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Dinheirama Entrevista: Frederico Rizzo, CEO do Broota

por Isabella Abreu
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Em entrevista ao Dinheirama.com, Frederico Rizzo, CEO da plataforma de investimento coletivo Broota, fala sobre sua trajetória e analisa o mercado de equity crowdfunding no Brasil.

Desde que o Broota lan√ßou, h√° um ano, a primeira Oferta P√ļblica via equity crowdfunding no Pa√≠s, o mercado amadureceu bastante. Treze ‚Äéstartups captaram atrav√©s da plataforma e, com os avan√ßos na legisla√ß√£o esperados para 2016, o processo de financiamento coletivo ser√° ainda mais democratizado. Confira o bate-papo:

Frederico, conte um pouco de sua trajet√≥ria, como tomou suas decis√Ķes ao longo da carreira/vida e como o empreendedorismo surgiu em sua trajet√≥ria.

Frederico Rizzo: Quando jovem, estive muito envolvido com o esporte. Fui velejador, bi-campeão brasileiro e vice-campeão mundial de Optimist Рque é a principal porta de entrada para o mundo da vela.

A experi√™ncia bem-sucedida no esporte e, principalmente na vela, me ensinou a correr riscos e sonhar grande: sa√≠ de Porto Alegre para vir estudar em S√£o Paulo, na Funda√ß√£o Get√ļlio Vargas, onde tive a sorte de me aprofundar, por quatro anos, em temas ligados a empreendedorismo, algo muito pouco falado naquela √©poca (minha classe inteira recebeu um curso gratuito oferecido pela Amana-Key de Gest√£o Empreendedora).

Foi assim que descobri uma nova forma de canalizar minha energia para atividades que me desafiavam e acabei fundando, com alguns colegas de classe ainda durante a faculdade, uma ONG para trabalhar com esporte (vela, logicamente) e educa√ß√£o, numa regi√£o de 100 mil habitantes que viviam em condi√ß√Ķes de alta vulnerabilidade na zona sul de S√£o Paulo.

Depois de uma experi√™ncia de 5 anos nesta ONG, fui trabalhar na M√£e Terra, empresa de produtos org√Ęnicos investida por um fundo de private equity, mas com um prop√≥sito s√≥cio-ambiental bastante claro, o que me motivava enormemente. Depois de quatro anos l√°, decidi que estava na hora de realizar um sonho antigo de fazer um MBA, ent√£o fui para Duke University onde me especializei em finan√ßas e empreendedorismo.

Como nasceu a ideia de criar a Broota? Conte-nos um pouco sobre esta sua empresa.

F. R.: Enquanto empreendedor social passei 5 anos captando recursos e mobilizando pessoas para os projetos sociais que desenvolv√≠amos na comunidade do Jd. Gaivotas, no Graja√ļ. Quando fui para a iniciativa privada, na M√£e Terra, percebi que muita gente demonstrava um interesse t√£o grande ou maior com o prop√≥sito da empresa do que com aquele que eu havia vivenciado na ONG.

Ao mesmo tempo, o desafio de empreender Рindependente se um projeto social ou um negócio potencialmente muito lucrativo Рera muito parecido; por isso achei que precisava haver uma forma de engajar pessoas em prol de iniciativas empreendedoras através da internet.

Era janeiro de 2012 e o crowdfunding de recompensas já era uma realidade no Brasil. Mas eu achava que os empreendedores precisavam de mais do que capital financeiro, por isso imaginei um modelo em que uma espécie de crowdsourcing também estivesse acoplado à plataforma Рou seja, pessoas ajudariam não apenas com grana, mas capital humano/intelectual ao longo do processo de criação da empresa.

Na época, eu não pensava em equity crowdfunding, pois essa atividade é super regulada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por envolver mercado de capitais. Todo mundo com quem eu falava dizia que isso era impossível de fazer no Brasil.

Quando fui para os EUA fazer meu MBA, entretanto, vi o movimento iniciando por lá e continuei atento ao desenvolvimento do mercado. Foi aí que descobri que a CVM estava mais aberta do que muitos imaginavam e que, na verdade, havia uma brecha na legislação local para a prática do equity crowdfunding.

Apressei então meu curso, me formei 6 meses antes do previsto e vim pro Brasil montar a operação com a ajuda de mentores e do escritório de advocacia Machado Meyer. Assim, em junho de 2014 conseguimos aprovação para fazer a primeira oferta, que não por acaso foi do próprio Broota.

Levantamos R$ 200 mil com 30 investidores em 30 dias, e assim come√ßou nossa jornada. O Broota se prop√Ķe a conectar os principais players do ecossistema empreendedor brasileiro independente de origem e rede de contatos.

√Č uma esp√©cie de ‚Äúrede social‚ÄĚ para empreendedores e investidores, que permite que o empreendedor fa√ßa conex√Ķes estrat√©gicas e capte recursos para seu neg√≥cio – que √© um dos seus maiores desafios.

Conte um pouco sobre equity crowfunding e as vantagens desse modelo de financiamento. 

F. R.: O investimento coletivo, ou equity crowdfunding, √© a Oferta p√ļblica de valores mobili√°rios que uma empresa disponibiliza para um grupo de investidores atrav√©s da internet.

Ao contr√°rio do crowdfunding tradicional, em que a pessoa recebe brindes ou mesmo o produto como recompensa pelo capital aportado, no crowdequity o investidor recebe, como contrapartida, uma participa√ß√£o acion√°ria ou um t√≠tulo de d√≠vida, que pode ser convers√≠vel em a√ß√Ķes da empresa apoiada. Neste sentido, o investidor pode se tornar s√≥cio de um neg√≥cio inovador investindo a partir de R$ 1000.

Para o empreendedor, as principais vantagens são duas: em primeiro lugar, a velocidade na captação, já que ele consegue apresentar o seu negócio para milhares de pessoas ao mesmo tempo; e, em segundo lugar, o acesso a uma rede ampla e diversificada de pessoas que se tornam embaixadores da empresa e podem ser mobilizados para ajudar o negócio a prosperar.

Para o investidor, a principal vantagem é conseguir acessar oportunidades que até então não estavam ao seu alcance, sem ter que aplicar dezenas ou centenas de milhares de reais por negócio Рo que tornava a atividade de investidor-anjo algo restrito a pessoas muito ricas. Com o equity crowdfunding, investidores conseguem diversificar quantias menores de capital em vários projetos, aumentando assim suas chances de retorno.

Como o equity crowfunding tem aproximado investidores de startups?

F. R.: O equity crowdfunding democratiza o acesso a capital de risco: qualquer um pode investir a partir de R$ 1mil. O investidor tem acesso a um deal flow muito maior e a possibilidade de contatar diretamente empreendedores que buscam capital. A disponibilização dos dados da oferta virtualmente facilita a diligência por parte do investidor.

Com os Sindicatos, novo produto do Broota no qual investidores apoiam um investidor líder em troca de acesso ao seu fluxo de negócios, há também uma interação da nossa comunidade de investidores entre si, o que gera networking e educação para ambas as partes.

Após praticamente um ano de operação, qual balanço você faz? E quais expectativas para o futuro?

F. R.: Em um ano de operação, o Broota captou para 13 empresas um total de R$ 3.850.000. Nossa meta esse ano era captar para 10 empresas, portanto, estamos bem satisfeitos com o resultado.

Al√©m disso, o n√ļmero de empresas que pretendem captar via plataforma tem aumentado bastante, assim como o valor m√©dio de cada capta√ß√£o. Superamos nossos principais desafios legais e, com a nova regulamenta√ß√£o que a CVM pretende lan√ßar no primeiro semestre de 2016, acreditamos que o processo ser√° ainda mais f√°cil para o empreendedor.

Para o próximo ano, pretendemos captar R$ 8 mi para pelo menos 20 negócios, com uma receita esperada de R$ 500 mil.

Como você avalia o mercado de equity crowdfunding no Brasil?

F. R.: O equity crowdfunding é um mercado mundial que cresce em um ritmo acelerado, tendo crescido 182% no ano passado (dados do Crowdfunding Industry Report). Só na América Latina, o crowdfunding teve um crescimento de 167% em 2014.

No Brasil, o surgimento de novos investidores-anjos e de programas de incentivo ao empreendedorismo evidencia o crescimento do setor. Temos bastante confiança no futuro da modalidade no país. Da parte legal, muito já foi feito para possibilitar os mini-IPOs virtuais, porém muito ainda pode ser feito para que o processo tenha menos fricção.

Quais foram os principais desafios que você enfrentou quando decidiu empreender e começar sua própria empresa? Como os superou?

F. R.: O primeiro desafio foi a coragem de se jogar de cabeça num mercado inexistente e cheio de complexidades. Havia muito advogado especialista em venture capital e startups afirmando que o equity crowdfunding não era possível no país. Mas, eu soube encontrar as pessoas certas que me ajudaram a desenvolver um modelo inicial que, com o tempo, foi sendo aprimorado.

Outro enorme desafio foi montar uma equipe de alta performance. Comecei sozinho o Broota e a grande maioria das pessoas que entende de startup sabe que é muito difícil criar uma empresa sem co-fundadores.

Ent√£o, eu fui aos poucos encontrando pessoas com interesse no tema e tamb√©m buscando pr√≥-ativamente gente com excelente qualifica√ß√£o para o trabalho. Fui dando corda para essas pessoas, experimentando trabalhar junto, validando empatia e as reais motiva√ß√Ķes para trabalhar no Broota. Com o tempo, consegui montar uma equipe que j√° est√° h√° um ano unida e cada vez mais entrosada.

Quais benefícios e vantagens você enxerga no empreendedorismo como uma opção de vida?

F. R.: Empreender √© muito dif√≠cil. Como diz um mentor meu, precisa ter ‚Äúcasca grossa‚ÄĚ. Voc√™ n√£o tem tempo para quase nada, √© dif√≠cil desconectar do trabalho e, pra piorar, a estat√≠stica est√° sempre contra voc√™. Mesmo assim, tem muito louco que gosta de viver com esse frio na barriga e poder acordar todo dia motivado e com autonomia para perseguir seus sonhos.

Eu acho que empreendedorismo hoje pode ser sim uma op√ß√£o de ‚Äúcarreira‚ÄĚ. As pessoas come√ßam a perceber que falhar faz parte do processo e s√≥ traz mais bagagem para sua pr√≥xima tentativa.

O Dinheirama √© o melhor portal de conte√ļdo para voc√™ que precisa aprender finan√ßas, mas nunca teve facilidade com os n√ļmeros.

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