Dinheirama entrevista: Cadu Alves, sócio-fundador do BeesOfficeO Dinheirama sempre se destacou por ser um espaço de aprendizado, divulgação de boas ideias e opiniões fortes. Ainda no começo de nossa história, recebemos apoio de muitos empreendedores, leitores, gente como a gente, dispostos a contribuir com nosso conteúdo e direção. Hoje tenho a oportunidade de entrevistar um desses incentivadores, alguém que nos deu força desde o início e hoje é um empreendedor de sucesso, além de um grande amigo.

Cadu de Castro Alves tem 26 anos e é estudante de Engenharia de Produção. É sócio-fundador do BeesOffice Espaço de Coworking e da Blue Factory Solutions, empresa especializada no desenvolvimento de soluções para Internet, área em que atua há mais de 8 anos. Torce para o Vasco da Gama, é apaixonado pelo Rio de Janeiro e devora tudo relacionado a empreendedorismo, negócios e tecnologia.

Cadu é um desses empreendedores que transformam a realidade à sua volta. Jovem, talentoso e muito determinado, inovou com o conceito de escritórios compartilhados, algo que só entendi melhor depois desta rápida conversa que tivemos, e que você lerá a seguir. Espero que aproveite para alimentar também seus sonhos de empreender lembrando-se do mais importante: é possível! E vale a pena. Vamos ao papo:

Cadu, fiquei curioso quando retomamos nosso contato e me disse que estava à frente de um espaço de coworking. Pode nos contar um pouco mais sobre como funciona esse tipo de negócio?

Cadu Alves: Um funcionário de uma empresa chega no escritório, senta em sua estação de trabalho e, simplesmente, começa a trabalhar. Não se preocupa com os móveis do local, limpeza, manutenção, contas de luz, água ou telefone, porque tudo isso já está sendo gerenciado pelo dono da empresa. Assim é a vida de muita gente, certo?

Agora imagine um pequeno empreendedor[bb] que está começando um negócio ou que já possui uma pequena empresa: como se preocupar com tudo isso e ainda tocar o seu negócio? Imagine, ainda, trabalhar em seu home-office e ter de lidar com interrupções causadas de sua diarista, querendo saber o que fazer no almoço, ou do seu filho querendo brincar. Para muitos, trabalhar em casa não é produtivo, seja por conta do isolamento ou simplesmente porque a cama parece “um convite” para uma boa soneca.

Situações como essas não ocorrem em espaços de coworking. Por um custo acessível, você conta com toda a infraestrutura necessária para focar 100% no seu negócio. E o melhor, cercado por profissionais de diversas áreas, sempre dispostos a trocar ideias, ajudá-lo quando você precisar e até mesmo fazer companhia para um cafezinho. Tudo em um local com uma atmosfera descontraída, mas com a mesma seriedade de uma grande empresa.

O brasileiro costuma criar raízes, o que significa apego ao trabalho e à rotina. Não é difícil convencer as pessoas de que um ambiente novo de trabalho, sem formalidades e compartilhado, pode ser útil para produtividade?

CA: Com certeza é. No entanto, uma das coisas mais interessantes é que os próprios profissionais, ao experimentarem pela primeira vez um lugar deste tipo acabam indicando o espaço para outras pessoas. Temos clientes que, antes mesmo de se tornarem nossos clientes, já fizeram negócios com outras pessoas que trabalham em nosso espaço. Lá dentro, a experiência é ainda mais interessante. Como a maioria dos profissionais possuem microempresas, eles acabam tornando-se parceiros de negócios e indicando clientes uns para os outros.

A produtividade está muito relacionada com o ambiente onde você está inserido. Se você trabalha num local onde as pessoas vivem reclamando do ambiente de trabalho, você tende a fazer o mesmo. Num espaço de coworking, você vê as pessoas felizes, ávidas pelo trabalho e com muita garra, produzindo como loucos. Isso contagia qualquer um!

Parece que as novas gerações estão mais preparadas para o desapego, para o trabalho sem tanto vínculo e para a qualidade de vida. Como você vê esses aspectos?

CA: É verdade. Quando eu estava começando a me inserir no mercado de trabalho, eu lembro que as empresas consideravam os profissionais “rodados” como um perfil negativo. Hoje isso praticamente não existe mais. Eu vejo o mercado de trabalho atual como o mercado do futebol. Se você é craque, sempre terá oferta dos melhores locais para trabalhar. E é isso que hoje as empresas buscam: os foras de série.

A qualidade de vida é algo com que as empresas tem se preocupado mais nos últimos anos. Um exemplo disso é o prêmio “Melhor empresa para trabalhar”. Existe uma preocupação muito grande das empresas em oferecer um local de trabalho propício para que os profissionais produzam sem perder em qualidade de vida. Nesse ponto, eu acredito que os espaços de coworking se assemelhem muito com escritórios como os do Google[bb] e Microsoft.

É muito comum encontrar espaços lounge e salas de jogos para os profissionais saírem um pouco da rotina e relaxarem durante o expediente. Isso é muito interessante e faz muita diferença.

O ambiente de trabalho no Brasil e a cultura do brasileiro ainda não são totalmente voltados para o equilíbrio profissional e empreendedorismo. Lidar com profissionais tão diferentes no dia-a-dia colabora para uma mudança neste sentido? O que tem aprendido?

CA: Eu acredito que sim. Nos últimos anos, o número de pessoas interessadas em empreender por oportunidade tem superado o número das pessoas que empreendem por necessidade. Isso mostra que o brasileiro está evoluindo e acredita que é o principal responsável pelo seu futuro e, consequentemente, pelo futuro do país. É uma mudança cultural ainda incipiente, mas bastante importante e há muito tempo esperada.

Muita gente reclama que o Brasil é um país com muitos problemas (o que realmente é verdade), mas eu vejo isso com bons olhos, pois problemas geram oportunidades; logo, estamos diante de um país cheio de oportunidades. Empreender é enxergá-las, viabilizá-las e comemorá-las.

Então empreender é criar oportunidades e valorizar relacionamentos? Gostei da definição.

CA: Exato. Reparo muito isso no dia a dia de meu trabalho. Uma das experiências mais interessantes em gerenciar um espaço de coworking é lidar com profissionais de diferentes áreas, com diferentes visões. Umas das filosofias do espaço de trabalho compartilhado é estar sempre aberto a novas ideias, sempre disposto a trocar conhecimento[bb]. Esta abertura gera excelentes reflexões e nos faz pensar “fora da caixa”.

Isso tem sido muito importante para o BeesOffice, pois valorizamos o feedback de nossos clientes e fazemos questão de aprender com eles. Já fizemos mudanças na gestão interna e na abordagem depois de recebermos sugestões neste sentido. Além disso, organizamos eventos de capacitação e orientação dentro do espaço para os clientes e a comunidade e muitos desses eventos surgiram para atender as necessidades dos próprios clientes.

Observar e estar em contato com empresários, profissionais de diferentes áreas e ramos distintos de negócio parece ser fascinante se levarmos em conta o olhar empreendedor. Como você tem aproveitado essa rara oportunidade?

CA: Acordar todos os dias para trabalhar com pessoas tão bacanas, competentes e cheias de ideias é realmente uma experiência fascinante. Graças a Deus, eu trabalhei com muitos profissionais assim em todas as empresas por onde passei, mas nada se compara a trabalhar com profissionais com perfis tão distintos, cada um com a sua especialidade.

Desde que abri a empresa, não me lembro de um dia sequer em que estivesse desmotivado. A diversidade gera tantas chances de aprendizado, e isso já paga todo o esforço que fazemos para mostrar as pessoas todos os benefícios do coworking. Perceber os clientes satisfeitos por estarem em um ambiente de trabalho que facilita a produtividade e o networking motiva bastante.

Cadu, obrigado pelo bate papo e sucesso!

CA: Eu que agradeço e desejo a vocês um excelente 2011! Abraços.

Crédito da foto: divulgação.

Conrado Navarro
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