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Dinheirama entrevista: Hu√°ras Duarte, diretor da Omnis Mind

por Elaine Costa
3 min leitura

Dinheirama entrevista: Hu√°ras Duarte, diretor da Omnis MindO aprendizado nas empresas √© foco de diversos livros e artigos. Felizmente, o tema passa a ser tratado com mais seriedade nas empresas brasileiras, o que nos traz uma excelente oportunidade de conversar com um dos maiores especialistas no tema. Nosso papo hoje √© com Hu√°ras Duarte, Coach e Diretor da Omnis Mind, formado em Engenharia Mec√Ęnica pela Faculdade de Engenharia Industrial e em Administra√ß√£o de Empresas pelo Instituto Mackenzie.

Nas empresas que trabalhou, Hu√°ras desenvolveu diversos trabalhos na √°rea de treinamento, √© Trainer em Programa√ß√£o Neurolingu√≠stica (PNL[bb]) e introdutor da t√©cnica PhotoReading no Brasil, sendo o √ļnico brasileiro certificado como PhotoReading Master Instructor. √Č consultor nas √°reas de Brain-Based Learning (Bases Neurol√≥gicas do Aprendizado) e Accelerated Learning. Formado em Coaching Integrado pela ICI, atua como coach executivo em empresas nacionais e multinacionais, e tamb√©m atende como coach pessoal.

De onde surgiu a idéia de criar uma empresa voltada para a aprendizagem e o crescimento pessoal?

Huáras Duarte: A Omnis Mind surgiu em um momento em que eu tinha acabado de desistir da engenharia. Trabalhei como engenheiro por quase 10 anos e, em um dado momento, não estava mais satisfeito. Mas também não estava fazendo alguma coisa para mudar a situação. Foi quando a empresa faliu. Ou seja, a vida me empurrou.

Foi uma fase da minha vida profissional em que fiquei procurando o que fazer. De uma coisa tinha certeza: não queria mais a área técnica. Queria algo diferente, mas não sabia o que era. Foi quando entrei na área de PNL, fiz curso e investi em formação. Foi dentro dessa área que conheci, através de uma reportagem com o Paul Scheele, o PhotoReading. E aquilo me interessou. Fui para os Estados Unidos e conheci o curso de dois dias. Gostei da técnica e comecei aplicar. Então decidi fazer a formação para instrutor.

Durante o aprendizado do método, percebi que PhotoReading não era só uma técnica, mas estava ligado a algo maior. Era exatamente sobre como acelerar o aprendizado. E isso me fascinou. Estava cada vez mais claro como aquilo era importante para as pessoas. Mesmo tento foco em leitura, em materiais escritos, percebi como aquelas ferramentas criavam uma mudança de paradigma, aplicável em qualquer situação.

Quando comecei com as atividades de PhotoReading, decidi criar uma empresa com o objetivo principal de facilitar o aprendizado. Desde o in√≠cio, quis oferecer PhotoReading, outras estrat√©gias, mapas mentais e tudo que pudesse contribuir com o aprendizado mais r√°pido. Por isso, tamb√©m criei outro curso, o ‚ÄúAprender a aprender‚ÄĚ. Trabalhei um bom tempo com essas ferramentas.

Mas, junto com esse meu background em PNL, foi natural evoluir do campo do aprendizado para o do desenvolvimento. Na verdade, o desenvolvimento pessoal não deixa de ser um aprendizado, só que mais voltado para a vida. Foi nesse desenvolvimento que comecei a entrar em contato com outros profissionais, buscando novas atividades para o desenvolvimento pessoal. A principal dessas foi o Coaching[bb].

Fiz a forma√ß√£o, trabalhei com a organiza√ß√£o do curso e comecei a oferecer o servi√ßo de Coaching como complemento, uma vez que ajuda usar na pr√°tica o que se aprendeu. Depois, foi natural entrar outros cursos, como o ‚ÄúDesbloqueio para aprender idiomas‚ÄĚ, com o Valter Herman, alguns cursos mais espec√≠ficos de Coaching, Programa√ß√£o Neurolingu√≠stica, entre outros.

Atualmente, tamb√©m estamos trazendo o foco para a pessoa e a espiritualidade. Precisamos aprender a ser melhores para atuar no mundo – e isso √© o que eu chamo de espiritualidade. Olhando as nossas conex√Ķes com os outros seres, com a For√ßa Maior, vamos crescer em sintonia com todas as outras pessoas, seres e com o universo.

O que diferencia a Omnis Mind de outras empresas voltadas para o aperfeiçoamento pessoal?

HD: Nosso foco √© em como a pessoa pode ser melhor. Ser um indiv√≠duo, um ser humano melhor. E pensando em aprendizado, n√£o s√£o s√≥ t√©cnicas. √Č preciso aprender a pensar de forma diferente. Isso √© crescimento. Mudar, n√£o s√≥ pelo conhecimento, mas sim pela forma como se lida com as coisas. No caso espec√≠fico do PhotoReading, que √© composto por v√°rias t√©cnicas, isso n√£o √© o principal. O principal √© que a pessoa cres√ßa dentro de uma vis√£o mais ampla do mundo para poder usar melhor suas pr√≥prias capacidades.

O que você acredita ser mais importante no processo de aprendizagem?

HD: √Č importante que a pessoa saiba o que quer. Quando algu√©m estabelece objetivos, n√£o o faz pensando em si mesmo, mas na busca pelo reconhecimento das outras pessoas. Muitos dos objetivos que as pessoas colocam s√£o para satisfazer algo externo. Quando proponho a cria√ß√£o de objetivos, sempre pergunto: o que voc√™ realmente deseja?

N√£o importa a profiss√£o que escolheu ou o quanto voc√™ ganha, mas se isso traz satisfa√ß√£o para a sua vida. Essa √© a grande mudan√ßa, algo que podemos chamar de desenvolvimento pessoal. N√£o saber mais. Ter informa√ß√£o n√£o quer dizer que voc√™ seja inteligente. √Č preciso saber aplic√°-las e essa √© a diferen√ßa.

Nesse contexto, qual a sua opini√£o em rela√ß√£o √† teoria das intelig√™ncias m√ļltiplas, de Howard Gardner?

HD: A teoria das intelig√™ncias m√ļltiplas, de Howard Gardner[bb], √© uma das bases do curso ‚ÄúAprender a aprender‚ÄĚ. Gosto muito dessa vis√£o, pois oferece muito mais flexibilidade. A pessoa come√ßa a reconhecer que pode ter v√°rias habilidades, que intelig√™ncia n√£o √© uma habilidade √ļnica e que pode ter intelig√™ncias, ou habilidades, em √°reas diferentes. Por exemplo, algu√©m com grande habilidade para lidar com n√ļmeros pode ter dificuldades para perceber espa√ßos, para se localizar espacialmente. Mas essa √© uma habilidade que pode ser desenvolvida.

Conhecer as habilidades predominantes ajuda a melhorar a forma de aprender?

HD: Reconhecendo o que você tem de pontos fortes e quais são seus pontos fracos ajuda a, no caso das habilidades fracas, a decidir o que desenvolver. O forte, você pode aprender a usar da maneira que quiser, com mais eficiência e resultados.

Então é possível desenvolver habilidades que não sejam predominantes?

HD: Sim. O ser humano foi ‚Äúdesenhado‚ÄĚ – vamos por dessa maneira – para aprender. Ele tem duas fun√ß√Ķes b√°sicas: sobreviv√™ncia e aprendizado. Se voc√™ tem as suas necessidades b√°sicas atendidas, a necessidade de sobreviv√™ncia est√° atendida. Ent√£o passamos para a necessidade de aprender. A vida √© um aprendizado constante e, quando paramos de aprender, deixamos de viver. E n√£o estou falando de fazer mestrado ou doutorado. Falo do aprendizado que nos possibilita adquirir experi√™ncia para a pr√≥pria vida. E voc√™ tem √† disposi√ß√£o v√°rias ferramentas capazes de auxiliar neste processo.

Dentre as ferramentas disponíveis e que você conhece, qual recomenda para melhorar a aprendizagem?

HD: Em rela√ß√£o ao aprendizado, o PhotoReading √© uma excelente ferramenta. N√£o s√≥ para quem est√° estudando, como tamb√©m para os profissionais no dia-a-dia. Hoje, estar bem informado √© uma necessidade do mundo corporativo e muitas dessas informa√ß√Ķes est√£o no formato escrito. Todo dia, surgem teorias novas, m√©todos novos, t√©cnicas novas de engenharia, de vendas, de relacionamento com clientes.

Enfim, em todas as √°reas aparece algo novo a todo instante. Por isso, o PhotoReading √© uma excelente ferramenta para lidar com essas informa√ß√Ķes e se manter em dia. Para o estudante, √© excelente para estudar e para se organizar. Se estiver se preparando para um concurso p√ļblico, vai ajudar demais na sua organiza√ß√£o, foco, al√©m de ter t√©cnicas que s√£o bem eficientes para captar melhor a ess√™ncia do que se est√° lendo.

Você pode nos dar uma visão geral sobre como funciona o PhotoReading?

HD: O m√©todo do PhotoReading tem como base o modo como n√≥s aprendemos. O c√©rebro lida com a informa√ß√£o em dois n√≠veis: consciente e n√£o consciente, onde o n√£o consciente √© a maior base que n√≥s temos de informa√ß√£o. Ele processa muito mais informa√ß√Ķes do que no n√≠vel consciente, que √© linear. Ent√£o, o objetivo √© que se consiga lidar com os dois n√≠veis.

Por isso, existem ferramentas para lidar com o n√≠vel n√£o consciente e ferramentas para lidar com o n√≠vel consciente, sendo que a melhor ordem para se lidar com as informa√ß√Ķes n√£o √© de forma linear, como n√≥s aprendemos, e sim trabalhando a informa√ß√£o do todo para a parte. Primeiro, tem-se uma refer√™ncia, uma vis√£o geral da informa√ß√£o, para s√≥ depois buscar os detalhes. Mas n√£o quaisquer detalhes, e sim aqueles que s√£o importantes para voc√™. Aqui entra o objetivo.

Basicamente, lidamos com as informa√ß√Ķes em dois n√≠veis, o consciente e n√£o consciente, onde o consciente precisa saber o que voc√™ quer a partir de uma vis√£o geral. Juntando todas as t√©cnicas, temos o aprendizado que desejamos, mesmo de maneira n√£o consciente. Na verdade, o n√£o consciente estimula a intui√ß√£o, que d√° suporte ao racioc√≠nio.

Mas o que diferencia as t√©cnicas do PhotoReading daquelas usadas pela leitura din√Ęmica?

HD: A leitura din√Ęmica compreende ler um livro da forma tradicional visualizando o texto e n√£o subvocalizando-o (lendo-o mentalmente).¬† E se faz isso do in√≠cio ao fim, usando t√©cnicas de memoriza√ß√£o[bb] para lembrar de partes espec√≠ficas do texto. Aqui, temos como foco o livro. Ficamos presos a ele.

No método PhotoReading, temos mais liberdade, pois a parte mais importante do processo de leitura é o leitor e não o livro. O leitor que é responsável pela informação e pelo aprendizado. Então, o objetivo é o leitor, e não o livro. Cabe a ele definir o que é importante. Em função disso é que ele vai saber como se relacionar com aquela informação, que pode até extrapolar um livro e ir para outros. O importante é o que o leitor quer, e não mais o que aquela simples leitura oferece.

Essa é uma grande mudança. Estamos muito acostumados aos outros nos dizerem o que fazer ou o que ler. Não será a definição de objetivos uma das dificuldades em relação à aceitação do método?

HD: Isso foi algo que aprendi quando comecei a fazer Coaching. Esse trabalho tem o objetivo de ajudar a pessoa a ser responsável por sua vida. E, dentro da vida, existe o aprendizado. Logo, cada um é responsável pelo seu aprendizado. Sou eu que preciso definir o que quero aprender e não os outros.

Ter uma refer√™ncia ajuda, mas no final a decis√£o √© sempre da pessoa. E ter uma vis√£o geral do conte√ļdo vai ajudar na decis√£o de se aprofundar, ou n√£o. Hoje, a maior dificuldade da aprendizagem √© o tempo. N√£o temos mais tempo dispon√≠vel e precisamos fazer em cinco minutos o que antes far√≠amos em uma hora.

Você comentou que o mundo mudou, mas nossos métodos de aprendizagem continuam os mesmos. Será por isso que temos mais dificuldades em lidar com essas mudanças?

HD: Sim. Todo mundo está com problemas porque os métodos tradicionais não funcionam mais. A pessoa acha que não tem capacidade, sem perceber que o problema está no método. Capacidade todos temos.

Crédito da foto: divulgação.

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