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Dia a dia do profissional liberal: lidando com crises, inclusive a financeira

por Valéria Meirelles
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Ol√° leitor, ao longo destes quatro meses, recapitulando um pouquinho, abordei a pessoa do profissional aut√īnomo, enfatizando a necessidade do autoconhecimento, especialmente em rela√ß√£o a constru√ß√£o de sua hist√≥ria do dinheiro a partir da fam√≠lia e a identifica√ß√£o do ‚Äúmundo pessoal do dinheiro‚ÄĚ que cada um de n√≥s possui, refor√ßando a necessidade do entendimento do mesmo na profiss√£o de cada um.

Depois iniciei a parte voltada para as quest√Ķes do dia a dia, de ordem pr√°tica, desde a import√Ęncia do planejamento financeiro ao montar seu consult√≥rio, o entendimento dos motivos e valores pessoais que o levaram a esta forma de pr√°tica profissional, √† capta√ß√£o de clientes e divulga√ß√£o do trabalho.

Ao dinheiro especificamente, dediquei dois artigos a fim de orientar a precifica√ß√£o da hora trabalhada, os crit√©rios de cobran√ßa, de aumento e reajustes, associados com a parte de impostos; tudo tendo como refer√™ncia a √Čtica.

Nesta linha, no artigo anterior a este abordei aspectos subjetivos da pr√°tica cl√≠nica que envolvem a rela√ß√£o com seu cliente, enfatizando a import√Ęncia de supervis√£o e terapia como ferramentas fundamentais ao adequado desenvolvimento de nosso trabalho.

Para ter acesso aos textos anteriores, clique aqui e veja-os organizados de forma simples e acessível.

Como você lida com crises?

No texto de hoje, meu enfoque ser√° em algo bastante atual, que √© o lidar com crise, especialmente no momento pol√≠tico/econ√īmico pelo qual passa nosso pa√≠s.

Minha proposta √© oferecer informa√ß√Ķes que auxiliem voc√™ a sobreviver e, melhor ainda, manter o sucesso em momentos de turbul√™ncia, que sabemos, s√£o fases. Voc√™ ver√° que poder√° aplicar os conhecimentos tamb√©m em outros tipos de crises, afinal, a vida adulta √© repleta de mudan√ßas e surpresas, sejam elas boas ou nem tanto.

Assim como o Conrado Navarro e o Andr√© Massaro, no recente v√≠deo sobre como lidar com crises financeiras (clique e assista), eu n√£o aguento mais aquele clich√™ de que crise, ideograma chin√™s, √© sin√īnimo de oportunidade. Escuto isto desde que entrei no mercado de trabalho, h√° quase 30 anos e na √©poca, acredite, j√° era o melhor ‚Äújarg√£o‚ÄĚ, principalmente em palestras e treinamentos de RH.

Para mim, crise pode representar muita coisa, ter significados diferentes para cada um, portanto, será aquilo que você conseguir fazer com ela e de preferência, bem.

Veja s√≥ as defini√ß√Ķes de crise, segundo o dicion√°rio Aur√©lio: ‚Äú1. Mudan√ßa s√ļbita ou agravamento que sobrev√©m no curso de uma doen√ßa aguda; 2. Manifesta√ß√£o s√ļbita de um estado emocional ou nervoso; 3. Conjuntura ou momento perigoso, dif√≠cil ou decisivo; 4. Falta de alguma coisa considerada importante; 5. Embara√ßo na marcha regular dos neg√≥cios; 6. Desacordo ou perturba√ß√£o que obriga institui√ß√£o ou organismo a recompor-se ou a demitir-se‚ÄĚ.

Com qual delas você se identificou? Agora, vamos trazer para mais perto de você e personalizar: como você define crise? O que de fato tira seu equilíbrio, provoca mudanças, o faz mudar hábitos, comportamentos, forma de ver o mundo?

Aprenda a ser resiliente

Considerando que ao longo da vida passamos por diferentes est√°gios, desempenhamos in√ļmeros pap√©is, realizamos mudan√ßas e nem sempre os fatos saem como gostar√≠amos, cumpre ressaltar nossa capacidade de ‚Äúdar conta‚ÄĚ ou n√£o deste contexto. E teremos que enfrentar e administrar principalmente nossas perdas, sejam materiais, emocionais ou ambas.

Voc√™, que √© um leitor bem informado, deve estar se perguntando: ‚Äúaprender a ser resiliente‚ÄĚ? Sim e n√£o. Resili√™ncia √© outra palavra que de t√£o (mal) usada, se banalizou.

Mas vamos pensar que voc√™ precisa aprender a dar conta da crise antes de ser tragado por ela atrav√©s de um v√≠cio, ansiedade, depress√£o, p√Ęnico, oscila√ß√Ķes de humor, entre outros, que podem ser consequ√™ncias de perda de emprego, de neg√≥cio, dinheiro, patrim√īnio, relacionamentos, sejam eles familiares, conjugais, afetivos, de amizade, etc. Pesado e triste, n√£o? Mas n√£o precisa ser assim, √© poss√≠vel fazer diferente!

Então, diante de uma crise, além de paciência, muita paciência com você mesmo e o entorno, a primeira pergunta que você deve se fazer é: eu já passei por isto ou algo parecido antes?

Utilize a crise anterior como um manual do que fazer (ou não fazer). Escreva uma lista do que funcionou e não funcionou e veja o que pode ser adaptado à situação atual. Feito isso, mãos à obra, afinal, não sobrevive quem é capaz, mas sim, o mais capaz! Portanto, seja o mais capaz e melhor que puder ser neste momento.

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Crise é algo novo na sua vida?

Ah, caso n√£o tenha passado at√© o momento por alguma crise ou algo parecido com a crise econ√īmica, talvez seja uma boa oportunidade para novos aprendizados. Vamos l√°?

Olhe para seu cotidiano, repense e comece a analisar tudo o que tem e faz. Quem me ajuda muito com conhecimentos neste aspecto é a psicóloga norte americana Lynn Grodzki, de quem repassarei abaixo algumas ideias.

A primeira a√ß√£o que ela prop√Ķe √© rever sua pr√°tica e mudar a perspectiva de olh√°-la. E completo eu: ainda mais numa situa√ß√£o econ√īmica delicada pela qual passa nosso pa√≠s.

Pegue sua planilha financeira, analise seus custos, ‚Äúseus ativos e passivos‚ÄĚ, suas responsabilidades e reveja o que pode ser mudado. Priorize ter lucros (n√£o adianta um consult√≥rio lindo e dispendioso), corte despesas, renegocie todos os custos poss√≠veis e demais produtos.

Em rela√ß√£o ao seu trabalho, foque nas atividades que lhe d√£o melhor retorno financeiro, dedicando-se mais tempo aos estudos para mant√™-lo sempre atualizado e seguro (ali√°s, seguran√ßa e autoconfian√ßa s√£o as primeiras boas sensa√ß√Ķes que se v√£o em √©pocas de crise, portanto, cuide muito bem delas).

Organize-se e crie um Plano de Ação a fim de ter sucesso. Seja realista e cuidado com as contas mentais (contas de nosso desejo) ou com os vieses emocionais na hora de decidir o que deve ou não ser feito.

Atue racionalmente, o que significa que n√£o vale dizer ‚ÄúAh, mas gosto tanto disto‚ÄĚ; ‚Äúfulano √© t√£o bom‚ÄĚ; ‚Äúh√° anos fa√ßo assim porque me lembra meu primeiro supervisor‚ÄĚ; ‚Äún√£o posso deixar de fazer tal curso porque todas minhas amigas fazem‚ÄĚ e assim por diante.¬† Deixe a emo√ß√£o para sonhar (um pouquinho) ap√≥s atingir seus objetivos.

Atue de maneira a facilitar sua vida, focando em resultados. Sei que não é fácil, mas é importante, portanto, que você:

  • Escolha um problema espec√≠fico e alcan√ß√°vel a ser resolvido, alinhado com seus valores e necessidades;
  • Veja os passos, etapa por etapa, do que precisa ser feito para alcan√ßa-lo;
  • Priorize, mantenha o foco, mas tenha um ‚ÄúPlano B‚ÄĚ, caso algo n√£o saia como gostaria e mantenha-se motivado. Dificuldades fazem parte da vida.

No Plano de A√ß√£o, em cada passo, seja paciente e comemore cada pequena vit√≥ria, pois ser√° uma conquista. E lembre-se de ir cuidando de si mesmo enquanto vai aos poucos saindo da crise. Mantenha-se com a ‚Äúcabe√ßa no lugar‚ÄĚ, afinal, ningu√©m toma boas decis√Ķes quando est√° mal.

Leitura recomendada: 3 dicas para enriquecer na crise (e fora dela)

Será importante você:

  • Fixar um n√ļmero de clientes para atender e mant√™-los ou conseguir atingir este n√ļmero;
  • Ajustar valor das sess√Ķes/consultas com a realidade econ√īmica. N√£o adianta querer cobrar 5x se a m√©dia do valor no mercado local √© de 2,5x;
  • Criar um novo produto, por exemplo: orienta√ß√£o psicol√≥gica para situa√ß√Ķes y, com n√ļmero de sess√Ķes definidas. Assim, o cliente conseguir√° saber melhor o quanto investir no tratamento;
  • Investir em m√≠dias sociais para divulgar seu trabalho: redes s√£o importantes ferramentas. Tenha uma p√°gina no Facebook onde possa apresentar seu trabalho, partilhar ideias, artigos, experi√™ncias; crie uma conta no Instagram; divulgue pequenos v√≠deos no YouTube; fa√ßa webin√°rios, enfim, apare√ßa mostrando seus diferenciais;
  • Participar de congressos, simp√≥sios, cursos, grupos de estudos. Sempre haver√° algum pr√≥ximo a voc√™ com bom pre√ßo e boas condi√ß√Ķes de pagamentos;
  • Reencontrar colegas, especialmente aqueles que n√£o v√™ h√° muito tempo. Reserve um hor√°rio para um cafezinho e troca de ideias;
  • Manter o controle sobre si mesmo, suas emo√ß√Ķes. Vou insistir aqui. E ter controle n√£o significa ter tudo nas m√£os, √†s vezes, √© justamente ao contr√°rio: soltar um pouco as r√©deas, escolher um jeito tranquilo ou menos ansioso para ficar, como um ‚Äúlugar de seguran√ßa‚ÄĚ para onde pode se retirar, nem que seja mentalmente, por uns instantes, a fim de acalmar o cora√ß√£o e a alma para depois, mais tranquilo, retomar. Tente fazer uma medita√ß√£o ou simplesmente ficar em sil√™ncio alguns minutos durante o dia. Simples e eficaz, garanto;
  • Cuidar muito bem de si mesmo. √Č √≥bvio, mas absolutamente verdadeiro: somos nossa principal ferramenta de trabalho. Portanto, temos que ser bons e acolhedores com n√≥s mesmos, afinal, se cuidamos da dor do outro, como n√£o cuidar da nossa, de nossas necessidades? Conseguir nos acolher, ter compaix√£o com nossas dores, reconhecer as dificuldades e legitimar nossas capacidades √© fundamental em √©poca de crise. Diria que um bom momento para ‚Äúpassar a limpo‚ÄĚ alguma hist√≥ria ou emo√ß√£o mal resolvida, que na fragilidade da circunst√Ęncia atual, surge decorrente do ‚Äúafrouxamento‚ÄĚ de nossos mecanismos de defesa. Pergunte-se: para onde esta hist√≥ria me leva? Ela √© deste momento ou do passado? Como reescrev√™-la sem dor?
  • Pedir ajuda. Sim, ajuda, afinal, somos seres interdependentes! Independ√™ncia a gente tem a financeira, mas em outras esferas da vida, mais do que nunca, a interdepend√™ncia nos conecta e legitima, mais ainda, nos sustenta e fortalece. Portanto, n√£o receie em pedir ajuda, ao contr√°rio! Nada como algu√©m ‚Äúde fora‚ÄĚ para nos enxergar por inteiro.

Conclus√£o

Por fim, tenha clareza esta equa√ß√£o: CRESCIMENTO = DESAFIOS + APOIO. E nada melhor que uma crise para revelar quem de fato somos. Como ouvi de uma querida amiga da √°rea: ‚Äúmar calmo n√£o faz bom marinheiro‚ÄĚ.

Portanto, eu lhe desejo boa navegação, leitor! Viva bem suas crises, com as crises do país, da família e outras mais que surgirem, pois, bem preparado, elas serão grandes etapas na vida, marcos de transformação e desenvolvimento, nunca de derrotas! Até breve!

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