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Dinheirama Entrevista: Frederico Lacerda, Sócio da Aceleradora 21212

por Ricardo Pereira
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Dinheirama Entrevista: Frederico Lacerda, Sócio da Aceleradora 21212Na semana passada tivemos a oportunidade de acompanhar de perto o já conhecido Demo Day da aceleradora 21212, oportunidade onde o time de startups que fazem parte do portfólio da empresa apresenta seu trabalho para um grupo de investidores e profissionais relevantes do mercado.

Nós do Dinheirama ficamos muito bem impressionados com o evento e com a receptividade com que fomos tratados pelo pessoal da 21212 e mais contentes ficamos quando tivemos a oportunidade de conversar pessoalmente com os participantes do Demo Day, que falaram muito bem desse processo de aceleração e o quanto aprenderam e cresceram com o apoio da aceleradora.

Convidei então o Frederico Lacerda, um dos sócios da 21212, para uma entrevista, onde ele falaria do processo de aceleração como um todo e da história da empresa. O Frederico, conhecido pelos amigos como Fred, tem 27 anos e além de sócio também foi um dos fundadores da 21212. Antes, atuou por quatro anos como consultor de negócios na consultoria Accenture, na área de Talente & organization Management.

Além disso, tem experiência no Canadá, Suíça e EUA e envolveu-se em projetos de gestão da mudança, fusão e aquisição, desenho de estrutura organizacional, análise de impacto, gestão de stakeholders e cultura organizacional. Realizou treinamento internacional Core Analyst Scholl (Saint Charles, EUA) e é formado em comunicação social e publicidade pela PUC-Rio.

Acompanhe a entrevista, comente e recomende para os amigos:

Fred, quais foram as principais motiva√ß√Ķes para criar a 21212? Como surgiu a ideia e qual √© exatamente o modelo de neg√≥cios de uma aceleradora?

Frederico Lacerda: A principal motivação para criar a 21212 foi a mesma de qualquer outra startup: queríamos resolver um problema que precisava ser resolvido por alguém.

Em 2010, observamos que o mercado digital brasileiro passava por uma grande transforma√ß√£o e tinha grande potencial de crescimento, devido ao crescimento de penetra√ß√£o de acesso √† internet, smartphones e monetiza√ß√£o na internet (maior volume de transa√ß√Ķes no consumo de produtos e servi√ßos online).

Somando √† grande oferta de capital ‚Äď principalmente de fundos internacionais que olhavam o Brasil com grande interesse -, aquele momento parecia ser de virada para empresas digitais que pudessem aproveitar esta oportunidade.

Por outro lado, percebemos que apesar de possuirmos grandes talentos no Brasil, o nosso ecossistema de startups não estava tão desenvolvido. A lista do que faltava era extensa: experiência por parte dos empreendedores, facilidade de contratar desenvolvedores e designers, eventos de networking, mentores dispostos a ajudar, investidores-anjo com histórico de investimentos e até exemplos de sucesso no mercado.

A 21212 surgiu para preencher este enorme gap de experi√™ncia que existia entre as oportunidades massivas que o mercado oferecia e a exist√™ncia de talentos no Brasil, mas n√£o de times. O modelo de neg√≥cios de uma aceleradora √© baseado em sociedade ‚Äď a startup oferece um percentual de participa√ß√£o, que varia dependendo do seu n√≠vel de maturidade.

O seu modelo de operação se assemelha bastante ao de uma incubadora, mas o seu retorno vem do sucesso das startups aceleradas. A aceleradora decide o momento de vender a sua participação, o que pode acontecer com a entrada de um fundo de investimentos ou com a venda da empresa no futuro.

Quais as principais diferenças entre os ecossistemas de startups do Brasil e de outros países mais ativos neste sentido, como EUA e Israel? São as pessoas, nossa cultura? O que mais?

F. L.: Vale a pena citar duas diferen√ßas entre o ecossistema de startups do Brasil e de outros pa√≠ses que possuem ecossistemas mais desenvolvidos: quest√Ķes culturais e quest√Ķes ligadas a incentivos governamentais.

Culturalmente, ainda n√£o podemos nos considerar um pa√≠s empreendedor ‚Äď pelo menos no empreendedorismo motivado por oportunidade, e n√£o naquele motivado por necessidade. A maior parte dos profissionais talentosos no Brasil ainda d√£o prefer√™ncia a empregos em multinacionais, bancos e empresas p√ļblicas.

Al√©m disso, ainda h√° muita oferta de bons empregos com altos sal√°rios para engenheiros e gestores bem capacitados ‚Äď o que significa competi√ß√£o desleal por talentos para as startups. Aos pouquinhos, contudo, vai surgindo o interesse cada vez maior de empreender dentro das universidades.

J√° em rela√ß√£o ao governo, tudo se resume a uma quest√£o de foco. Diferentemente dos casos americano e israelense, o foco do nosso governo nas √ļltimas d√©cadas n√£o foi incentivar o empreendedorismo e facilitar a abertura e fechamento de startups, o investimento-anjo, o desenvolvimento de polos de tecnologia e a educa√ß√£o de alto n√≠vel.

Acreditamos que o Brasil está caminhando nestes dois campos na direção correta, o que nos permitirá desenvolver um ecossistema mais ativo e capaz de gerar resultados reais. Mas tal como nos mercados que consideramos exemplos, este é um processo que dura algumas décadas e precisa continuar sendo incentivado.

Qual o impacto para o universo das startups de nosso atrasado sistema trabalhista e do complexo aparato tributário, que somados levam a burocracia a níveis impressionantes?

F. L.: O impacto mais básico é a dificuldade em abrir e fechar empresas (e todos os procedimentos incluídos entre estas duas etapas). E por que fechar empresas seria algo importante para o universo das startups? Simplesmente porque o processo de empreender inclui muitas falhas e recomeços como parte do aprendizado.

O desenvolvimento e crescimento da startup tamb√©m √© prejudicado com a quantidade de impostos e complexo aparato tribut√°rio. Muitos empreendedores n√£o sabem ao certo quais impostos devem pagar, pois o sistema √© complicado. Isso os obriga a enfrentar altos custos com advogados e contadores desde o in√≠cio de suas opera√ß√Ķes, quando o seu maior foco deveria ser o produto e o cliente.

Com o crescimento, as startups passam a enfrentar problemas com a contratação de funcionários. O sistema trabalhista é complexo e caro, o que incentiva a informalidade e acaba por ameaçar a vida de muitas startups. Para fechar, o acesso a capital é dificultado no Brasil. Não existem incentivos fiscais para investidores-anjo, por exemplo.

E caso um investidor decida mesmo assim investir em uma startup, ele passa tamb√©m a correr grandes riscos (criados principalmente devido aos problemas citados nos par√°grafos acima), devido √† falta de prote√ß√£o legal do investidor, que pode ser responsabilizado por problemas financeiros da empresa. Acho que est√° bom para come√ßar…

Muitas startups que conseguiram um relativo sucesso adaptaram por aqui modelos de fora. Ainda existem oportunidades para esse tipo formato, isto é, copiar modelos vencedores do exterior?

F. L.: Ainda existem muitas oportunidades para a importação de modelos vencedores no exterior, pois há muitos modelos de negócios comprovados que ainda não foram aplicados no mercado brasileiro com sucesso.

Parece ser f√°cil simplesmente replicar um modelo de neg√≥cios, mas a verdade √© que este tipo de atividade exige grande foco na adapta√ß√£o ao mercado brasileiro. O primeiro passo √© entender se o problema que a solu√ß√£o ataca tamb√©m existe no Brasil. Muitas vezes fatores culturais, pol√≠ticos e econ√īmicos dificultam muito a importa√ß√£o de neg√≥cios, at√© mesmo inviabilizando a sua exist√™ncia. Por isso, muitos at√© chamam o processo de “inova√ß√£o geogr√°fica”.

Tivemos algumas experiências dentro da 21212 tentando aplicar modelos de negócios que não vingaram tanto por termos descoberto que a proposta de valor não era tão forte (já que o problema resolvido não era tão grande por aqui, ou era resolvido de forma bastante diferente) quanto por não existirem mecanismos legais claros que possibilitassem a atuação em determinados mercados.

Como vocês trabalham o processo de aceleração o que efetivamente pesa na hora de escolher as empresas? O crucial é o modelo do negócio?

F. L.: O nosso processo de seleção é bastante rigoroso: já analisamos mais de mil empresas, mas aceitamos menos de 30. O modelo de negócio, a diferenciação da solução e o tamanho do mercado são fatores importantes, mas o que efetivamente pesa na nossa decisão é o time de empreendedores e a sua capacidade de execução e entrega.

Uma vez selecionada, a empresa passa por um processo de aceleração com 4 a 8 meses de duração, seguindo uma metodologia bem definida que tem como objetivos, de forma bastante resumida, conversar muito com os clientes, validar o modelo de negócios, desenvolver o produto e levantar capital.

Dentro da 21212, as startups têm acesso a um time dedicado de executivos das áreas de negócios, produto, tecnologia, jurídica e de investimentos, além de uma ampla rede de mentores (especialistas, altos executivos e empreendedores do mercado) e investidores tanto no Brasil quanto nos EUA.

Ao final da acelera√ß√£o, as startups que conseguem finalizar o programa s√£o aceitas no Portfolio da 21212, tendo acesso a eventos de apresenta√ß√£o a investidores (como o “Investor Day” e o “Demo Day”) e a uma rede de neg√≥cios. O objetivo, nesta fase, √© fazer a empresa crescer atrav√©s das melhores pr√°ticas de gest√£o, de parcerias comerciais, de distribui√ß√£o e de investimentos.

Fred, muito obrigado pela disponibilidade. Peço por favor que deixe uma mensagem final para o leitor do Dinheirama que admira o trabalho da 21212 e que gostaria de saber um pouco mais sobre a empresa.

F. L.: A nossa mensagem final é o incentivo para que todos aqueles que desejam ou já desejaram empreender deem logo o primeiro passo. Nos dois anos de vida da 21212 e nas décadas de experiência somada com empreendedorismo da nossa equipe, o que mais aprendemos foi que 99% do sucesso das startups está ligado a um time forte e com grande capacidade de execução.

Por isso, não espere até amanhã para começar; não perca um dia sem dar pelo menos um passo em direção ao seu objetivo. E caso você já tenha uma startup digital com time formado e alguma tração, e esteja interessado em se envolver com a 21212, basta se inscrever no nosso processo seletivo em http://21212.com/apply. Obrigado e até a próxima.

Foto: divulgação.

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