Você já ouviu falar em Crowdfunding imobiliário? Trata-se de uma forma de investir diretamente na construção de um empreendimento através do uso de tecnologia e modernos conceitos de economia compartilhada. Através dele, o pequeno investidor consegue acessar investimentos que antes eram restritos a pessoas ou entidades que concentravam altas cifras e, assim, obtinham taxas de rentabilidade muito interessantes. Ao mesmo tempo, o empreendedor consegue se financiar a um custo de capital mais baixo e por meio de um processo ágil e desburocratizado.

Para entender mais sobre o assunto, conversamos com Maurício Carrer, head de negócios da Glebba, que recebeu a homologação para operar pela CVM em março de 2018 e lançou sua primeira captação em julho.

Pode nos contar um pouco de sua trajetória profissional até se tornar head de negócios da Glebba?

Maurício: Desde minha formatura pela (FAU) Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo) há mais de dez anos, meu foco de trabalho esteve no mercado imobiliário, com passagem pelas maiores incorporadoras e loteadoras do Brasil.  Neste período, desenvolvi e implementei empreendimentos em todas as regiões do país, desde a prospecção de áreas até a entrega aos proprietários. Durante este período, fui capaz de identificar oportunidades de negócio em meio à cadeia de produção imobiliária que poderiam ser atendidas através da tecnologia. Desta forma surgiu a Glebba.

Como são escolhidos os projetos?

Maurício: O processo de escolha dos empreendimentos é bastante rigoroso e passa por um comitê de curadores que operam no mercado imobiliário. São analisados pontos como estrutura societária, regularidade perante aos órgãos públicos, registro em cartório, fit de mercado e histórico de entregas do empreendedor.

Qualquer pessoa pode participar? Qual o perfil do público-alvo?

Maurício: Podem participar pessoas físicas com CPF regular no Brasil. O público-alvo é variado, mas majoritariamente investidores entre os 22 e os 35 anos de idade.

 Os valores de investimento variam? Há um mínimo para quem quer começar?

 Maurício: O investidor comum pode investir até R$ 10 mil por ano, ou 10% de sua renda bruta anual ou 10% de investimentos, o que for maior entre os dois. Investidores qualificados não possuem limite. Cada oferta possui um valor mínimo de investimento.

 Os valores de retorno variam? Quais os riscos envolvidos?

 Maurício: A rentabilidade projetada varia para cada oferta. Os riscos são os de performance do empreendimento vender as unidades no prazo e valores projetados para a oferta. Adicionalmente, para evitar outros riscos e garantir o compliance, temos uma solução para combater crimes financeiros na plataforma, como um Background Check. A tecnologia faz uma busca dos antecedentes de todos os usuários no momento em que eles se cadastram.

O resultado desse ‘pente-fino’ leva alguns segundos. Com isso, a Glebba consegue saber se o cliente é investigado por crimes no Brasil e no exterior, inclusive se é procurado pela Interpol. Para assinatura dos contratos de investimentos, que são enviados por email, utilizamos assinatura eletrônica com criptografia, o que evita fraudes.

Há diferença entre crowdfunding imobiliário e fundo imobiliário? Pode explicar para quem está começando no segmento?

Maurício: Há diferenças. A maior delas é de que os dos fundos de investimentos imobiliários (FIIs), em sua maioria, são focados na geração de renda, com uma carteira de imóveis para locação, por exemplo. O investidor recebe o percentual desta renda correspondente a sua cota. Ele não tem data para a saída da operação, pode ficar com a sua cota por tempo indeterminado. Outro ponto é de que as cotas podem ser negociadas em bolsa. Em um FII, o investidor fica exposto à variação do valor da cota, que pode valorizar ou desvalorizar, como uma ação.

Já investimento em crowdfunding geralmente é voltado para a fase de produção do empreendimento, apesar de que outros modelos como renda também são possíveis. Neste tipo de investimento, há um prazo determinado para que o valor investido e rentabilidade sejam devolvidos ao investidor. Como a construção do empreendimento é a etapa onde a necessidade por capital é mais ostensiva, as rentabilidades neste tipo de investimento costumam ser superiores às encontradas nos fundos, sem o risco de oscilação do valor das cotas.

Quais as vantagens de se participar de um crowdfunding imobiliário?

Maurício: A principal vantagem é diversificar a carteira de investimentos com base em ativos imobiliários que apresentam uma rentabilidade muito superior a investimentos de renda fixa tradicional.

Pode nos dar algum exemplo de projeto já atendido ou que está recebendo investimento?

Maurício:“Recentemente captamos para o empreendimento “Canions Residence Marina”, um condomínio de lotes às margens do Rio São Francisco, em Piranhas (AL). Os recursos serão empregados para a execução das obras de infraestrutura.

Como enxerga o panorama do setor imobiliário no Brasil para o curto e médio prazo? O que podemos esperar?

Maurício: Acredito que podemos esperar por uma retomada do mercado imobiliário após a crise dos últimos anos, o que vai demandar recursos financeiros para a produção de diversos novos empreendimentos em todo o país. O crowdfunding imobiliário com certeza terá um papel de destaque neste cenário de produção imobiliária nacional.

Redação Dinheirama
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