Olá leitor, ao longo destes quatro meses, recapitulando um pouquinho, abordei a pessoa do profissional autônomo, enfatizando a necessidade do autoconhecimento, especialmente em relação a construção de sua história do dinheiro a partir da família e a identificação do “mundo pessoal do dinheiro” que cada um de nós possui, reforçando a necessidade do entendimento do mesmo na profissão de cada um.

Depois iniciei a parte voltada para as questões do dia a dia, de ordem prática, desde a importância do planejamento financeiro ao montar seu consultório, o entendimento dos motivos e valores pessoais que o levaram a esta forma de prática profissional, à captação de clientes e divulgação do trabalho.

Ao dinheiro especificamente, dediquei dois artigos a fim de orientar a precificação da hora trabalhada, os critérios de cobrança, de aumento e reajustes, associados com a parte de impostos; tudo tendo como referência a Ética.

Nesta linha, no artigo anterior a este abordei aspectos subjetivos da prática clínica que envolvem a relação com seu cliente, enfatizando a importância de supervisão e terapia como ferramentas fundamentais ao adequado desenvolvimento de nosso trabalho.

Para ter acesso aos textos anteriores, clique aqui e veja-os organizados de forma simples e acessível.

Como você lida com crises?

No texto de hoje, meu enfoque será em algo bastante atual, que é o lidar com crise, especialmente no momento político/econômico pelo qual passa nosso país.

Minha proposta é oferecer informações que auxiliem você a sobreviver e, melhor ainda, manter o sucesso em momentos de turbulência, que sabemos, são fases. Você verá que poderá aplicar os conhecimentos também em outros tipos de crises, afinal, a vida adulta é repleta de mudanças e surpresas, sejam elas boas ou nem tanto.

Assim como o Conrado Navarro e o André Massaro, no recente vídeo sobre como lidar com crises financeiras (clique e assista), eu não aguento mais aquele clichê de que crise, ideograma chinês, é sinônimo de oportunidade. Escuto isto desde que entrei no mercado de trabalho, há quase 30 anos e na época, acredite, já era o melhor “jargão”, principalmente em palestras e treinamentos de RH.

Para mim, crise pode representar muita coisa, ter significados diferentes para cada um, portanto, será aquilo que você conseguir fazer com ela e de preferência, bem.

Veja só as definições de crise, segundo o dicionário Aurélio: “1. Mudança súbita ou agravamento que sobrevém no curso de uma doença aguda; 2. Manifestação súbita de um estado emocional ou nervoso; 3. Conjuntura ou momento perigoso, difícil ou decisivo; 4. Falta de alguma coisa considerada importante; 5. Embaraço na marcha regular dos negócios; 6. Desacordo ou perturbação que obriga instituição ou organismo a recompor-se ou a demitir-se”.

Com qual delas você se identificou? Agora, vamos trazer para mais perto de você e personalizar: como você define crise? O que de fato tira seu equilíbrio, provoca mudanças, o faz mudar hábitos, comportamentos, forma de ver o mundo?

Aprenda a ser resiliente

Considerando que ao longo da vida passamos por diferentes estágios, desempenhamos inúmeros papéis, realizamos mudanças e nem sempre os fatos saem como gostaríamos, cumpre ressaltar nossa capacidade de “dar conta” ou não deste contexto. E teremos que enfrentar e administrar principalmente nossas perdas, sejam materiais, emocionais ou ambas.

Você, que é um leitor bem informado, deve estar se perguntando: “aprender a ser resiliente”? Sim e não. Resiliência é outra palavra que de tão (mal) usada, se banalizou.

Mas vamos pensar que você precisa aprender a dar conta da crise antes de ser tragado por ela através de um vício, ansiedade, depressão, pânico, oscilações de humor, entre outros, que podem ser consequências de perda de emprego, de negócio, dinheiro, patrimônio, relacionamentos, sejam eles familiares, conjugais, afetivos, de amizade, etc. Pesado e triste, não? Mas não precisa ser assim, é possível fazer diferente!

Então, diante de uma crise, além de paciência, muita paciência com você mesmo e o entorno, a primeira pergunta que você deve se fazer é: eu já passei por isto ou algo parecido antes?

Utilize a crise anterior como um manual do que fazer (ou não fazer). Escreva uma lista do que funcionou e não funcionou e veja o que pode ser adaptado à situação atual. Feito isso, mãos à obra, afinal, não sobrevive quem é capaz, mas sim, o mais capaz! Portanto, seja o mais capaz e melhor que puder ser neste momento.

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Crise é algo novo na sua vida?

Ah, caso não tenha passado até o momento por alguma crise ou algo parecido com a crise econômica, talvez seja uma boa oportunidade para novos aprendizados. Vamos lá?

Olhe para seu cotidiano, repense e comece a analisar tudo o que tem e faz. Quem me ajuda muito com conhecimentos neste aspecto é a psicóloga norte americana Lynn Grodzki, de quem repassarei abaixo algumas ideias.

A primeira ação que ela propõe é rever sua prática e mudar a perspectiva de olhá-la. E completo eu: ainda mais numa situação econômica delicada pela qual passa nosso país.

Pegue sua planilha financeira, analise seus custos, “seus ativos e passivos”, suas responsabilidades e reveja o que pode ser mudado. Priorize ter lucros (não adianta um consultório lindo e dispendioso), corte despesas, renegocie todos os custos possíveis e demais produtos.

Em relação ao seu trabalho, foque nas atividades que lhe dão melhor retorno financeiro, dedicando-se mais tempo aos estudos para mantê-lo sempre atualizado e seguro (aliás, segurança e autoconfiança são as primeiras boas sensações que se vão em épocas de crise, portanto, cuide muito bem delas).

Organize-se e crie um Plano de Ação a fim de ter sucesso. Seja realista e cuidado com as contas mentais (contas de nosso desejo) ou com os vieses emocionais na hora de decidir o que deve ou não ser feito.

Atue racionalmente, o que significa que não vale dizer “Ah, mas gosto tanto disto”; “fulano é tão bom”; “há anos faço assim porque me lembra meu primeiro supervisor”; “não posso deixar de fazer tal curso porque todas minhas amigas fazem” e assim por diante.  Deixe a emoção para sonhar (um pouquinho) após atingir seus objetivos.

Atue de maneira a facilitar sua vida, focando em resultados. Sei que não é fácil, mas é importante, portanto, que você:

  • Escolha um problema específico e alcançável a ser resolvido, alinhado com seus valores e necessidades;
  • Veja os passos, etapa por etapa, do que precisa ser feito para alcança-lo;
  • Priorize, mantenha o foco, mas tenha um “Plano B”, caso algo não saia como gostaria e mantenha-se motivado. Dificuldades fazem parte da vida.

No Plano de Ação, em cada passo, seja paciente e comemore cada pequena vitória, pois será uma conquista. E lembre-se de ir cuidando de si mesmo enquanto vai aos poucos saindo da crise. Mantenha-se com a “cabeça no lugar”, afinal, ninguém toma boas decisões quando está mal.

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Será importante você:

  • Fixar um número de clientes para atender e mantê-los ou conseguir atingir este número;
  • Ajustar valor das sessões/consultas com a realidade econômica. Não adianta querer cobrar 5x se a média do valor no mercado local é de 2,5x;
  • Criar um novo produto, por exemplo: orientação psicológica para situações y, com número de sessões definidas. Assim, o cliente conseguirá saber melhor o quanto investir no tratamento;
  • Investir em mídias sociais para divulgar seu trabalho: redes são importantes ferramentas. Tenha uma página no Facebook onde possa apresentar seu trabalho, partilhar ideias, artigos, experiências; crie uma conta no Instagram; divulgue pequenos vídeos no YouTube; faça webinários, enfim, apareça mostrando seus diferenciais;
  • Participar de congressos, simpósios, cursos, grupos de estudos. Sempre haverá algum próximo a você com bom preço e boas condições de pagamentos;
  • Reencontrar colegas, especialmente aqueles que não vê há muito tempo. Reserve um horário para um cafezinho e troca de ideias;
  • Manter o controle sobre si mesmo, suas emoções. Vou insistir aqui. E ter controle não significa ter tudo nas mãos, às vezes, é justamente ao contrário: soltar um pouco as rédeas, escolher um jeito tranquilo ou menos ansioso para ficar, como um “lugar de segurança” para onde pode se retirar, nem que seja mentalmente, por uns instantes, a fim de acalmar o coração e a alma para depois, mais tranquilo, retomar. Tente fazer uma meditação ou simplesmente ficar em silêncio alguns minutos durante o dia. Simples e eficaz, garanto;
  • Cuidar muito bem de si mesmo. É óbvio, mas absolutamente verdadeiro: somos nossa principal ferramenta de trabalho. Portanto, temos que ser bons e acolhedores com nós mesmos, afinal, se cuidamos da dor do outro, como não cuidar da nossa, de nossas necessidades? Conseguir nos acolher, ter compaixão com nossas dores, reconhecer as dificuldades e legitimar nossas capacidades é fundamental em época de crise. Diria que um bom momento para “passar a limpo” alguma história ou emoção mal resolvida, que na fragilidade da circunstância atual, surge decorrente do “afrouxamento” de nossos mecanismos de defesa. Pergunte-se: para onde esta história me leva? Ela é deste momento ou do passado? Como reescrevê-la sem dor?
  • Pedir ajuda. Sim, ajuda, afinal, somos seres interdependentes! Independência a gente tem a financeira, mas em outras esferas da vida, mais do que nunca, a interdependência nos conecta e legitima, mais ainda, nos sustenta e fortalece. Portanto, não receie em pedir ajuda, ao contrário! Nada como alguém “de fora” para nos enxergar por inteiro.

Conclusão

Por fim, tenha clareza esta equação: CRESCIMENTO = DESAFIOS + APOIO. E nada melhor que uma crise para revelar quem de fato somos. Como ouvi de uma querida amiga da área: “mar calmo não faz bom marinheiro”.

Portanto, eu lhe desejo boa navegação, leitor! Viva bem suas crises, com as crises do país, da família e outras mais que surgirem, pois, bem preparado, elas serão grandes etapas na vida, marcos de transformação e desenvolvimento, nunca de derrotas! Até breve!

Valéria Meirelles
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