Durante a campanha eleitoral de 2014, um dos assuntos mais comentados foi a criação do relatório “O Fim do Brasil” (clique se ainda não conhece), elaborado pelo economista Felipe Miranda, da Empiricus Research. A polêmica em torno do material tomou grandes proporções e foi destaque inclusive no embate político.

Conversamos em diversas oportunidades com o Felipe sempre com a intenção de entender seus argumentos. Sendo o Dinheirama um hub de discussões, quisemos saber também sua opinião sobre nossa economia e abrir sua tese para conhecimento dos leitores.

A tese é polêmica e muita gente se manifestou, durante as publicações, de forma contrária às suas argumentações. Na expectativa de alimentarmos ainda mais o debate sadio e inteligente, abrimos espaço para que outros economistas e mesmo leitores escrevessem um artigo.

Convidamos outras pessoas para que concedessem uma entrevista, fazendo o contraponto às ideias do Felipe. Infelizmente, não apareceu ninguém disposto a escrever algo ou responder nossas perguntas. O convite permanece, então se você não concorda e quer argumentar, tem espaço garantido por aqui.

Recentemente, o relatório “Fim do Brasil” se transformou em um livro e a repercussão desse lançamento foi bastante positiva, reunindo muita gente durante o evento de lançamento. Segundo a editora, o livro já pode ser considerado um best-seller.

Mais uma vez, conversamos com o Felipe para saber como ele enxerga o atual momento do país. Depois de praticamente dois meses do lançamento do relatório, será que ele mantém a mesma posição, mesmo após esse período de profundo debate? A entrevista foi muito interessante e, com a franqueza habitual, Felipe não deixa escondida sua opinião.

Reforço uma vez mais que o Dinheirama é um espaço democrático, onde todas as opiniões são respeitadas. Quem se sentir preparado para rebater as ideias do Felipe Miranda terá seu espaço garantido, desde que o conteúdo seja respeitoso e o debate se mantenha em alto nível.

Acompanhe a entrevista:

Felipe, passado o turbilhão de acontecimentos que sucederam o lançamento do Relatório “O Fim do Brasil”, você reviu a sua tese ou continua com a mesma teoria?

Felipe Miranda: A rigor, não somente mantive, como encontrei reforços ao argumento. Quando comecei a escrever, o dólar estava a R$ 2,20 e as projeções para crescimento do PIB em 2014 apontavam para algo em torno de 1,3%. Agora, o câmbio marca R$ 2,42, sem sinais de interrupção da trajetória, e as estimativas sugerem evolução da economia de apenas 0,3% neste ano.

Além disso, a atual presidente-candidata e seus ministros têm manifestado a intenção de “levar a atual política econômica às últimas consequências”, para usar a terminologia de Guido Mantega. Isso posto, na hipótese de reeleição da presidente Dilma, enfrentaríamos certamente uma crise financeira.

As evidências de deterioração do modelo são incontestáveis e têm sido claramente corroboradas.

Durante a campanha, um interlocutor da candidata Marina Silva defendeu, em alguns momentos, a ideia de elevar a meta de inflação em 2015. Você acha que é um caminho realista, pensando na manutenção da confiança do tripé econômico?

F. M.: Não acho que seja necessário. O sistema de metas, no meu entendimento, não precisa ser revisto por questões pontuais e conjunturais.

Se, eventualmente, descumprirmos a meta de 2015 por conta da necessidade de soltar preços represados de energia, combustível, tarifas públicas e câmbio, o Banco Central, de forma transparente, vai lá, escreve sua carta explicando da herança maldita e inicia um processo de convergência à meta em 2016.

A meta de inflação já é muito benevolente, sobretudo com o uso abusivo das bandas, que existem apenas para incorporar choques exógenos transitórios. Temos de caminhar para redução da meta dentro de cinco anos. Vejo que uma elevação momentânea causaria um ruído desnecessário ao processo.

A Presidente Dilma já descartou a participação do Ministro Guido Mantega em um eventual segundo mandato. Como você, um dos nomes mais comentados no meio econômico da atualidade, recebeu essa notícia? O Ministro é parte do problema do mau desempenho econômico do governo?

F. M.: Embora o ministro Mantega seja bastante despreparado, o problema transcende o posicionamento pessoal. Na prática, temos uma presidente-ministra. Simplesmente mudar Mantega não significa muito.

O nome interessa pouco. Precisaríamos ter efetivo abandono da nova matriz econômica, o que não me parece crível sob o atual governo. Há de se lembrar que Nelson Barbosa, que é um economista competente e ligado ao PT, deixou o governo justamente por divergências na política econômica.

Ainda sobre o tema eleições, vocês têm novidades em termos de relatórios? Como vai funcionar a parceria com o Professor Fernando Abrucio (Cientista Político da FGV)? Como as pessoas poderão ter acesso aos relatórios?

F. M.: Temos uma excelente novidade. O professor Fernando Abrucio é, na minha visão, o melhor cientista político do Brasil. Isso permitirá que investidores de varejo tenham a melhor visão possível sobre as eleições. Estamos orgulhosos em poder subverter a velha ordem de que somente grandes investidores tinham acesso à boa informação.

Agora, o pequeno poderá estar inclusive à frente do grande em termos de acesso a informações sobre eleição, que é o principal evento de 2014, com impactos enormes sobre o patrimônio das pessoas. O leitor interessado pode saber mais sobre isso clicando aqui.

Sob total liberdade editorial, sem interferência da Empiricus de qualquer natureza, o professor Fernando escreverá um relatório por semana sobre o cenário das eleições, tratando de probabilidades de vitória de cada candidato, questões qualitativas de cada candidatura, comentários sobre pesquisas recém-anunciadas, especulações de nomes para ocupação de quadros no processo governo. Além, claro, de qualquer outro insight que ele venha a achar pertinente.

Para acessar esse conteúdo, bastará ao investidor assinar nossa série chamada Série PRO, que já oferecia um conteúdo formidável e agora vem reforçada. Estamos muito orgulhosos por essa parceria.

Você lançou recentemente o livro “O Fim do Brasil”. Conte pra gente um pouco da experiência com o livro e como os leitores podem comprá-lo.

F. M.: É uma experiência muito interessante, que basicamente consagra a tese sobre “O Fim do Brasil”, com uma abordagem totalmente nova, não exposta na internet. Há um conteúdo inédito ali sobre economia, censura e proteção de patrimônio. É um documento importante para o momento.

O livro está na maior parte das livrarias do Brasil. E pode ser comprado também na nossa loja virtual, de forma bastante simples. Basta acessar nossa loja online e realizar a compra.

Em relação à disputa presidencial, independente do vencedor, que conselho você pode oferecer àqueles que buscam uma opção de investimento capaz de oferecer proteção para os momentos de possível turbulência que teremos pela frente?

F. M.: Recomendaria ao investidor, acima de outras coisas, reconhecer que o momento atual enseja um posicionamento defensivo. A atual qualidade dos fundamentos econômicos brasileiros, associada aos fatores de risco externo, sugere uma alocação pautada na proteção patrimonial, e não em sua multiplicação.

Daí decorrem sugestões canônicas, como dólar, títulos atrelados à inflação, que voltará como um fenômeno fiscal no caso de reeleição, exposição a juros curtos em detrimento aos longos, muita diversificação e alguns nomes anticíclicos.

Felipe, muito obrigado pelo seu tempo e parabéns pelo lançamento do livro. Qual a mensagem final para os leitores do Dinheirama que continuam acompanhando de perto as iniciativas da Empiricus?

F. M.: O momento é de agradecimento pelo prestígio, por terem ajudado, em maior ou menor grau, a tornar O Fim do Brasil um grande sucesso. Tenho certeza de que o acompanhamento do atual cenário e, por conseguinte, da deterioração da economia brasileira oferecerá a essas pessoas preparo diferenciado para enfrentar uma eventual crise.

Por fim, convido o leitor a se cadastrar na Empiricus, passando assim a receber nossas newsletters diárias gratuitas. Parabéns ao Dinheirama por esse compromisso com a educação financeira dos brasileiros. Um abraço a todos!

Ricardo Pereira
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