No Dinheirama nós adoramos mostrar as tantas possibilidades inovadoras que vêm sido trazidas pelas startups de tecnologia financeira. Desta vez, o papo é com Camilo Telles, CEO da Antecipa.

A fintech opera um marketplace de antecipação de recebíveis entre compradores e fornecedores com foco no caixa do sacado, e reside no Cubo Itaú, um dos maiores epicentros de tecnologia e inovação do Brasil.

Camilo, por sua vez, é mestre em computação e já teve uma empresa de ingressos que realizava eventos como Rock in Rio e Oktoberfest. Foi com ela que conheceu o mercado de recebíveis, já que os antecipava para produtores. “Analisando como funcionava a antecipação, percebi que a negociação era feita diretamente entre comprador e fornecedor e havia uma falha de mercado, pois o valor não era ajustado ao risco do fornecedor, criando um mercado ineficiente ou com vantagem para apenas um dos lados”, conta.

Confira a entrevista exclusiva para o Dinheirama!

Camilo, você pode falar resumidamente sobre como funciona o mercado de recebíveis no Brasil? Onde entra a Antecipa nisso?

Camilo Telles – Existem uma série de atores nesse mercado. A antecipação de recebíveis de cartão de crédito é algo imenso e parte significante da receita de empresas como Cielo, Stone, PagSeguro etc. Além disso, você tem a ação de bancos, factorings e FIDC´s, ou seja, todos antecipando recebíveis.

A Antecipa, por sua vez, é uma solução criada fora do mercado bancário e não tem intermediários, logo o retorno/desconto financeiro é maior para as duas pontas: compradores e fornecedores.  Funciona assim: o comprador combina com o fornecedor de pagar em 30 a 60 dias, tendo a opção de antecipar o pagamento mediante um desconto comercial. No entanto, no mercado atual, ele tem de escolher uma taxa referencial estática, deixando de analisar as alternativas que o fornecedor teria disponíveis no mercado, assumindo o risco de ofertar um desconto menor, ou seja, ”deixando dinheiro na mesa”.

Vamos supor que a taxa negociada pelo comprador foi de 2,5% para fazer uma determinada antecipação, mas o fornecedor pesquisou e notou que a taxa poderia ser de até 4% em fontes alternativas (por exemplo, um banco).  Logo, a taxa poderia ter sido maior e o comprador poderia ter obtido um retorno superior na operação.

Por outro lado, se, por alguma razão, o fornecedor não aceitar o negócio, o dinheiro acabará parado no banco, rendendo pouco ao mês, ainda mais com a queda da taxa Selic. Com a ferramenta de fixação de preços que a Antecipa lançou, a negociação poderia ter alcançado taxas dinâmicas acima de 3%, por exemplo. Nossa solução sempre permitirá que o comprador (aquele que tem a obrigação de honrar com o pagamento em alguma data futura) tenha retorno acima do CDI, ou seja, ao realizar uma antecipação a uma taxa de 2,5%, isso representaria um desconto de que 300% do CDI pra ele.

Dados do Banco Central mostram que as concessões voltadas para desconto de duplicatas, por exemplo, alcançaram em dezembro do ano passado R$ 30,601 bilhões, uma alta de 121,4% maior do que o computado no mesmo período de 2016, quando foi R$ 13,816 bilhões. Já a antecipação de crédito de faturas de cartão subiu 455% na mesma base de comparação, de R$ 2,384 bilhões para R$ 13,250 bilhões.

Explique melhor as vantagens para uma PME que fornece serviço ou produto usar a Antecipa. E para a empresa compradora? Pode dar um exemplo prático?

C.M.: Com o spread bancário brasileiro sendo um dos mais altos do mundo, sempre é vantajoso a prática de antecipar, pois eliminamos intermediários. A empresa compradora tem o seu caixa disponível, sendo remunerada a 0,5% ao mês em média, ao mesmo tempo que o fornecedor não consegue descontar um recebível com um valor menor que 4,23% segundo dados da Anfac.

Usando a plataforma, o comprador terá uma remuneração média acima de 1% ao mês e o fornecedor um desconto médio abaixo de 3%. Uma das preocupações de tesoureiros e de diretores financeiros das grandes empresas é como aproveitar melhor o dinheiro do caixa. Em tempos de crise econômica e queda acentuada da taxa Selic, as alternativas ficam ainda mais reduzidas.

De que forma os algoritmos da Antecipa promovem as taxas? As empresas são obrigadas a aceitar uma vez que estejam no sistema ou é facultativo?

C.M.: É facultativo. Parte do processo é por meio de um credit score, que é um ranking de pontuação de crédito para medir o risco  da empresa. As melhores taxas são obtidas por conta da eliminação do intermediário.

Qual o perfil dos clientes da Antecipa hoje? Qualquer porte de empresa pode usar?

C.M.: Do lado do comprador, empresas que faturam acima de R$ 300 milhões de reais. Do lado do fornecedor, pequenas empresas do Brasil inteiro, e já antecipamos um recebível de R$ 200,00.

Como você enxerga o mercado de fintechs e seus desafios no Brasil? Acredita que suprem demandas que os bancos e instituições financeiras tradicionais não têm conseguido suprir?

C.M.: Sim. O Brasil tem ainda uma grande concentração bancária e as fintechs estão destrinchando os serviços dos bancos e ofertando-os de forma mais eficiente. Podemos buscar um crédito de pessoa física, por exemplo, e isso gera uma descontração do sistema bancário, mais dinamização e flexibilidade, assim como melhores serviços e melhores taxas.  O spread bancário brasileiro é um dos maiores do mundo e ganha de países como Paraguai, Peru, Argentina, Austrália, África do Sul, México e Japão.

Redação Dinheirama
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários