De tempos em tempos, o assunto relacionado às pirâmides financeiras vem à tona, sempre alimentado pela ilusão, de parte da população, de que poderá ganhar dinheiro fácil. Vivemos um destes momentos em que é preciso fazer um alerta.

Cabe às pessoas pensarem várias vezes antes de entrar em qualquer tipo de negócio, seja ele relacionado ao mercado de ações, compra de imóveis ou outra coisa qualquer, sempre avaliando os riscos, as rentabilidades e, principalmente, se o retorno vai ao encontro com os sonhos e objetivos.

Lembrando sempre que todo investimento tem riscos e, quanto maior o risco, maior tende a ser o retorno. Se aparece algo com promessa de altíssimo retorno e baixíssimo risco, desconfie na hora, pois é isso que oferecem as possíveis “pirâmides”.

Pirâmides x Marketing Multinível (MMN)

Abaixo explicaremos a diferença entre pirâmides (que é proibido por lei no Brasil) e marketing multinível (que é autorizado e legal).

Pirâmides:

Hoje no Brasil, estão na moda os esquemas de pirâmides. Isso já não é novidade e vem desde os anos 20, com o conhecido caso Ponzi, que depende basicamente do recrutamento progressivo de outras pessoas para o sistema, sem levar em consideração a real geração de vendas de produtos ou serviços.

Os ganhos, portanto, não vêm dessas vendas, mas das taxas pagas por quem entra no sistema, com os novos associados remunerando os antigos. Costuma incentivar grandes investimentos em múltiplas compras dos pacotes oferecidos.

Em dado momento, o negócio se torna insustentável, uma vez que é matematicamente impossível atrair novos participantes para a rede, e os que entraram por último acabam sendo lesados e perdendo os recursos aplicados. É crime previsto em lei.

Marketing multinível, ou MMN:

Também chamado de marketing de rede, trata-se de modelo de negócio legal em que o integrante da rede pode ter ganhos tanto em razão da venda de produtos ou serviços como através de recrutamento de outros vendedores.

Nesse caso, seu faturamento será proporcional à receita gerada pelas vendas dos integrantes de sua rede. As empresas não precisam fazer grandes investimentos em publicidade e repassam aos seus distribuidores bônus e comissões de venda.

O que distingue o marketing multinível da pirâmide?

A diferença básica é que o MMN é um canal de distribuição de produtos e serviços e não de captação de recursos para investimento, e não depende de novos associados para a sustentabilidade do negócio.

No MMN, o número de consumidores dos produtos ou serviços é sempre superior ao número de revendedores, e o consumo é baseado no benefício e qualidade que trazem. Outra diferença é que as empresas pagam apenas um percentual de vendas já realizadas.

Ou seja, se nunca mais entrar um novo membro, os pagamentos poderão ser mantidos, uma vez que o consumidor final estará utilizando o produto, mesmo sem fazer parte da rede.

Pirâmides nos dias atuais

Esquemas fraudulentos continuam surgindo no mercado e, com a Internet, passaram a ganhar maior alcance e velocidade de propagação. De acordo com Roberta Kuruzu, diretora-executiva da Associação Brasileira de Vendas Diretas (ABEVD), “Esquemas piramidais são algo lendário, sempre existiu alguém querendo levar vantagem. Mas tudo vai ficando mais sofisticado e a principal diferença agora é o alcance e a velocidade. Antes, era preciso reunir os potenciais interessados num espaço físico, na garagem, no clube, num hotel. Agora é tudo pela internet e ilimitado”.

Pequeno guia de orientação contra golpes:

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) elaboraram um guia com orientação para os investidores identificarem e se proteger de golpes e de captação irregular de recursos, uma vez que apenas as instituições financeiras com o devido registro podem realizar operações deste tipo.

Pirâmide é crime previsto em lei

Pela legislação brasileira, a prática de pirâmide financeira se configura crime contra a economia popular. A lei n° 1.521, de 26 de dezembro de 1951, estabelece pena de 6 meses a 2 anos de prisão, além de multa para o crime de “obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (‘bola de neve’, ‘cadeias’, ‘pichardismo’ e quaisquer outros equivalentes)”.

Como se proteger

Embora algumas empresas defendam a regulamentação da atividade de marketing multinível, junto ao governo e MP, a legislação atual já permite separar as duas atividades e identificar as pirâmides.

“Quando é golpe dá para perceber facilmente, pois só há aparência de venda de alguma coisa. O que importa mesmo é a circulação de dinheiro”, diz o presidente da associação de promotores.

Este tipo de esquema fraudulento costuma seguir um roteiro comum após a adesão de um grande número de associados: atraso nos pagamentos ou entrega do que se oferece, dificuldade de contato com os responsáveis, promessas de regularização da atividade e perda dos recursos aplicados.

Você conhece alguém que caiu no golpe da pirâmide? Sabe como se prevenir do golpe? Cuidado com o olho grande, cuidado com aquilo que parece ser perfeito. Fique esperto, divulgue esse guia para amigos e comente abaixo algumas situações em que você ou algum conhecido se envolveu com as pirâmides ou sistemas disfarçados de marketing multinível.

Fontes: G1, Administradores.com.br e InfoMoney | Foto: iG

Igor Oliveira
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