Nesse fim de semana me dei ao luxo de “desconectar” por algumas boas horas. Parece até brincadeira ter que considerar isso um “luxo”, mas o fato é que passamos tanto tempo online que deixar de olhar para a tela do celular ou para as redes sociais por certo tempo se tornou algo realmente fora do comum, não é verdade? Mas será que isso está certo? Desde quando nos tornamos reféns da internet?

Eu trabalho na área de comunicação. Muitas vezes me pego pensando que seria ótimo não estar em uma ou outra rede social, mas aí me lembro que tenho que estar. Não dá para comunicar nem cuidar dos clientes sem estar online. Sequer dá para conversar com amigos ou conhecidos de forma rápida ou organizar a agenda. O desafio, neste caso, é encontrar um equilíbrio saudável. Estou tentando.

Gostaria de usar este artigo para que pudéssemos nos lembrar um pouco de como era a vida sem celular. Você se lembra do que acontecia quando alguém demorava para chegar em casa? Será que a ansiedade era a mesma dos tempos atuais? Você se lembra de quando enviava uma carta para um primo ou amigo (eu enviei muitas) e demorava semanas para a resposta chegar? Será que aquelas semanas eram tão longas quanto os minutos de hoje em dia?

A impressão que tenho é que éramos menos ansiosos. Como ninguém esperava uma resposta instantânea, dava para aguardar o tempo do outro. Hoje em dia não conseguimos mais esperar. Se alguém não responde o what´s app imediatamente já consideramos um descaso ou morremos de preocupação. Será que não deveríamos começar a mudar as nossas próprias atitudes para deixar as pessoas mais confortáveis em seu próprio tempo de resposta? Eu conseguia esperar semanas para receber uma carta de volta, então por que não consigo esperar minutos para receber um what´s app?

Claro, os tempos mudaram. A velocidade das coisas mudou. Todos nós mudamos. Mas penso que, por mais que não consigamos parar o tempo, e nem queremos, afinal muita coisa também melhorou, é necessário nos darmos de vez em quando alguns momentos de folga. É preciso, ainda que não seja sempre, adotar certo ritual de desconexão com o mundo para que possamos nos conectar conosco. E, veja bem, sem qualquer culpa.

Outro dia escrevi sobre limites, sobre o quanto a vida nos impõe barreiras quando não conseguimos colocá-las sempre que necessário. Desta vez proponho que façamos uma reflexão semelhante sobre a necessidade de desconectarmos. Por que não adotar um dia na semana para não olhar as redes sociais, não responder instantaneamente os e-mails, ficar um pouco por fora de tudo para que, por dentro, possamos recarregar as energias necessárias?

Neste domingo, entreguei um texto pela manhã bem cedo e depois me dei de presente a liberdade de ficar horas sem fazer nada que tivesse a internet envolvida. Fui passear, passei um tempo saudável com a família, estive em contato com a natureza. E tenho certeza que, se estivesse o tempo inteiro conferindo o celular, o gosto dessas coisas todas não seria o mesmo.

Estar focado no momento presente com tudo de melhor que ele merece requer fazer escolhas. Ninguém consegue aproveitar a intensidade do sorriso de uma criança ou a alegria de um cachorro correndo olhando o tempo inteiro para a tela de um celular. Que lembranças você quer levar para a vida nos próximos anos? Elas serão o que estiver fazendo da vida agora, lembre-se disso!

Eu tenho lembranças ótimas de quando era criança: criava álbuns de figurinha com meu irmão, produzia livrinhos cheios de história, corria com meus primos no interior, saboreava com gosto a cobertura de chocolate que vovó Luzia fazia. Não havia celular, não havia internet, e é claro que as crianças de hoje terão que adequar as suas lembranças infantis ao peso que a tecnologia tem. Mas sempre podemos colocar limites nas coisas, não? Para nós mesmos e para aqueles que dependem de nós se for o caso. Eu diria que temos que conectar porque o mundo pede isso. Mas também temos que desconectar porque é a vida quem nos pede.

Lembremos também que não é preciso registrar tudo o tempo todo. É claro que um celular torna os registros muito mais fáceis, e a vontade é de sair clicando tudo que acontece realmente. Mas muitos dos melhores momentos por que passamos não foram registrados, tenho certeza disso. Eu adoro fotografar, mas muitas vezes prefiro ficar com a lembrança guardada apenas na memória. Acho que ela até se torna maior! Pense nas suas maiores lembranças: além da imagem, será que você também não se lembra de sons e até de cheiros? Comigo acontece!

É preciso que a gente não se esqueça de que tem um mundo dentro de nós, e que só devemos armazenar dentro dele o que de fato valer a pena. Eu sei, não é fácil e é um exercício diário para mim também! Mas desconectar de vez em quando é peça-chave para cuidarmos melhor deste mundo interno, já que não dá para prestar atenção a nós mesmos com tantos barulhos externos. Comece a fazer um teste, experimente. Você vai ver que algumas hora de desconexão podem fazer uma diferença incrível nas suas muitas horas seguintes. Vamos lá?

Janaína Gimael
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