Olha o gerente ai!“Lá vem o Navarro de novo”. Calma, eu sou um cara bonzinho. Ainda assim muitos gerentes não gostam de mim. Paciência. Eu tenho minhas metas, eles têm as deles. Eu tenho meus objetivos, eles também. Um dos meus objetivos é criar, em todos os meus leitores, uma “consciência financeira” forte o suficiente para tirá-los das mais variadas armadilhas. Percebi que, em determinados momentos do ano, o objetivo de quase todos os gerentes é justamente o oposto. Eles passam a oferecer tais armadilhas como excelentes produtos e é nessa hora que meu e-mail começa, literalmente, a “bombar”. Não, bancos não mandam e-mail. Neste caso, são suas “vítimas”.

Títulos de capitalização, empréstimos bancários, linhas de crédito, pacotes bancários exclusivos, informações da conta pelo celular, atendimento diferenciado etc. Poderia preencher todo o parágrafo com “produtos magníficos” e que supostamente farão sua vida “muito” melhor. Em tempo, é certo que existem gerentes justos, honestos e preocupados com seu dinheiro. Normalmente, e infelizmente, estes são aqueles que atendem em unidades e prédios exclusivos onde o seu cartão, e o meu, não passam. Brincadeiras a parte, cuidado!

Um diálogo vai ajudar a ilustrar um fato recente:

Gerente (G): Boa tarde Sr. Fulano, aqui é o Sr.Gerente da sua conta, do Banco Perfeito. Tudo bem com o senhor?
Cliente (C): Boa tarde Sr. Gerente, tudo bem sim.
G: Pois é Fulano, estou ligando porque gostaria de colocar o banco à sua disposição e ter a oportunidade de conversar sobre alguns produtos muito interessantes. Na verdade, sobre um produto em particular.
C: Verdade Sr. Gerente? Obrigado pela ligação, fique à vontade, agora é um bom horário para conversarmos.
G: Então. Temos uma oportunidade única de oferecer crédito aos nossos clientes, usando uma taxa muito abaixo da praticada no mercado.
C: Legal, agradeço pela gentileza Sr. Gerente, mas eu tenho quase R$ 30.000,00 em aplicações e na caderneta de poupança. Por que eu precisaria de crédito, podendo usar este meu dinheiro aplicado?
G: Sr. Cliente, veja bem. Você não precisa descapitalizar suas aplicações. Isso não é ótimo? O Sr. estará pagando uma taxa mensal de apenas 1,4%, sem a necessidade de mexer no que tem aplicado. Deixa aquilo quieto para o futuro e ainda assim garante a realização de seus sonhos. Que tal?
C: Hummm, deixa eu ver se entendi. Você quer pegar o meu dinheiro guardado na caderneta de poupança, que rende perto de 0,6% ao mês, e emprestá-lo pra mim, cobrando uma taxa de 1,4%? De novo, eu pego o meu dinheiro emprestado e ainda pago 1,4% a vocês? Parece mesmo um “ótimo” negócio. Agradeço sua ligação e sua atenção. A propósito, você deve ser um gerente recém chegado a esta agência, estou certo? Não entendo porque tantos gerentes entram e saem desta agência.
G: Ah… Eh… Sim Sr. Cliente, sou novo por aqui.
C: Pois bem, se você não sabe como um banco funciona, eu sei. Desejo-lhe votos de bons negócios. Até porque seus “bons negócios” geram bons negócios pra mim! Sucesso! Até logo.
G: A..a..até logo Sr. Cliente. Obrigado pela atenção.

Que tal? Você já recebeu ligações assim? Pois é, um excelente negócio não é mesmo? Você pega o seu dinheiro emprestado e ainda paga por isso? Não sabia disso? Acorde, isso é um banco. Entendeu porque educação financeira é importante e influencia diretamente seu fluxo de caixa? “Ah Navarro, é ruim de eu cair num golpe desses”. Golpe? Difícil? Então tá legal. Eu finjo que acredito e você finje que me engana. Ou você não acredita que as pessoas muitas vezes preferem pegar “emprestado” um dinheiro a mexer na “sagrada poupança” do filho? São milhões e milhões de brasileiros fazendo isso todo mês, todo ano, acredite!

Você tem alguma história similar para contar? Quer dar seu depoimento e deixar registrado algum episódio que o fez sentir-se um verdadeiro idiota? Mande seu testemunho para mim. Que tal alertar pessoas que, como você, também já foram vítimas das “boas intenções” deste pessoal? Dirija sua mensagem para [email protected] e passe adiante esta mensagem. Ah, e se o telefone tocar, esteja preparado. Outra coisa, de boas intenções o inferno está cheio né?

Conrado Navarro
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