Diálogos Capitais: A Educação Financeira agora é pra valer?O encontro “Diálogos Capitais”, organizado pela Carta Capital e Carta na Escola, realizado no dia 18/11/2011 em São Paulo, apoiado e divulgado aqui no Dinheirama, contou com a presença de representantes de vários segmentos da sociedade, cujos discursos não deixam a menor dúvida de que a Educação Financeira, seja na escola ou em outros ambientes, já é uma realidade e que realmente veio para ficar.

Na primeira parte do encontro, cujo tema foi “O impacto econômico e a importância da educação financeira para jovens e crianças”, participaram das apresentações o Secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antônio Henrique Silveira; Juliana Barral, Gerente Executiva da Universidade do Banco Central do Brasil; e José Alberto Netto Filho, Professor de Educação Financeira da BM&F Bovespa; Ao final das apresentações, a Superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco, Denise Hills, mediou o debate aberto ao público.

Na segunda parte, que girou em torno do tema “Como colocar em prática a educação financeira na escola”, foi a vez de Sérgio Jamal Gotti, Diretor de Formulação de Conteúdos Educacionais do MEC, José Alexandre Cavalcanti Vasco, Superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores CVM e Laís Fontenelle, do Instituto ALANA, apresentarem seus trabalhos.

Precisamos valorizar quem se preocupa com o tema!
O que une todas essas pessoas em torno do tema Educação Financeira é a participação ativa de todos os segmentos que elas representam em torno da ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira), instituída pelo Decreto No 7.397 de 22 de dezembro de 2010 e baseada no tripé: Educação Financeira (dentro e fora do ambiente escolar para crianças, jovens e adultos), Proteção ao Consumidor e Regulação das Instituições Financeiras.

Alguns exemplos de ações nesse sentido foram apresentadas pelos participantes, tais como:

  • Os cursos presenciais de educação financeira e programas de televisão, promovidos pela BM&F Bovespa;
  • O programa “Saúde Financeira Não Tem Preço”, do Banco do Brasil;
  • A “Coleção Caixa de Educação Financeira”, da Caixa Econômica Federal;
  • O projeto “Criança e Consumo”, do Instituto Alana, entre outros.

A necessidade de se estabelecer uma Estratégia Nacional de Educação Financeira reside no fato de que estamos experimentando aqui no Brasil um período de estabilidade e prosperidade econômica e social para o qual não estamos preparados. Afinal, alguns hábitos que tiveram origem no período da hiperinflação ainda persistem.

Além disso, a ascensão das classes econômicas menos favorecidas – e o consequente primeiro contato destes com produtos financeiros até então desconhecidos – vem elevando significativamente o número de inadimplentes e o comprometimento da renda familiar, especialmente da Classe C.

Entretanto, não é só o Brasil e nem a classe C que precisa de Educação Financeira. Outro ponto bastante relevante que foi apontado pelo Secretário do Ministério da Fazenda, Antônio Henrique Silveira, é o fato de que produtos financeiros altamente sofisticados, que vêm sendo lançados ultimamente, são de difícil compreensão até para especialistas da área.

Ainda com relação a fenômenos globais o Secretário mencionou a importância do debate sobre consumo consciente, sustentabilidade e planejamento previdenciário.

Com relação à Educação Financeira de crianças e jovens, a ENEF está com um projeto-piloto em andamento em algumas escolas públicas do país. A primeira fase do projeto que foi dirigida aos alunos do Ensino Médio já foi concluída e agora o projeto se estenderá para o Ensino Fundamental. Tão logo, as avaliações sobre o projeto estejam prontas e os ajustes necessários sejam feitos, a Educação Financeira deverá integrar o currículo das escolas públicas do país.

Tanto o representante do MEC, Sérgio Jamal Gotti, quanto Juliana Barral, do Banco Central do Brasil, deixaram bastante claro que a Educação financeira não está sendo tratada como uma disciplina nesse projeto, mas sim como um grande tema a ser abordado pelos professores de outras áreas, como História, Geografia, Matemática, entre outras.

Foi colocado ainda que o que se pretende vai muito além do simples repasse de informações. O que realmente se almeja é estabelecer um conjunto de estratégias capazes de modificar hábitos de consumo, poupança e modo de vida. Daí a importância de levar a Educação Financeira para crianças e jovens que ainda não cristalizaram hábitos e crenças relativas ao consumo, poupança e investimento.

A justificativa maior para esse plano ambicioso é que desequilíbrios financeiros individuais, quando em massa, podem desestabilizar o sistema econômico do país como um todo.

Como professora, mãe e cidadã, fiquei imensamente surpresa e feliz com a abrangência e seriedade com que esse assunto está sendo tratado aqui em nosso país. Só para terminar, gostaria de mencionar que o projeto-piloto brasileiro de Educação Financeira nas escolas apresentou um dos melhores resultados, mundialmente falando.

E, segundo José Alexandre Cavalcanti Vasco, da CVM, esse resultado se deve principalmente ao comprometimento do MEC com essa questão e à inclusão dos aspectos ligados à Psicologia Econômica nos materiais produzidos. Para quem quiser assistir ao encontro na íntegra, o site www.cartacapital.com.br disponibilizará as gravações a partir de amanhã, 23/11.

Você também acredita que a educação financeira pode fazer a diferença se ensinada e incentivada desde cedo? Tem alguma experiência neste sentido para compartilhar conosco? Deixe sua opinião no espaço de comentários deste texto.

Foto de sxc.hu.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos
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