A situação econômica no País tem ajudado a popularizar os sites de crowdfunding. Apesar do nome complicado, a ideia é simples: o intuito é funcionar como um site de financiamento coletivo.

Dessa forma, várias pessoas que se identificam com o seu projeto podem contribuir financeiramente para que ele saia do papel. Desde que se tornaram novidade no Brasil, há cerca de 5 anos, essas plataformas contabilizam um número crescente de usuários e projetos.

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Promessa que virou realidade

Segundo Luisa Rodrigues, fundadora do site Benfeitoria, o crowdfunding se consolidou como uma alternativa real de fomento a projetos, que preenche uma lacuna deixada pelos editais públicos e patrocínios de empresas.

“Muitas pessoas/ONGs/iniciativas/projetos que antes tinham alguma outra fonte de financiamento, com os cortes de bolsas e redução de verba de patrocínio acabaram recorrendo ao crowdfunding para continuar existindo”, explica Luisa.

Além disso, com a restrição do credito, a tendência é que esse mercado se fortaleça ainda mais, pois se mostra uma alternativa rápida e simples, sem depender de grandes players do mercado financeiro.

A plataforma Benfeitoria completou 5 anos em abril e totalizou 700 projetos de impacto viabilizados, o que representa R$ 11 milhões, a partir da colaboração de 70 mil pessoas. “Ano a ano viemos dobrando o número de projetos publicados e a previsão é que o fluxo siga assim em 2016. Só nesse ano já arrecadamos quase R$ 1,5 milhão para projetos”, conta Luisa.

Outro site de apoio coletivo a projetos que também tem tido crescimento relevante é o Kickante. Fundada em outubro de 2013, a plataforma já alcançou mais de 25 mil campanhas lançadas, totalizando mais de R$ 28 milhões arrecadados. Só no último ano foram lançadas mais de 18 mil campanhas, arrecadando mais de R$ 18 milhões.

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Para Candice Pascoal, presidente da Kickante, tais números mostram que o financiamento coletivo já é uma realidade no país. “Os dados confirmam que estamos no caminho certo, seguindo a estratégia que é nossa meta desde o início: permitir que todo brasileiro tenha a possibilidade de realizar seu sonho por meio do financiamento coletivo”, comemora.

Há muito espaço para crescer

Apesar dos bons resultados, a avaliação é que há muito a ser explorado nesse mercado, principalmente, porque o segmento da população brasileira que conhece o crowdfunding ainda é composto pelos primeiros adeptos. “Temos uma longa estrada até atingirmos a maioria da população”, diz Luisa, da Benfeitoria.

De acordo com o advogado Vinicius Maximiliano Carneiro, autor do livro “Dinheiro na Multidão – Oportunidades X Burocracia no Crowdfunding Nacional”, o mercado de financiamento coletivo no Brasil ainda é bastante novo e está adquirindo adeptos na medida em que as mídias começam a sinalizar projetos de sucesso e campanhas de interesse do público em geral.

Um pouco disso se dá ainda pela falta de conhecimento e informação sobre o que é o crowdfunding, como fazer, o que pode e o que não pode, falta de regulamentação legal específica e riscos dos projetos que não sejam bem-sucedidos.

“Devemos somar a tudo isso o fator cultural dos brasileiros, que ainda são bastante receosos com as movimentações financeiras na internet. Apesar de sermos bastante conectados, a parcela da população que se dispõe a efetuar doações ou pagamentos pela rede ainda é pequena”, avalia Vinicius.

Oportunidades

No Brasil, o mercado cultural ainda é o que reúne maior número de colaboradores e doadores. Porém, o mercado de equity (para startups) e o de investimento imobiliário mostram-se os maiores arrecadadores por projeto, ou seja: menos pessoas, porém com um ticket mais alto.

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“Além disso, há os projetos para pré-lançamento de produtos inovadores e os projetos na área social, que são muito bem vistos pela comunidade e costumam promover arrecadações recordes”, diz Carneiro. Nessa categoria, um dos maiores até hoje foi o Santuário Animal (para animais abandonados), realizado pela Kickante, com mais de R$ 1 milhão arrecadado.

Para obter sucesso em uma campanha, a melhor estratégia é fazer um bom planejamento. “Captar via crowdfunding exige muito esforço, tanto em divulgação quanto em relacionamento. Na Kickante, oferecemos apoio e acompanhamento, mas a dedicação e o esforço são constantes e diários e precisam partir dos criadores das campanhas”, ressalta Candice.

Também é necessário que o criador dedique um tempo do seu dia para divulgar a campanha (em redes sociais, para familiares e amigos, por e-mail etc.). “Por todo o período em que a campanha estiver no ar, é preciso foco e um tempo diário para a divulgação”, explica.

Recompensas e transparência

Outra questão importante são as recompensas: campanhas de sucesso oferecem boas recompensas. “O produto ou serviço com um preço exclusivo, por exemplo, já é um chamariz para despertar o interesse. Além disso, é sempre importante que a campanha tenha boas imagens e um texto bem explicativo, para que o colaborador entenda o objetivo da arrecadação”, afirma.

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Segundo Carneiro, um dos maiores erros que os criadores de projetos cometem (e que consequentemente levam a falha na arrecadação) é a falta de comunicação constante com seus doadores e a falta de transparência no uso do dinheiro ou do andamento do projeto. “Transparência é a palavra forte do crowdfunding, e sem ela, novas tentativas de arrecadação provavelmente não serão bem-sucedidas”, destaca.

Isabella Abreu
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