Salve leitor do Dinheirama, tudo bem? Custo Brasil te diz alguma coisa? É muito comum ouvirmos ou falarmos sobre isso, mas, na prática, você sabe o que é? Já viu algum exemplo real? Bem, vou chegar lá, mas antes, vou tentar explicar o tal Custo Brasil.

Quando se fala em Custo Brasil, as pessoas (ou empresas) se referem ao custo inerente de se viver ou fazer negócios por aqui, que, ao contrário do que muita gente pensa, vai muito além de “apenas” impostos e burocracia.

Estou falando de toda resultante da má gestão, corrupção e subdesenvolvimento histórico, isso quer dizer toda a herança maldita em forma de infraestrutura precária, falta de segurança, saúde, educação; tudo isso também está no Custo Brasil.

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Imagine o seguinte; cada pneu furado, carga roubada ou atraso por falta de espaço para o caminhão no porto gera prejuízos enormes na cadeia produtiva; adivinhe quem paga a conta? Isso mesmo, você, eu, nós. As empresas repassam tudo isso nos preços de produtos e serviços.

Afinal, além da enorme carga de tributos que deveria ser o suficiente para custear as condições adequadas ao trabalho, há que se pagar novamente pela má gestão de recursos pelo Estado. A conta fica salgada!

E não para por aí: como o governo não investe em saúde, as empresas pagam planos com esse fim. Como não investe em educação, a mesma coisa com escolas. Se as empresas não pagam, as pessoas pagam e, de um jeito ou de outro, a conta vai sempre para nós todos.

Agora vamos para a prática. Se você já viajou para o exterior, deve ter notado as abusivas taxas de embarque. E, como normalmente compramos os bilhetes de ida e volta, acabamos presumindo que é uma soma das taxas de todos aeroportos que passaremos (o que está certo) e que a conta deve ser “balanceada”; essa parte é que presumimos errado.

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Claro que há aeroportos fora do Brasil que cobram taxas abusivas. No entanto, esse exemplo deixará claro o ponto que quero chegar com o Custo Brasil.

Recentemente, ao emitir as passagens para a próxima férias em família, pela primeira vez comprei os trechos de ida e volta separados e tive uma surpresa enorme com as tais taxas aeroportuárias. Para não ficar nas palavras, veja o “print” dos bilhetes. Primeiro o de ida:

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Agora o de volta:

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Notou algo muito diferente? Pois bem, para sair de Guarulhos desembolsei um total de R$ 156,85, já, para o voo de volta, saindo de Miami, o valor foi de R$ 22,52. Não, você não leu errado, GRU cobra quase 8x mais do que MIA (ou qualquer outro aeroporto dos Estados Unidos).

Bem, até aí, tudo bem, afinal cada um cobra o que quiser. Contudo, além da grande diferença nos valores, há uma diferença enorme na qualidade do que é entregue ao passageiro.

Aliás, comparar os aeroportos de Miami e Guarulhos é sacanagem. Para o texto não ficar enorme, convido você a, caso não conheça um dos dois locais, pesquisar no Google fotos de um aeroporto e de outro para, assim, tirar suas próprias conclusões.

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Em resumo, o Custo Brasil é isso: pagar muito mais caro para receber algo pior e que, na soma de tudo, gera um efeito cascata atingindo o bolso de todo mundo, mesmo quem nunca pisou em um avião. E é isso que todos nós temos que ter claro em nossas mentes, de uma vez por todas.

O câmbio, o custo das taxas aeroportuárias ou a péssima condição dos portos não é “mimimi das elites”, é algo que afeta a todos, e com ainda mais violência aqueles menos favorecidos.

E se você pensou “e eu com isso?”, acredite: políticos não vem de Marte, são oriundos da população e se o governo é o espelho de seu povo, isso diz muito sobre qual é a nossa parte na mudança que tanto queremos para o Brasil; sejamos a mudança para depois cobrarmos. Vamos nessa, juntos? Grande abraço e até a próxima!

Renato De Vuono
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