Hoje o assunto que embalou o mercado financeiro foi a perda do grau de investimento do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Nada mais significativo para o dia do que uma entrevista com economista Felipe Miranda, sócio da Empiricus Research.

Felipe, um dos primeiros economistas a destacar os graves problemas que o Brasil enfrentaria em sua economia, concedeu uma breve entrevista para o Dinheirama, ainda antes da divulgação da redução da nota de crédito do Brasil, que comprova mais uma vez suas teorias difundidas no relatório “O Fim do Brasil”.

Agora, Felipe conta um pouco mais sobre um novo trabalho, “A Hora Chegou” (clique e saiba mais), onde compartilha com os assinantes da Empiricus sua própria estratégia de investimentos, mostrando que a crise ofereceu ao país e aos investidores uma chance única de crescer aproveitando oportunidades únicas que só surgem em momentos de grande dificuldade.

A entrevista, surge em um momento difícil, mas que representa a chance de prosperar mesmo em momento de crise, e a palavra do estrategista (clique e saiba mais) tem muito peso na definição da estratégia dos investidores.

Aproveite a leitura.

Felipe, tudo indica que nos próximos meses poderemos observar um agravamento da crise. Você acredita que o mercado já precificou este momento delicado por que passa nossa economia?

Felipe Miranda: Imagino que, ao menos em boa parte, sim. O CDS brasileiro bateu 380 pontos – isso está alinhado com países que não apenas são classificados como “grau especulativo”, mas estão “deep into junk”, dois ou três degraus abaixo do investment grade. Títulos prefixados estão pagando 15%, o que indica prêmios de risco bastante gordos.

Talvez ainda mais importante seja o fato de que de um agravamento adicional da crise pode emergir a solução. Muitas pessoas estão confundindo ausência de evidência com evidência de ausência. Não é porque não estamos enxergando a saída para a crise que ela não exista.

Em outros momentos de grave crise o Brasil se recuperou e voltou a crescer. A falta de apoio político e popular não torna no atual momento o cenário especialmente mais difícil?

F.M.: Certamente, sim. Mas não nos iludamos. A sociedade é madura, as instituições são fortes e o principal partido brasileiro é um partido de centro, o que inibe radicalizações. Do cenário problemático, sempre emerge uma solução.

Pouca gente percebe, contaminada pelo mau desempenho da economia, que crises podem ser ótimas oportunidades. O que você poderia destacar nesse momento?

F.M.: Os orientais têm uma concepção mais clara disso. Um problema vem sempre acompanhado de uma janela de oportunidade. E é isso que os investidores devem perceber. Receber 15% ao ano para estar num título sem risco de crédito, por exemplo, é uma oportunidade que deve ser aproveitada.

Conte um pouco mais sobre esse novo estudo que a Empiricus está oferecendo, dentro do “A Palavra do Estrategista” chamado de “A Hora Chegou”.

F.M.: Há tempos, estamos entre os analistas mais pessimistas do Brasil. Recomendamos vender bolsa, evitar o prefixado e comprar dólar. Sabíamos que a hora de mudar de ideia chegaria. E ela chegou, por uma razão muito simples: preço.

O estudo é muito mais uma visão de oportunidade, no meio da crise, do que uma visão de que a economia voltará aos eixos no curto prazo, certo? Você continua preocupado com o futuro do Brasil?

F.M.: Sim, bastante. O lado real da economia deve continuar com problemas, por alguns anos. Mas a velocidade de ajustamento do mercado de bens é bem diferente daquela apresentada pelo mercado de capitais. Os ativos financeiros se antecipam e incorporam aos preços o cenário à frente.

Se ficarmos esperando a economia se recuperar para, então, comprar ativos de risco, provavelmente já teremos visto o cavalo passar devidamente arreado.

Muitos leitores do Dinheirama, se identificam com suas análises porque além de apontar os problemas, também utiliza e oferece aos leitores e assinantes da Empiricus, muito de sua própria estratégia (como investidor). Como você lida com esse desafio?

F.M.: Acho que é o mais honesto a se fazer. Uma opinião sem exposição não vale nada. Sou bastante crítico e rigoroso quanto a isso.

Felipe, agradecemos muito sua atenção com o Dinheirama, cada nova entrevista é mais uma grande chance de aprendizado. Por favor, como de costume, peço que deixe uma mensagem final para os leitores.

A mensagem é muito simples e direta desta vez: podemos mudar um pouco o foco da proteção para a multiplicação do capital.

 

Ricardo Pereira
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