Qual a imagem que você tem de si mesmo? E qual a imagem que os outros têm de você? Será que você sabe gerir bem sua marca pessoal e posicionar-se da melhor maneira? Ou, ao contrário, está faltando um pouco mais de atenção  para estes aspectos? O tema “consultoria de imagem e personal branding” é sempre muito interessante, mas geralmente não lhe damos a devida importância, não é mesmo?

Por esta razão convidamos Ilana Berenholc, especialista em presença executiva e liderança para tratar sobre o assunto.

“Quando pensamos em autoimagem, existe a autoimagem real (como realmente nos vemos), a autoimagem ideal (como gostaríamos de nos ver), a autoimagem social (como acreditamos que os outros nos veem), e a autoimagem social ideal (como gostaríamos que os outros nos vissem)… Muitas vezes a percepção que os outros têm de nós não é a que pensamos. Geralmente, temos uma ideia, mas sempre existem pontos cegos e desconhecidos, e é importante sabermos quais são para a gestão da nossa marca pessoal”, explica Ilana. Confira a entrevista exclusiva para o Dinheirama!

Ilana, poderia resumidamente contar um pouco sobre sua formação e trajetória?

I.B.: Minha formação é na área de Comunicação, especificamente em Publicidade e Propaganda. Todos os aspectos de comunicação sempre me interessaram e foi isso que me levou, há mais de vinte anos, a me especializar na área de imagem, sempre pesquisando as mensagens que comunicamos pela forma como nos comportamos, vestimos e pela nossa linguagem corporal. No meio da trajetória, me interessei pelo Personal Branding e comecei a estudá-lo, fazendo uma pós-graduação na Espanha nesta área. Hoje, trabalho com Presença Executiva e Liderança, utilizando o ID.INT, um método desenvolvido por mim que utiliza toda essa bagagem de conhecimentos que acumulei em 24 anos de profissão.

Você trabalha com personal branding, certo? Primeiramente, gostaria que nos explicasse se há diferença entre imagem pessoal e personal branding.

I.B.: Personal Branding é a gestão da marca pessoal e visa ao posicionamento. Nele, investigamos quem você é, o que faz e como gera valor. E trabalhamos como tudo isso será comunicado. Os consultores de imagem auxiliam no aprimoramento da imagem, comunicação eficaz, etiqueta profissional e social. Podemos dizer que a consultoria de imagem é uma das ferramentas que podemos usar – dentro de um processo de personal branding – como forma de tornar visíveis os atributos de nosso cliente.

Você já explicou em algumas entrevistas que a nossa imagem é formada por aparência, comportamento e comunicação. Poderia falar um pouco sobre cada um destes pontos?

I.B.: Estes são os três pilares da imagem, e, hoje em dia, podemos incluir nossa imagem digital como o quarto. É na coerência entre eles que fortalecemos nossa imagem. A aparência envolve a comunicação não verbal transmitida pelas roupas e acessórios que usamos (as cores, tecidos, linhas, estampas e formas na roupa comunicam mensagens específicas). Além disso, corte e cor de cabelo, o cuidado pessoal afetam a percepção. No entanto, existe uma comunicação ligada também a nossas características físicas: estatura, silhueta, traços, coloração.

O comportamento inclui nossa postura profissional. É ligado a conhecermos os códigos existentes nos diferentes ambientes e nos comportarmos de acordo. A comunicação, por sua vez, engloba a verbal e a não-verbal. A verbal é sobre nosso discurso. A não-verbal é sobre nossos gestos, postura, energia, tom de voz, uso do espaço e do tempo.

Nossa imagem digital é o quarto pilar e, nos dias de hoje, um dos que têm grande impacto. Temos a tendência de nos revelar muito mais nas redes do que numa interação face a face e o alcance delas é ilimitado.

Por que é tão importante conhecer a si mesmo quando se trata de trabalhar a marca pessoal?

I.B.: Em primeiro lugar, uma marca pessoal não se cria ou constrói. Ela é baseada, fundamentalmente, em autenticidade. O que será comunicado tem base em nossa essência, nosso DNA. Depois, é importante conhecermos nossas forças, fraquezas, valores, talentos e competências para usá-los em nosso posicionamento e autodesenvolvimento. Eles nos definem e nos diferenciam, são parte da nossa identidade. Rever nossa história pessoal também faz parte deste autoconhecimento. Somente sabendo quem sou, saberei para onde ir e quais as ferramentas que tenho para chegar lá.

Qual a melhor maneira de sabermos a percepção que os outros têm de nós? Porque às vezes não corresponde ao que pensamos de nós, não é?

I.B.: Quando pensamos em autoimagem, existe a autoimagem real (como realmente nos vemos), a autoimagem ideal (como gostaríamos de nos ver), a autoimagem social (como acreditamos que os outros nos veem), e a autoimagem social ideal (como gostaríamos que os outros nos vissem). E como você diz, muitas vezes a percepção que os outros têm de nós não é a que pensamos. Geralmente, temos uma ideia – e não erramos -, mas sempre existem pontos cegos e desconhecidos, e é importante sabermos quais são para a gestão da nossa marca pessoal.

A forma de fazer isso? Aqui a resposta é simples: perguntando. Precisamos do feedback do outro para sabermos como somos percebidos. Geralmente, recomendo que se façam as seguintes perguntas:

Quais são meus pontos fortes?

Se você pudesse me definir em uma palavra, qual seria?

Qual é uma das minhas habilidades mais fortes que você acredita que eu deveria utilizar com mais frequência?

Das coisas que não faço, o que eu deveria começar a fazer?

Escolha pelo menos 10 pessoas de seu relacionamento para responder. Quanto maior sua amostra, mais evidências você terá. É interessante cruzar as respostas com resultados de testes ligados à personalidade como o DISC ou MBTI. Inclusive, há algumas versões gratuitas online, como o https://www.16personalities.com/br

Qual a relação entre a primeira impressão e a reputação?

I.B.: De acordo com a psicóloga e pesquisadora norte-americana Amy Cuddy, as pessoas respondem a duas perguntas quando se encontram pela primeira vez: Posso confiar nesta pessoa? Posso respeitar esta pessoa? Num contexto profissional, diferente do que muitos pensam, não é a competência, mas sim a confiança, o fator mais decisivo que as pessoas fazem das outras em um primeiro contato.

É considerando este cenário que nos baseamos em reputação e primeiras impressões para avaliarmos a pessoa com quem estamos interagindo – e julgando. Enquanto a primeira impressão é individual, a reputação é coletiva. Quando alguém tem uma reputação formada, ela precede a primeira impressão. Isto é, as pessoas já chegam com um julgamento prévio (a reputação) que influenciará na percepção inicial. Nossa tendência, quando encontramos alguém, é buscarmos evidências que comprovem a reputação que essa pessoa tem.

Somente se a pessoa apresentar um comportamento muito fora do esperado, que mudaremos a imagem inicial que tínhamos dela com base em sua reputação. No caso de uma pessoa que não tem uma forte reputação, os outros não conhecem uma história prévia, portanto, acabam se baseando nas primeiras impressões para fazer julgamentos sobre ela.

As pessoas culturalmente podem nos perceber de forma diferente? Dá para adaptar a comunicação de acordo com o interlocutor? Como fazer isso mantendo a essência?

I.B.: Certamente que sim.  Não somente dá, como devemos fazê-lo. Para isso, é importante conhecer as principais diferenças culturais existentes para entender no que somos semelhantes e no que somos diferentes. Diferentes culturas diferem quanto à extroversão, abertura a novas experiências, individualismo ou coletivismo, relação com o tempo, entre outros. Aqui, não é uma questão de mudar quem você é, com o risco de perder sua essência, mas sim saber como adaptar a sua comunicação para que sua mensagem não se perca ou seja mal interpretada.

Com relação ao seu trabalho nas empresas, pode defini-lo um pouco melhor? Cada funcionário, seja líder ou não, deveria trabalhar sua marca pessoal para conhecer melhor as suas qualidades e defeitos e também para passar uma melhor imagem da empresa ao público externo?

I.B.: Trabalho com Presença Executiva de líderes e equipes, utilizando o método ID.INT, que se baseia em 4 pilares:

Intrínseco: permitir que os talentos pessoais do profissional sejam utilizados por completo. Aqui, fazemos uma identificação da sua marca pessoal para entender quem ele é e quais são suas forças.

Interação: beneficiar-se da sinergia entre a marca corporativa e a marca pessoal. Ao conhecer minhas forças, entendo qual o valor que ofereço a meu público, tanto interno, quanto externo.

Intenção: ter clareza sobre o que se quer alcançar e se posicionar dentro da empresa e perante os clientes. Traçamos objetivos e as formas de atingi-los.

Integração: mesclar sua autenticidade com sua postura e posicionamento na empresa. Encontrar o equilíbrio entre manter sua identidade e desempenhar seus papéis.

Ao trabalhar sua marca pessoal, o líder entende quem é, quais são seus talentos e trunfos e como pode agregar valor para suas equipes. Além disso, alinhar-se aos valores e à identidade da empresa, usando ferramentas para melhor comunicá-los por meio de seu comportamento e imagem. Passa a se expressar de forma autêntica e, ao mesmo tempo, alinha-se à identidade corporativa, tornando-se um embaixador da marca.

Há algumas coisas essenciais na comunicação para quem quer trabalhar a forma como é percebido pelos outros? Poderia finalizar dando algumas sugestões?

I.B.: Sim.

1) Não se esquecer de que a nossa comunicação deve ser intencional. O que quero dizer é que preciso pensar tanto no que quero transmitir e cuidar de como o outro irá me escutar;

2) A comunicação não existe somente na fala. Ela está no nosso comportamento off-line e online, na nossa aparência, na nossa linguagem corporal. Todos eles devem estar coerentes;

3) Empatia na comunicação é uma habilidade que pode ser desenvolvida e é fundamental para líderes;

4) Uma das características de um profissional com presença executiva é conexão. E isso se consegue estando presente e focado na conversa;

5) Trabalhe sua inteligência emocional para saber como controlar suas emoções. Conheça seus gatilhos emocionais para poder antecipá-los;

6) Sua comunicação deve estar alinhada com seus objetivos de posicionamento. Isso vale para interações face a face e para sua comunicação nas redes sociais;

7) Nas redes sociais, compartilhe e interaja. Como costumo dizer, você deve ser interessado e interessante.

Janaína Gimael
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