Recentemente estive em viagem aos Estados Unidos, especificamente na cidade de Chicago. Essa foi minha segunda ida para os EUA, mas fiquei fascinado como se fosse a primeira. Foram 8 dias repletos de experiências inesquecíveis (incluindo a temperatura de 15 graus célsius negativos, é claro).

Cuidado: o seu poder de compra corre perigo!

Esse poderoso país é detentor de um PIB da ordem de US$ 14 trilhões, sendo o maior comprador do mundo, com suas parcerias econômicas envolvendo diversos países. É uma das economias mais abertas do planeta, com pouquíssimas intervenções do Estado sobre ela (difícil não sentir inveja desta parte).

Para um observador como eu, chega a ser cansativo perceber tantas diferenças entre os americanos e nós. Óbvio que há diversos pontos positivos e negativos nestas análises, mas pensando em finanças, algo me chamou mais a atenção: o poder de compra.

Você pensa nisso? Na sua capacidade de adquirir bens e serviços com o dinheiro que você recebe? Não é uma questão de se ganhar mais ou menos, mas sim de considerar o que você é capaz de comprar com uma determinada quantia.

Leitura recomendada: Carros mais baratos no Brasil do que nos Estados Unidos? Será?

Gosto de carros e talvez você também goste. Vamos a um exemplo envolvendo renda e carros. Que tal uma família que ganha R$ 5.000,00 no Brasil? É uma boa renda familiar, na sua visão? Essa família pertenceria à chamada classe C (que recebe entre 4 e 10 salários mínimos), segundo o IBGE.

Se esta família precisasse adquirir um veículo para facilitar seus deslocamentos, é bastante razoável pensarmos que um automóvel no valor de R$ 25.000,00 seria uma compra sensata dentro dessa faixa de renda. Agora pense em que tipo de veículo você compraria por este valor?

Que tal um Honda Fit 2008, um Civic 2006 ou um Accord 2005? Sim, estou aprendendo (ainda que tarde) a gostar dos japoneses. E uma CR-V zero quilômetro? Opa! Aí não, afinal estamos falando de um carro de R$ 140.000,00.

Pois é… Mas lá em Chicago, podemos comprar um CR-V zero por US$ 25.000,00 (aqui não estou incluindo os impostos, que giram em torno de “exorbitantes” 10%). Ah, sim, saiba que uma família ganhar U$ 5.000,00 por lá não é nenhum feito fantástico – isso é pouco mais que a renda média familiar americana.

Repare que estou falando de reais aqui e dólares lá. Sim, são moedas diferentes, mas o que você precisa pensar neste exemplo é apenas poder de compra na moeda local do país. Em outras palavras, o que cada cidadão (o brasileiro e o americano) consegue comprar com seu salário, em seu próprio país.

Essa diferença no preço dos bens de consumo chamou minha atenção. Fiz algumas análises com imóveis também, mas o resultado variou muito. Neste caso, dependendo da localização e tamanho, parece haver uma semelhança no poder de compra em relação ao nosso. Mas se você fosse financiar por lá, aí as vantagens aparecem, pois as taxas de juros são muito baixas.

Nos alimentos e eventos de lazer, o poder de compra do americano também é muito superior. Visitei o Chicago AutoShow 2016 pagando US$ 12,00 a entrada (pouco mais de uma hora de trabalho de um americano). O Salão do Automóvel no Brasil, nos dias úteis, custou R$ 60,00 em sua última edição, em 2014 (mais de 10 horas de trabalho de um brasileiro).

Cuidado: o seu poder de compra corre perigo!

Aliás, este é o novo Civic. O modelo EX-L w/Navi Sedan também custa U$ 25.000,00 (sem os impostos).

Falando em carros, e a gasolina? Encontramos por US$ 1,90 em média o galão (que equivale a 3,78 litros), ou seja, US$ 0,50 o litro (calma, não chore).

Leitura recomendada: Por que a gasolina no Brasil é tão cara?

Volto a frisar: quando comparamos poder de compra entre diferentes países, não devemos levar em consideração o câmbio. Afinal, se você vivesse lá, iria receber na moeda local e realizar suas compras de igual forma. O importante neste exercício é comparar as diferenças entre as economias e refletir sobre os motivos que levam à tamanhas diferenças.

A maior economia do planeta sofre pouquíssimas intervenções do Estado. Uma de minhas preocupações com a crise instalada no Brasil é a sutil diminuição do poder de compra do brasileiro. Algo que vai acontecendo diariamente, em doses homeopáticas, e quando nos damos conta, já não conseguimos mais usufruir de bens e serviços que até então estavam ao nosso alcance.

Levando isso em conta, e sabendo que teremos anos difíceis pela frente, procure considerar o quanto antes essa realidade em seu orçamento familiar. Se possível, procure fontes alternativas de renda que ajudem a suprir essa corrosão no poder de compra. Verifique também alguns itens de seus custos fixos mensais que poderiam eventualmente serem reduzidos ou até eliminados.

Proteja seu dinheiro poupado com aplicações indexadas à inflação, como os títulos públicos Tesouro IPCA. Seja moderado com seus impulsos de consumo. O momento é de cautela; na dúvida, não compre!

eBook recomendado: Invista sem medo em títulos públicos

Por fim, se você gosta de falar inglês, tem uma quantia razoável de dinheiro poupado e gosta de grandes aventuras, há um outro modo de melhorar o seu poder de compra…

Cuidado: o seu poder de compra corre perigo!

Um abraço e até a próxima!

Foto “sad shopping”, Shutterstock.

Giovanni Coutinho
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários