Dinheirama entrevista: Huáras Duarte, diretor da Omnis MindO aprendizado nas empresas é foco de diversos livros e artigos. Felizmente, o tema passa a ser tratado com mais seriedade nas empresas brasileiras, o que nos traz uma excelente oportunidade de conversar com um dos maiores especialistas no tema. Nosso papo hoje é com Huáras Duarte, Coach e Diretor da Omnis Mind, formado em Engenharia Mecânica pela Faculdade de Engenharia Industrial e em Administração de Empresas pelo Instituto Mackenzie.

Nas empresas que trabalhou, Huáras desenvolveu diversos trabalhos na área de treinamento, é Trainer em Programação Neurolinguística (PNL[bb]) e introdutor da técnica PhotoReading no Brasil, sendo o único brasileiro certificado como PhotoReading Master Instructor. É consultor nas áreas de Brain-Based Learning (Bases Neurológicas do Aprendizado) e Accelerated Learning. Formado em Coaching Integrado pela ICI, atua como coach executivo em empresas nacionais e multinacionais, e também atende como coach pessoal.

De onde surgiu a idéia de criar uma empresa voltada para a aprendizagem e o crescimento pessoal?

Huáras Duarte: A Omnis Mind surgiu em um momento em que eu tinha acabado de desistir da engenharia. Trabalhei como engenheiro por quase 10 anos e, em um dado momento, não estava mais satisfeito. Mas também não estava fazendo alguma coisa para mudar a situação. Foi quando a empresa faliu. Ou seja, a vida me empurrou.

Foi uma fase da minha vida profissional em que fiquei procurando o que fazer. De uma coisa tinha certeza: não queria mais a área técnica. Queria algo diferente, mas não sabia o que era. Foi quando entrei na área de PNL, fiz curso e investi em formação. Foi dentro dessa área que conheci, através de uma reportagem com o Paul Scheele, o PhotoReading. E aquilo me interessou. Fui para os Estados Unidos e conheci o curso de dois dias. Gostei da técnica e comecei aplicar. Então decidi fazer a formação para instrutor.

Durante o aprendizado do método, percebi que PhotoReading não era só uma técnica, mas estava ligado a algo maior. Era exatamente sobre como acelerar o aprendizado. E isso me fascinou. Estava cada vez mais claro como aquilo era importante para as pessoas. Mesmo tento foco em leitura, em materiais escritos, percebi como aquelas ferramentas criavam uma mudança de paradigma, aplicável em qualquer situação.

Quando comecei com as atividades de PhotoReading, decidi criar uma empresa com o objetivo principal de facilitar o aprendizado. Desde o início, quis oferecer PhotoReading, outras estratégias, mapas mentais e tudo que pudesse contribuir com o aprendizado mais rápido. Por isso, também criei outro curso, o “Aprender a aprender”. Trabalhei um bom tempo com essas ferramentas.

Mas, junto com esse meu background em PNL, foi natural evoluir do campo do aprendizado para o do desenvolvimento. Na verdade, o desenvolvimento pessoal não deixa de ser um aprendizado, só que mais voltado para a vida. Foi nesse desenvolvimento que comecei a entrar em contato com outros profissionais, buscando novas atividades para o desenvolvimento pessoal. A principal dessas foi o Coaching[bb].

Fiz a formação, trabalhei com a organização do curso e comecei a oferecer o serviço de Coaching como complemento, uma vez que ajuda usar na prática o que se aprendeu. Depois, foi natural entrar outros cursos, como o “Desbloqueio para aprender idiomas”, com o Valter Herman, alguns cursos mais específicos de Coaching, Programação Neurolinguística, entre outros.

Atualmente, também estamos trazendo o foco para a pessoa e a espiritualidade. Precisamos aprender a ser melhores para atuar no mundo – e isso é o que eu chamo de espiritualidade. Olhando as nossas conexões com os outros seres, com a Força Maior, vamos crescer em sintonia com todas as outras pessoas, seres e com o universo.

O que diferencia a Omnis Mind de outras empresas voltadas para o aperfeiçoamento pessoal?

HD: Nosso foco é em como a pessoa pode ser melhor. Ser um indivíduo, um ser humano melhor. E pensando em aprendizado, não são só técnicas. É preciso aprender a pensar de forma diferente. Isso é crescimento. Mudar, não só pelo conhecimento, mas sim pela forma como se lida com as coisas. No caso específico do PhotoReading, que é composto por várias técnicas, isso não é o principal. O principal é que a pessoa cresça dentro de uma visão mais ampla do mundo para poder usar melhor suas próprias capacidades.

O que você acredita ser mais importante no processo de aprendizagem?

HD: É importante que a pessoa saiba o que quer. Quando alguém estabelece objetivos, não o faz pensando em si mesmo, mas na busca pelo reconhecimento das outras pessoas. Muitos dos objetivos que as pessoas colocam são para satisfazer algo externo. Quando proponho a criação de objetivos, sempre pergunto: o que você realmente deseja?

Não importa a profissão que escolheu ou o quanto você ganha, mas se isso traz satisfação para a sua vida. Essa é a grande mudança, algo que podemos chamar de desenvolvimento pessoal. Não saber mais. Ter informação não quer dizer que você seja inteligente. É preciso saber aplicá-las e essa é a diferença.

Nesse contexto, qual a sua opinião em relação à teoria das inteligências múltiplas, de Howard Gardner?

HD: A teoria das inteligências múltiplas, de Howard Gardner[bb], é uma das bases do curso “Aprender a aprender”. Gosto muito dessa visão, pois oferece muito mais flexibilidade. A pessoa começa a reconhecer que pode ter várias habilidades, que inteligência não é uma habilidade única e que pode ter inteligências, ou habilidades, em áreas diferentes. Por exemplo, alguém com grande habilidade para lidar com números pode ter dificuldades para perceber espaços, para se localizar espacialmente. Mas essa é uma habilidade que pode ser desenvolvida.

Conhecer as habilidades predominantes ajuda a melhorar a forma de aprender?

HD: Reconhecendo o que você tem de pontos fortes e quais são seus pontos fracos ajuda a, no caso das habilidades fracas, a decidir o que desenvolver. O forte, você pode aprender a usar da maneira que quiser, com mais eficiência e resultados.

Então é possível desenvolver habilidades que não sejam predominantes?

HD: Sim. O ser humano foi “desenhado” – vamos por dessa maneira – para aprender. Ele tem duas funções básicas: sobrevivência e aprendizado. Se você tem as suas necessidades básicas atendidas, a necessidade de sobrevivência está atendida. Então passamos para a necessidade de aprender. A vida é um aprendizado constante e, quando paramos de aprender, deixamos de viver. E não estou falando de fazer mestrado ou doutorado. Falo do aprendizado que nos possibilita adquirir experiência para a própria vida. E você tem à disposição várias ferramentas capazes de auxiliar neste processo.

Dentre as ferramentas disponíveis e que você conhece, qual recomenda para melhorar a aprendizagem?

HD: Em relação ao aprendizado, o PhotoReading é uma excelente ferramenta. Não só para quem está estudando, como também para os profissionais no dia-a-dia. Hoje, estar bem informado é uma necessidade do mundo corporativo e muitas dessas informações estão no formato escrito. Todo dia, surgem teorias novas, métodos novos, técnicas novas de engenharia, de vendas, de relacionamento com clientes.

Enfim, em todas as áreas aparece algo novo a todo instante. Por isso, o PhotoReading é uma excelente ferramenta para lidar com essas informações e se manter em dia. Para o estudante, é excelente para estudar e para se organizar. Se estiver se preparando para um concurso público, vai ajudar demais na sua organização, foco, além de ter técnicas que são bem eficientes para captar melhor a essência do que se está lendo.

Você pode nos dar uma visão geral sobre como funciona o PhotoReading?

HD: O método do PhotoReading tem como base o modo como nós aprendemos. O cérebro lida com a informação em dois níveis: consciente e não consciente, onde o não consciente é a maior base que nós temos de informação. Ele processa muito mais informações do que no nível consciente, que é linear. Então, o objetivo é que se consiga lidar com os dois níveis.

Por isso, existem ferramentas para lidar com o nível não consciente e ferramentas para lidar com o nível consciente, sendo que a melhor ordem para se lidar com as informações não é de forma linear, como nós aprendemos, e sim trabalhando a informação do todo para a parte. Primeiro, tem-se uma referência, uma visão geral da informação, para só depois buscar os detalhes. Mas não quaisquer detalhes, e sim aqueles que são importantes para você. Aqui entra o objetivo.

Basicamente, lidamos com as informações em dois níveis, o consciente e não consciente, onde o consciente precisa saber o que você quer a partir de uma visão geral. Juntando todas as técnicas, temos o aprendizado que desejamos, mesmo de maneira não consciente. Na verdade, o não consciente estimula a intuição, que dá suporte ao raciocínio.

Mas o que diferencia as técnicas do PhotoReading daquelas usadas pela leitura dinâmica?

HD: A leitura dinâmica compreende ler um livro da forma tradicional visualizando o texto e não subvocalizando-o (lendo-o mentalmente).  E se faz isso do início ao fim, usando técnicas de memorização[bb] para lembrar de partes específicas do texto. Aqui, temos como foco o livro. Ficamos presos a ele.

No método PhotoReading, temos mais liberdade, pois a parte mais importante do processo de leitura é o leitor e não o livro. O leitor que é responsável pela informação e pelo aprendizado. Então, o objetivo é o leitor, e não o livro. Cabe a ele definir o que é importante. Em função disso é que ele vai saber como se relacionar com aquela informação, que pode até extrapolar um livro e ir para outros. O importante é o que o leitor quer, e não mais o que aquela simples leitura oferece.

Essa é uma grande mudança. Estamos muito acostumados aos outros nos dizerem o que fazer ou o que ler. Não será a definição de objetivos uma das dificuldades em relação à aceitação do método?

HD: Isso foi algo que aprendi quando comecei a fazer Coaching. Esse trabalho tem o objetivo de ajudar a pessoa a ser responsável por sua vida. E, dentro da vida, existe o aprendizado. Logo, cada um é responsável pelo seu aprendizado. Sou eu que preciso definir o que quero aprender e não os outros.

Ter uma referência ajuda, mas no final a decisão é sempre da pessoa. E ter uma visão geral do conteúdo vai ajudar na decisão de se aprofundar, ou não. Hoje, a maior dificuldade da aprendizagem é o tempo. Não temos mais tempo disponível e precisamos fazer em cinco minutos o que antes faríamos em uma hora.

Você comentou que o mundo mudou, mas nossos métodos de aprendizagem continuam os mesmos. Será por isso que temos mais dificuldades em lidar com essas mudanças?

HD: Sim. Todo mundo está com problemas porque os métodos tradicionais não funcionam mais. A pessoa acha que não tem capacidade, sem perceber que o problema está no método. Capacidade todos temos.

Crédito da foto: divulgação.

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