Fim de ano é uma das épocas mais aguardadas pelos trabalhadores. Além da proximidade das festas de Natal e Réveillon, novembro e dezembro trazem também um alento ao bolso: o 13º salário. Em uma época tão cheia de despesas, esse dinheiro extra é muito bem-vindo.

Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (ANEFAC) mostra que 74% dos brasileiros devem usar o 13º salário para pagar dívidas neste final de ano.

O percentual é maior do que no ano de 2014, quando 68% dos entrevistados afirmavam que usariam o benefício para pagar dívidas. Em contrapartida, caiu em 27%, entre 2014 e 2015, o percentual de brasileiros dispostos a utilizar o salário extra para comprar presentes de fim de ano. Segundo a entidade, isso demonstra maiores dificuldades e preocupações dos consumidores com os gastos.

O que fazer com o 13º salário?

De acordo com o educador financeiro Pedro Braggio, para usar bem o 13º salário, a primeira pergunta que se deve fazer é: “Você tem dívidas?”. “Se sim, separe 65% para quitar ou amortizar esses débitos. Já os 35% restantes, reserve para as festas. Caso não tenha pendências financeiras, continue no azul e use 50% no Natal e Réveillon, 40% nas despesas do início do ano, e 10% guarde para poupança”, recomenda.

O especialista afirma que nessa época também é fundamental fugir de algumas ciladas. “O erro mais comum é usar o 13º salário como entrada para compras de alto valor, como automóveis, e começar 2016 com mais parcelas para pagar nos próximos meses”, diz.

A dica é sempre refletir antes de comprar: quero ou preciso? “Parece fácil, mas na hora de decidir a gente substitui um pelo outro e facilmente se engana, achando que realmente precisa de algo novo. Fique atento!”, alerta Pedro.

Além dessa divisão em porcentagem do 13º salário – se tem ou não dívidas – e de fugir das ciladas, é preciso lembrar que com a chegada de um ano novo também chegam novas contas, como o IPVA, o IPTU, a matrícula da escola dos filhos, a lista de material escolar, entre outras. Mesmo sabendo que esses gastos chegam e pesam bastante no início do ano, nem sempre o décimo terceiro é guardado.

Outra arapuca é se deixar levar pelo clima de confraternização. Por exemplo, será que é preciso mesmo entrar em todos os grupos de amigos secretos? “Escolha apenas um ou então proponha uma forma diferente de trocar presentes, podem ser valores mais baixos ou até mesmo uma troca de cartas e mensagens”, sugere Braggio.

Quando a questão são os presentes, a lista deve ser a grande aliada. “Coloque os nomes das pessoas que pretende presentear em ordem de prioridade: pais, companheiros, sobrinhos e afilhados. Além disso, estipule um valor máximo que pode gastar com cada presente”, diz.

Outra dica é se programar e não deixar tudo para a última hora. “Evite o desgaste físico e mental ao enfrentar lojas lotadas e com filas. Vá com tempo para pesquisar preços e não pagar mais caro nos produtos”, recomenda. Sobre os parcelamentos, vale lembrar que ao fazê-los comprometerá seu orçamento além 2015. “Sem contar que comprando à vista pode negociar descontos e economizar”, completa.

Dicas para quem está no azul

Se você é precavido e já separou todo o dinheiro para arcar com os gastos de início de ano, que tal usar o 13º salário para formar uma poupança? Segundo Otto Nogami, professor de economia do Insper e sócio da Nogami Participações, essa é uma ótima forma de ter recursos para emergências e sobreviver em momentos de crise.

Sobrou uma grana? Compre um presente para si. “Devemos aproveitar dessa condição para satisfazer algumas necessidades e desejos, dentro do montante recebido, e nunca além”, diz Nogami, que recomenda separar 20% para uma reserva e o restante usufruir no clima das festas de final de ano ou utilizá-lo para uma viagem de férias. Afinal, com as contas em ordem, dá para comemorar muito mais!

Em vídeo lançado nesta semana, Conrado Navarro, idealizador e sócio do Dinheirama, aborda a questão do 13º salário, como usá-lo de forma adequada e como investi-lo. Confira abaixo:

Foto “What to do”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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