Carla comenta: “Navarro, há mais de um ano que esse assunto de crise não sai dos ouvidos da gente, mas só este mês que a coisa complicou mesmo aqui em casa, quando meu marido perdeu o emprego. Já vendemos nosso carro e as coisas continuam complicadas. Tem algumas dicas para ajudar a gente nesse momento delicado? Obrigada.”

Sim, a crise ainda é um tema que continua preocupando muita gente, e o cenário ainda será assim por algum tempo. Há uma inércia nos efeitos de uma economia em queda, fazendo com que a onda seja lenta, mas forte. Ela diminui cada vez mais o poder de compra, seja pelo desemprego, seja pelo aumento nos preços dos bens de consumo (inflação).

Austeridade e dinamismo são as respostas para momentos críticos como este, e você já sabe disso (eu sempre insisto nestes assuntos). Assim, vamos recordar alguns pontos importantes e refletir sobre três conceitos poderosos da educação financeira, que servem não apenas para momentos de crise, mas principalmente neles.

Dica 1: Sim, você tem que fazer orçamento doméstico

Essa é uma das partes mais “chatas” do processo de educação financeira, segundo feedbacks que recebo, e não tem jeito de remediar. É praticamente impossível ter uma vida financeira saudável sem ter controle.

Você tem que saber quanto, como e onde gasta, além claro do quanto sobra (quando sobra). Se ainda não sobra nada, você precisa ajustar os gastos ou aumentar a renda. Sem isso, nada feito, sua vida financeira será sempre uma confusão. O equilíbrio é essencial para dar tranquilidade e paz, o que é fundamental para aumentar a energia e a motivação.

Você já parou para pensar por que tanta gente reclama do Brasil e de nossos políticos? Em termos simples, o Brasil gasta mais do que ganha e fica sempre tentando aumentar a arrecadação cobrando mais e mais impostos.

Como o país não faz um bom controle, continua gastando mais e tendo que buscar sempre mais receita. Este é um bom exemplo (às avessas) para ilustrar a regra de ouro das finanças pessoais: gastar menos do que ganha. Se o Brasil fosse uma pessoa, seria uma pessoa sem educação financeira e absolutamente endividada.

Esse controle de gastos e ganhos tem um nome: orçamento. Nas empresas, é muito usado o termo em inglês, budget. Na sua vida pessoal é seu orçamento pessoal (ou familiar) mesmo.

Vou te dar uma ajuda: Clique aqui e baixe uma planilha gratuita, pronta e completinha para o seu orçamento familiar. Exercite essa planilha sem cessar, até que isso se torne uma rotina na sua vida. Não tem outro jeito, é igual sua saúde: se você não cuidar, a conta vai chegar (e bem cara).

Dica 2: A responsabilidade pelo orçamento é de toda a família

Não adianta apenas o marido (ou a esposa) “se matar” para deixar as finanças em ordem, se o cônjuge ou os filhos não fizerem a sua parte. Cada um deve ter sua parcela de responsabilidade no trato do orçamento familiar. Se apenas um trabalha, então o outro pode ajudar em tarefas do lar que gerem economia, por exemplo.

A equação é simples, e vou repeti-la: ou você ganha mais ou gasta menos, mas no fim, o ideal é uma sobra de 10% a 20% para os investimentos, e essa é a próxima dica.

Dica 3: Invista para crescer

Quando falo de investimentos, não estou me referindo apenas aos investimentos do mercado financeiro, mas também falo de investir em novos negócios, especialmente se você tiver tempo ou alguém de confiança que possa embarcar nesta jornada com você.

Seja de um ou outro modo, se você não fizer sobrar dinheiro no fim do mês, você não conseguirá poupar para investir e passar por momentos turbulentos com mais tranquilidade. Opa, aqui estou eu insistindo de novo na questão de gastar menos do que ganha e conseguir poupar. A esta altura você concorda que: 1) eu sou chato (risos); e 2) educação financeira é mais simples do que você imaginava.

Ainda sobre investir, fique atento ao tomar essa decisão, pois você garantir aplicações capazes de vencer a inflação para, assim, garantir uma rentabilidade real. Sendo prático, na renda fixa recomendo os títulos públicos Tesouro Selic (que hoje pagam 14,25% ao ano, brutos) e Tesouro IPCA, que pagam uma porcentagem fixa (algo hoje em torno de 6%) mais a variação anual do IPCA (pós-fixado).

Em qualquer dos casos, hoje você venceria a inflação, que está em torno dos 10% ao ano. Digo hoje porque a economia é dinâmica, e estes são os números disponíveis na data em que escrevo e compartilho este texto.

Leitura recomendada: Emprego está difícil, mas trabalho tem de sobra (para os corajosos)

Conclusão

Repare (de novo) que as três dicas são relacionadas e dependem umas das outras. Por isso, a educação financeira tem que ser vista como um estilo de vida. Não adianta fazer só uma ou outra coisa ou agir de forma isolada. É preciso respeitar e valorizar diversas ações e escolhas, que somadas vão te deixar mais rico.

A princípio, eu gravei um breve vídeo sobre este assunto. Assista-o abaixo. Ele complementa alguns pontos e ajuda a fixar o aprendizado:

Nos vemos no próximo! Um forte abraço e até lá!

Foto “savings”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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