A instabilidade econômica e política continua. Enquanto nossos governantes disputam o poder para protegerem interesses que mais parecem ser particulares do que da nação, o mercado financeiro segue indefinido, aguardando uma sinalização mais firme sobre o rumo dos ajustes que precisam ser feitos.

No cenário externo, os investidores observam os sinais sobre o momento da retomada dos juros americanos e o desempenho da economia chinesa, que aliás, afeta bastante o mercado de ações no Brasil, visto que somos um grande fornecedor de matéria prima para aquele país.

Em meio a tudo isso, recebemos muitas mensagens de nossos leitores, nos perguntando se estamos num bom momento para comprar ações, visto que nossa bolsa de valores parece estar barata e também que momentos de crise costumam reservar boas oportunidades.

Pensando nisso, convidamos o analista CNPI da Empiricus, Bruce Barbosa, para uma entrevista. Ele é graduado em Engenharia pela USP e possui MBA pela New York University. Trabalhou como advisor do Wealth Management do BNP Paribas e trader na mesa de Derivativos de Equity no HSBC em Londres. Bruce é um verdadeiro caçador das barganhas da bolsa. Confira o que ele tem a nos dizer.

Bruce, observando o cenário político, estamos diante da instalação de um possível processo impeachment da Presidente Dilma. Caso isso ocorra, em sua opinião, como ficaria a bolsa de valores? É possível projetar uma tendência para os próximos meses?

Bruce Barbosa: A resposta fácil é que não, não podemos projetar uma tendência para os próximos meses. Mas imagino que qualquer novo Governo será menos pior que o atual e trará uma maior confiança dos agentes na economia e política. Logo, imaginamos uma melhora, mas difícil saber de quanto e quando.

Você considera que podemos ter alcançado o fundo do poço? O governo entendeu que a única saída é a realização das reformas necessárias para recuperação da economia? A crise ainda pode se agravar?

B. B.: É impossível fazer previsões políticas, e a situação atual torna esta dificuldade ainda maior. A crise certamente pode se agravar, mas vemos uma resistência nos ativos em relação a caírem ainda mais, mesmo quando impactados por notícias negativas. Isso nos dá alguma confiança de que estamos no fundo do poço. Mas é claro que só saberemos ao certo, se efetivamente já passamos o fundo, após a retomada.

Quando observamos a bolsa em reais, vemos que ainda não atingimos os patamares da crise de 2008, que levou o índice para a casa dos 30.000 pontos. Porém, em dólares, o cenário é outro. O que você nos diz sobre essa reflexão?

B. B.: O real perdeu muito seu valor e a capacidade de precificar os ativos. A confiança no poder de compra da moeda também já não é a mesma. Acreditamos que o IBOV em dólar reflete melhor a posição em que nossa bolsa se encontra, frente a outros índices globais. É uma melhor forma de comparar os ativos locais com o exterior.

Uma dúvida recorrente de nossos leitores é se eles devem investir em fundos de ações que acompanham o índice Bovespa (os ETFs), visando diversificação, ou se devem comprar ações específicas de algumas empresas. Em sua opinião, qual a melhor estratégia neste momento?

B. B.: O investidor não-profissional deve investir em ETFs. Desta forma, não precisa arcar com os altos custos dos fundos de investimento. Mas preferimos indicar ações específicas com potencial de valorização bastante superior à média do índice. Muitas ações do índice não são rentáveis e são demasiadamente alavancadas.

Vocês sempre desenvolvem material exclusivo e gratuito. Preparam algum especificamente sobre as oportunidades na bolsa? O que é o selo BBE?

B. B.: Sim, preparamos as Oportunidades de uma Vida. (clique e saiba mais). É uma série especial que une dois relatórios (O Palavra do Estrategista e o Barganhas da Bolsa) para recomendar as melhores oportunidades que enxergamos hoje. BBE é um selo que damos às melhores empresas de nosso portfólio. Hoje somente Itaú a possui. Mas vamos expandir o número de merecedoras nas próximas semanas.

Agradecemos mais uma vez o seu tempo e atenção com os leitores do Dinheirama, que tiveram mais uma oportunidade de aprendizado sobre como cuidar de seus investimentos neste momento crítico que nosso país se encontra. Por favor, deixe uma mensagem final para nossos leitores.

Este é o momento de comprar ações de empresas rentáveis, sólidas e baratas. Existem oportunidades inacreditáveis para quem sabe encontrá-las. Custa caro ao investidor não procurar por assessoramento financeiro. Recebemos muitos e-mails de assinantes que se arrependeram de tentar investir sem as ferramentas necessárias. Se o investidor somente lê os jornais estará seguindo a manada. Procuramos fazer justamente o contrário. Um bom investimento feito hoje dará ótimos frutos aos investidores para toda a vida. Acreditamos no Brasil e no potencial de algumas empresas de gerar muito valor, mesmo no cenário atual.

Ricardo Pereira
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