Quantos livros você já leu em 2016? E em 2015? Como você é um leitor do Dinheirama, certamente terá lido mais do que a média dos brasileiros. Aliás, quantos livros um brasileiro lê por ano? Se considerarmos todos os gêneros, não chegamos em 5 livros/ano, mas com um agravante: lidos por inteiro apenas dois. Os dados são do Instituto Pró-Livro.

Vamos ler mais e melhor? Pensando nisso, conversei com o amigo Fernando Tremonti, paulistano, desenvolvedor de softwares, eterno defensor da transformação social através da leitura e, consequentemente, fundador do projeto “Leitura no Vagão”.

Seu projeto é muito bacana, pois consiste em oferecer livros nos lugares em que costumamos passar boa parte do dia, como em vagões do metrô, ônibus municipais e por aí vai. Com a sua ajuda voluntária (e de muitos outros apoiadores), o hábito de leitura já está se transformando em realidade em muitos lares. Acompanhe nosso papo:

Fernando, por que você acha a leitura tão importante? Como ela soma com a vida e o dia a dia das pessoas?

Fernando Tremonti: A leitura amplia horizontes, dá vocabulário, nos faz menos robóticos e nos torna pessoas mais interessantes. Porém, costumo dizer que não acredite nisso tudo só porque eu disse. Faça o seguinte: comece a ler e comprove sozinho; e se eu estiver errado, me mande uma mensagem.

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O brasileiro geralmente lê muito pouco (nem dois livros por ano, em média). Como mudar essa realidade?

F.T.: Temos que mostrar o quão interessante é a leitura. Atualmente a leitura disputa com muitas outras coisas consideradas ‘mais interessantes’: smartphones, redes sociais, joguinhos e etc. Deixar um livro para que possam pegá-lo e se interessarem com a capa, com a sinopse, com o autor ou autora já é um começo. É um trabalho bem difícil, mas não é impossível.

Você tem um projeto sensacional chamado “Leitura no Vagão”. Pode nos explicar melhor como ele funciona, seus objetivos e resultados até agora?

F.T.: Tenho uma filosofia de vida que é transformar o ambiente em que atuo em um lugar melhor. Tento fazer isso em casa, no futebol com os amigos, no trabalho e por onde passo. Meu meio de transporte é o metrô e um dia me perguntei: “O que eu posso fazer nesse ambiente para melhorar a vida das outras pessoas?” e a resposta foi fácil de encontrar e estava na minha mão direita: um livro.

Foi aí que, em agosto de 2014, comecei a deixar os livros que tinha em casa com o intuito de disseminar a leitura e otimizar o tempo, que para muitos é considerado perdido, dentro dos vagões.

O projeto cresceu, expandimos para os ônibus e agora fazemos as distribuições nas ruas. Até o momento, foram distribuídos de forma gratuita mais de 13 mil livros e o envolvimento das pessoas com o projeto está cada vez maior.

A nova fase do “Leitura no Vagão” conta também com a ajuda do público em uma campanha de crowdfunding, certo? Como nosso leitor que gosta de livros pode colaborar?

F.T.: Exatamente! Quero explicar que todos que participam do “Leitura no Vagão” são voluntários. São pessoas que doam seu tempo e seus recursos para que possamos continuar.

O projeto cresceu e precisamos de recursos para garantirmos as ações do próximo semestre. Então foi criado um financiamento coletivo que mostrará de forma transparente toda essa arrecadação.

Quem quiser colaborar pode acessar o link https://goo.gl/yJaqVA e fazer a sua doação. Se não tiver recursos para a doação, pode ajudar na divulgação também além, é claro, das doações de livros feita pelo endereço [email protected]

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Se você pudesse listar apenas 3 livros que mais mudaram a sua vida, quais seriam? Por que eles foram tão importantes e merecem ser lidos?

F.T.: A escolha dos melhores livros é sempre muito difícil. E isso é até bom porque demonstra a quantidade de livros lidos. Mas citando apenas três, o primeiro vem da área de experiência do Dinheirama.

Isso porque na época eu estava lidando com uma situação financeira bem complicada. Além do site de vocês, este livro deu uma luz imensa, com uma escrita extremamente simples e sem o famoso “economês”.

Leitura recomendada para todo mundo, independente da atual situação financeira: “Dinheiro, os segredos de quem tem”, de Gustavo Cerbasi.

“O Vendedor de Sonhos”, de Augusto Cury, é o segundo. Eu sou da área de TI, acostumado a lidar com máquinas, e não muito com pessoas. Este livro mostrou que cada pessoa possui uma história e, em sua maioria, elas são muito interessantes.

O terceiro? “Qual é a tua obra?”, do genial Mario Sergio Cortella, livro que faz pensarmos sobre a importância da nossa existência. Que falta eu faço? Qual o passado que quero ter daqui a 10 anos? Como quero ser lembrado? O que quero deixar como herança? Perguntas fundamentais que a grande parte das pessoas não sabe responder.

Fernando, obrigado pela disponibilidade e parabéns pelo trabalho. Por favor, deixe uma mensagem final de incentivo à leitura para todos aqueles que nos seguem. Obrigado.

F.T.: Eu que agradeço pelo espaço. Ele é super importante para que cada vez mais leitores possam saber sobre o “Leitura no Vagão” e, assim, participem do projeto. Quero dizer que nosso país (e o mundo) hoje é resultado das ações dos seres humanos, e somente nós, seres humanos, podemos mudá-lo, seja para melhor ou pra pior.

Eu decidi que eu, Fernando, viverei em um país com mais leitura. E, caso não viva, ele não o será, também, por minha causa. Obrigado e parabéns pelo trabalho que realizam. Até a próxima!

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Conrado Navarro
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