Quando assumiu a presidência do Brasil Michel Temer definiu alguns temas que seriam tratados com prioridade.

Entre as questões, a ideia de ter um número menor de ministros chamava a atenção, justamente por conta da quantidade de colaboradores do primeiro escalão dos últimos governos. Outro tema que ganhou destaque seria a aprovação de reformas.

Já nas primeiras semanas ficou claro que o discurso era mais uma tentativa de atender a opinião pública do que medidas que seriam levadas com seriedade, visto os inúmeros compromissos políticos firmados para conseguir o avanço do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Bravatas e discursos ao vento

As discussões em torno dos nomes dos políticos que se tornaram ministros é um dos problemas mais significativos do governo, atualmente, o país aguarda a nomeação de um ministro (a) do Trabalho por mais de um mês. Aliás, será que esse tempo todo não mostra que é mais um cargo sem necessidade?

Contrariando o discurso do início do governo, após a decisão de intervenção militar no Rio, Temer decidiu criar mais um ministério, o da Segurança Pública.

O assunto segurança pública ganhou fôlego durante o carnaval. É evidente a necessidade de ações no Rio e também em outros estados, ainda assim, a ocasião foi oportuna para o governo mudar o foco, e tentar fugir da fracassada proposta de reforma da Previdência.

Sem apoio e sem nenhum tipo de garantia de aprovação Temer jogou a toalha e seu poder de convencimento, responsável por livrá-lo de investigações não se mostrou tão forte.

Sem reforma e a última esperança para Temer

A decisão do governo de desistir de tentar aprovar a reforma da Previdência neste ano é ruim para a classificação de risco do Brasil, porque limitará a capacidade de cumprir a regra do teto de gasto, afirmou nesta terça-feira (20) o analista-sênior da agência Moody’s, Samar Maziad.

“Embora já esperássemos que uma reforma ampla fosse improvável, abandonar os planos para aprovar a proposta é negativo para o perfil de crédito do país, uma vez que restringirá fortemente a capacidade das autoridades de cumprir o teto de gastos do governo nos próximos anos”, disse, referindo-se à regra que limita os gastos à inflação do ano anterior.

A Moody’s classifica atualmente o país com nota “Ba2”, com perspectiva negativa, já sem o chamado “grau de investimento”, que classifica os emissores de dívida como bons pagadores.

A oportunidade de transformar o fiasco da segurança pública nacional e fugir do debate importante da Previdência é mais uma medida que busca criar um fato novo que de alguma maneira melhore a avaliação do governo e do próprio Temer.

Novas propostas e pouca efetividade

Sem a reforma da Previdência e com um ano pela frente, o governo Michel Temer passou a considerar 15 pontos como projetos prioritários para serem aprovados no Congresso neste ano. “Estamos aqui repautando todo o processo, não só com medidas de ajuste”, afirmou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A proposta de autonomia do Banco Central é a única que tinha sido, na prática, abandonada pelo governo Michel Temer e agora volta à agenda. Polêmica, a proposta foi amplamente defendida pelo governo antes de ser colocada de lado ainda em 2016. Segundo um integrante da equipe econômica, o governo vai aproveitar a proposta já em tramitação do senador Romero Jucá (MDB), que prevê inclusive a fixação de mandato para presidente e diretores que não coincide com o do presidente da República.

Acompanhe as novas propostas da área econômica, após o fracasso da reforma da Previdência

  1. Reforma do PIS/Cofins
  2. Autonomia do Banco Central
  3. Marco legal de licitações e contratos
  4. Nova lei de finanças públicas
  5. Regulamentação do teto remuneratório
  6. Privatização da Eletrobrás
  7. Reforma de agências reguladoras
  8. Depósitos voluntários no Banco Central
  9. Redução da desoneração da folha de pagamento
  10. Plano de recuperação e melhoria empresarial das estatais
  11. Cadastro positivo
  12. Duplicata eletrônica
  13. Regulamentação dos distratos (desistência da compra de imóveis na planta)
  14. Atualização da Lei Geral de Telecomunicações
  15. Extinção do Fundo Soberano

Conclusão

Muitos especialistas e pessoas influentes acreditam que abdicar nesse momento da reforma da Previdência para tratar desse tema com maior transparência e apoio do novo presidente, após as eleições desse ano sejam de fato a melhor solução.

Existe também aqueles que defendiam uma minirreforma como sinalização, inclusive para os investidores externos, de que o Brasil não fugiria da responsabilidade de tratar um tema tão importante.

Da forma como tudo aconteceu, de maneira oportunista, ficou a mensagem de que o que o país presenciou foi mais uma manobra com viés político.

Até a próxima!

Redação Dinheirama
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários