No início de janeiro, a construtora OAS, uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, deixou de pagar um total de US$ 16 milhões em juros das debêntures que emitiu com vencimento em 2021.

O evento trouxe à tona o risco de investir em títulos de crédito privado ou em fundos que compram estes ativos. Por isso, neste post vou abordar os cuidados que devem ser tomados quando se investe em crédito privado.

Antes de começar, é importante que fique claro o que são os títulos de crédito privado e quais são as suas principais características.

O que são títulos de crédito privado?

As empresas e bancos precisam de dinheiro para desenvolver projetos e expandir seus negócios. Existem duas formas das instituições captarem recursos para estes fins: fazer uma oferta de ações na bolsa de valores ou emitir títulos.

Desta forma, os títulos emitidos por empresas privadas são classificados como títulos de crédito privado. Também são qualificados por agências especializadas como de maior ou menor risco conforme as condições econômicas e financeiras do emissor para honrar suas obrigações nos prazos definidos.

Quanto maior o risco de crédito do emissor, melhores são as taxas de remuneração que ele oferece aos seus investidores e vice-versa. Os títulos de crédito privado mais conhecidos são os CDBs, as letras de crédito (LCI e LCA) e as debêntures.

Risco de crédito

O risco embutido nos títulos de crédito privado é o risco de crédito, ou seja, a possibilidade de o emissor não ter capacidade de honrar seus compromissos, seja não pagando os juros definidos na emissão do título, seja não pagando o valor que foi inicialmente investido, na data do vencimento.

As várias notas de qualidade de crédito

Com o objetivo de orientar os investidores, agências de rating independentes, como Standard & Poor´s, Moody´s e Fitch, atribuem notas de risco para os emissores de títulos de crédito privado com base nos dados do balanço e resultados de cada empresa.

Essas notas não são definitivas e eventuais ocorrências podem gerar alterações para melhor ou pior. Cada agência de rating pode adotar uma escala diferente de notas, mas, de forma geral, a nota mais alta é a AAA (triplo A) e é dada aos emissores com menor risco de crédito. Já a nota mais baixa costuma ser a D, atribuída aos emissores inadimplentes. As notas da Standard & Poor´s, por exemplo, entre AA e CCC podem ser modificadas pelo sinal (+) ou (-).

As notas de AAA até BBB- são classificadas como grau de investimento, pois são atribuídas às empresas ou bancos que apresentam ótima ou boa capacidade para honrar compromissos financeiros.

As demais notas são classificadas como grau especulativo e atribuídas aos emissores em condições mais vulneráveis, como empresas ou bancos que dependem de boas condições financeiras, de negócios e econômicas para cumprir o que foi acordado com os investidores.

A importância da nota de crédito

Até os anos de 1990, a análise de crédito era vista mais como arte do que como ciência, pois faltavam metodologias para quantificar adequadamente os níveis de risco corporativos. Hoje essa área evoluiu muito.

Atualmente, existem várias estatísticas que mostram que os títulos de crédito privado classificados como grau de investimento têm níveis de inadimplência reduzidos. Entretanto, é observado que estes níveis aumentam quanto menor a nota de risco da instituição.

Quando um emissor se torna inadimplente, a perda do investidor pode chegar a 100%, ou seja, a perda do investimento é total. Assim sendo, avaliar o histórico da empresa durante períodos críticos é outro indicador da qualidade de crédito e segurança dos títulos emitidos.

Rentabilidades mais altas

Os títulos de crédito privado das instituições de menor porte, com notas de crédito comparativamente mais baixas, oferecem retornos melhores aos seus investidores do que os títulos de grandes corporações. Este fato é explicado pela relação risco-retorno do investimento.

As corporações menores têm maior risco embutido e, por isso, para se financiarem precisam oferecer rentabilidades mais interessantes aos seus investidores. As remunerações oferecidas são melhores, inclusive superiores às dos títulos públicos e da poupança.

Isenção de IR

Alguns títulos de crédito privado são isentos de imposto de renda. Neste grupo estão as letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA) e as debêntures de infraestrutura. Esses produtos possuem o beneficio fiscal, pois são setores fomentados pelo governo.

A isenção de IR é um benefício que torna esses títulos de crédito privado ainda mais atraentes. Para se ter uma ideia, uma LCI ou LCA com prazo de vencimento de um ano e com rendimento de 92% do CDI é equivalente a um CDB de 115% do CDI, o que é muito difícil de se encontrar no mercado.

Segurança para aplicações de até R$ 250 mil

Alguns títulos de crédito privado, entre eles CDBs, LCIs e LCAs são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF e emissor.  Com esta garantia o investidor pode aplicar sem preocupação em títulos de instituições que oferecem maiores rendimentos, mas que possuem notas de crédito (ratings) mais baixas.

Caso o investidor compre títulos de crédito privado que não sejam cobertos pelo FGC ou ultrapasse o limite de garantia do FGC, é recomendável que preste mais atenção à saúde financeira da instituição emissora.

Vale colocar que mesmo que o emissor quebre, no processo de liquidação, os detentores de títulos de crédito recebem os valores devidos antes dos investidores que possuem ações.

A importância da diversificação

Embora sejam considerados investimentos com certo grau de risco, de acordo com a teoria clássica de diversificação, acrescentar títulos ou fundos de crédito privado a uma carteira de investimentos reduz o risco geral deste portfólio. A recomendação é que o investidor mantenha sempre uma carteira diversificada com títulos de diferentes emissores e/ou com diferentes prazos de investimento.

Os fundos de crédito privado também podem ser uma maneira interessante para o pequeno investidor acessar o mercado de crédito privado, pois a diversificação da carteira de crédito já vem pronta, ou seja, o gestor escolhe quais títulos investir e monta a melhor seleção de acordo com o regulamento do fundo.

Mesmo com a diversificação, no caso de inadimplência, um título que não tenha cobertura do FGC ou que ultrapasse o limite garantido pode ter um grande impacto no portfólio do investidor. Até mesmo em fundos, uma pequena posição de 1% alocada em títulos de crédito privado de determinada empresa ou banco que se torne inadimplente vai produzir uma contribuição negativa de 1%, o que para um fundo de renda fixa é uma perda significativa.

Conclusão

Para evitar prejuízos, busque aplicar em títulos garantidos pelo FGC, como LCIs e LCAs e respeite o limite da cobertura de até R$ 250 mil por CPF e emissor.

Se for aplicar em fundos de crédito privado ou multimercado que também podem comprar títulos privados, verifique o rating médio do fundo. Se a maioria dos títulos for classificado como CCC ou C, este fundo tem como característica ser altamente especulativo e não deve ser a escolha de investidores que buscam maior segurança.

Se você tem interesse em investir em letras de crédito, visite o site da Órama e conheça nossas ofertas com retorno líquido a partir de 94% do CDI e aplicação inicial de apenas R$ 5 mil. O governo estuda retirar a isenção de IR, por isso quem investir antes da mudança da regra garantirá a isenção.

Caso ainda tenha alguma dúvida sobre como compor sua carteira de investimentos com títulos de crédito privado, entre em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra”, no site da Órama. Até a próxima!

Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto “Magnifying”, Shutterstock.

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