dinheirama-post-dilema-lideranca-melhor-ser-amado-temidoVivemos um dilema quando queremos duas coisas ao mesmo tempo. Ao escolher uma, abrimos mão da outra. A liderança geralmente é testada nestes momentos contraditórios. Veja alguns deles: é melhor ser amado ou temido? É melhor ser controlador ou liberal? Deve-se pender mais para a justiça ou misericórdia? Demonstrar mais firmeza ou afetividade?

Nicolau Maquiavel sugeriu que um líder deseja um equilíbrio em temor e amor, mas como é difícil reuni-las, é mais seguro ser temido do que amado. Pesquisas apontam que quando julgamos líderes, avaliamos primeiramente duas características: se inspiram afeto (se são cordiais, participantes e dignos de confiança) ou se inspiram temor (se tem força, iniciativa ou competência).

As investigações sobre esse dilema mostraram que pessoas consideradas competentes, mas que são deficientes em afetividades, costumam despertar inveja nos outros, emoção que envolve respeito acrescido de ressentimento.

Por outro lado, aqueles que são vistos consideravelmente como muito simpáticos tendem a provocar piedade. Acredite, cerca de 90% das impressões que fazemos de indivíduos que julgamos como líderes pendem para um dos lados: afetividade ou força.

Liderança é influência. Para aqueles que estão iniciando sua trajetória, independentemente do papel que lhe seja atribuído, estudos têm mostrado que é melhor começar com a afetividade como um link para a influência, afinal ela permite a confiança e a comunicação. O poder da boa educação, simpatia e gentileza são alguns dos carros chefes neste aspecto.

Defendo a liderança principalmente dentro do lar. Muitos dizem que não existe manual para a paternidade/maternidade e essa expressão é apenas outro jeito de dizer que é muito difícil manter o equilíbrio entre controlar e liberar, abraçar e castigar, ser justo e misericordioso, demonstrar afeto e força, ser participativo e diretivo.

Quando os pais não se posicionam de maneira clara e constante no equilíbrio desses dilemas para com seus filhos, as crianças ficam confusas e tendem a não seguir as instruções. Em outras palavras, os pais perdem a sua influência. A educação dos filhos é, sem dúvida nenhuma, uma grande oportunidade para equilibrar amor e firmeza.

Gosto de pensar que devemos ser fortes e firmes em princípios e simpáticos com pessoas. Controlar através de leis e dar liberdade para vivê-las. Ser diretivo nos princípios e participativo na liberdade. Repreender com justiça e abraçar com misericórdia.

Uma analogia para esse dilema são as leis de trânsito, que nos permitem ir e vir com segurança e liberdade. Certa vez li que “Somos eternamente escravos de leis que nos tornam livres”. Pode parecer paradoxal, mas sem as leis de trânsito como poderíamos encontrar satisfação e alegria em nossos deslocamentos? Tudo seria muito confuso!

Algumas organizações estão como um trânsito sem leis. Há muita liberdade e pouco controle. Outras, por outro lado, são radicais e privam os indivíduos de escolher. Líderes tem a responsabilidade de criar uma atmosfera equilibrada para que a vida seja plena para todos.

Cada família, empresa, igreja ou qualquer outra organização, ao viver esses dilemas, percebe que a medida da balança entre controle e liberdade é que define sua cultura. Existem aquelas mais liberais e as mais radicais. Isso até em governos, a exemplo dos EUA, que possui os democratas e republicanos.

Minha impressão é que o desafio da liderança repousa na maturidade mental, emocional e espiritual para saber quando e como exercer a influência de forma equilibrada. Sabedoria, neste sentido, significa nivelar as coisas para que exista paz.

E como anda sua organização? Em paz ou em guerra? E sua influência com líder? Pende para o liberal ou para o controlador? Se você têm trabalhado para equilibrar ambas e cumprir um propósito ou defender uma causa sua trajetória como líder, já está se desenvolvendo.

Compartilhe suas ponderações conosco usando o espaço de comentários abaixo! Ficaremos felizes em aprender como você lida com todos esses dilemas. Até a próxima!

Foto clear strategy, Shutterstock.

Alex Arcanjo
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