma gestão que priorize a eficácia do funcionalismo e não o inchaço da máquina federal. Não queremos destino semelhante, não é mesmo? Se por aqui a crise passou, é importante que medidas surjam para preservar o potencial de desenvolvimento de nosso país. Acredite, a hora de pensar em reformas é quando tudo vai bem.

É importante que sejam planejadas e executadas as reformas fiscal e das leis trabalhistas, com objetivo de aumentar nossa competitividade[bb]. Não podemos nos esquecer da questão da Previdência Social, que está se tornando uma de nossas primeiras bombas-relógio já ativadas, com dia e hora já praticamente definidos para a detonação.

Você pode estar lendo este artigo com desconfiança ou mesmo sem entender ao certo meu ponto de vista. Explico. O assunto é ácido e tem potencial para mudar nossas vidas, então vejo a oportunidade como um verdadeiro alerta para começarmos a olhar para nosso umbigo. É simples: o Brasil precisa avançar nessas questões se não quiser ser engolido no futuro por uma situação semelhante ao que vemos, horrorizados, pela TV[bb] e nos jornais.

Essa é uma reflexão que começa conosco é que precisa chegar até o governo, como mostra outra lição da Grécia: esse é o papel do povo na verdadeira democracia.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Ricardo Pereira
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